Aldo Andretta, OBEGEF

Onde estaremos amanhã? O que faremos amanhã? Como estará o mundo amanhã? Essas são perguntas que podem até ser respondidas, mas sem qualquer certeza de que se concretizarão. A velocidade das mudanças e a forma como as pessoas agem não nos trazem confiança sobre os caminhos que estamos seguindo ou sobre aquilo que planejamos hoje.

“Como será o amanhã? Responda quem puder; o que irá me acontecer, o meu destino será como Deus quiser.” Esse é o refrão do samba-enredo O Amanhã, composto por João Sérgio para o Carnaval da escola de samba União da Ilha do Governador, em 1978, e que ficou amplamente conhecido no Brasil na voz da cantora Simone.

A música traz elementos de crença, misticismo e superstição, mas seu refrão parece extremamente atual diante das turbulências que vivemos. Estamos em meio a uma transformação impulsionada pela inteligência artificial, com impactos positivos, mas também com riscos relevantes, especialmente quando utilizada de forma indevida.

Ao mesmo tempo, vivemos em um cenário global cada vez mais instável, em que decisões de governantes impactam diretamente economias e relações internacionais. Conflitos se intensificam e são amplificados por meios digitais, especialmente pelas redes sociais.

No Brasil, o cenário também tende a se intensificar, considerando o contexto eleitoral. A influência dos meios digitais é crescente — basta observar o aumento dos investimentos em mídia digital por parte do governo e de instituições. E, com o avanço da inteligência artificial, é esperado um volume ainda maior de conteúdos gerados, tanto positivos quanto negativos, o que torna o ambiente ainda mais complexo.

Diante desse cenário, em que confiar? E, principalmente, como agir em meio a um fluxo tão intenso e, muitas vezes, contraditório de informações?

Confesso que não tenho essa resposta. Talvez, citando outra música — desta vez de Raul Seixas e Paulo Coelho — haja uma pista: “Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”.

Isso porque manter crenças rígidas e aceitar as primeiras informações que recebemos pode nos levar a decisões equivocadas ou precipitadas. Será cada vez mais necessário buscar múltiplas fontes — desde que sejam confiáveis. Mas, afinal, quais são confiáveis?

O mesmo raciocínio se aplica à vida profissional, especialmente para quem atua com tecnologia e prevenção a fraudes. Trata-se de um mundo em constante transformação. O que era imprescindível há cinco anos hoje já não é mais suficiente.

Isso porque muitas profissões estão sendo redefinidas. Não significa que a tecnologia irá eliminar empregos, mas certamente exigirá que os profissionais adquiram novos conhecimentos e se adaptem a novas competências. Aprender continuamente deixa de ser uma evolução natural e passa a ser uma obrigação, pois dominar apenas uma parte da atividade pode não ser mais suficiente. E aqui está um dos principais impactos da tecnologia, especialmente da inteligência artificial: otimização e eficiência.

Para a área de prevenção a fraudes, não é diferente. O que antes parecia errado, hoje pode parecer certo. O que era imperfeito, hoje se apresenta com perfeição. Os fraudadores deixaram de explorar apenas falhas evidentes e passaram a atacar algo mais profundo: a confiança de suas vítimas.

Como será o amanhã? Não sei. A fé é importante, e confiar em Deus sempre será um norte. Mas não podemos simplesmente esperar que tudo aconteça “como Ele quiser” — é preciso fazer a nossa parte. E talvez o segredo esteja justamente nisso: nos prepararmos para quando esse amanhã chegar. E, quem sabe, aprendermos a viver, daqui para frente, como verdadeiras metamorfoses ambulantes.

És meu contributo!