Jorge Fonseca de Almeida, OBEGEF

Um ministro que ao contrário do seu homologo indiano não se demite, antes eleva a voz e o tom do autoelogio, da satisfação consigo mesmo, sempre com o apoio ativo dos seus pares e do seu chefe, o primeiro-ministro. A corrupção intelectual, fazendo passar o desastre por uma grande reforma.

O Ministro da Educação da Índia, Dharmendra Pradhan, demitiu-se este mês na sequência do escândalo com os exames de acesso à Universidade e pressionado por um movimento estudantil de enormes proporções.

A palavra corrupção significa a deterioração física ou moral de um corpo ou de uma sociedade. Relaciona-se com a desagregação das partes, coma putrefação irreversível, com a decadência e, obviamente, com a desonestidade material, moral ou intelectual.

O que assistimos nas últimas semanas a propósito dos exames nacionais constituiu mais uma forma de degradação do sistema de ensino, um sinal da aceleração do nível de corrupção, no sentido de deterioração, das instituições nacionais de educação.

Vagamos por uma situação surreal em que os agrafos se revoltam cravando-se às digitalizadoras, os mortos são convocados para a correção de itens, antigamente os exames tinham perguntas, os professores doentes não se levantam das suas camas hospitalares para contribuir para o esforço de classificação, o trabalho ao sábado, ao domingo e pela noite fora torna-se essencial para o bem nacional, os erros nas notas normalizados e frequentes, as pautas entram em modo de linha-de-montagem sempre a sair, sempre a produzir resultados diferentes, atualizados, inovadores. Os alunos a receber testes Frankenstein, coleção de pedaços de provas de vários alunos. E pairando sobre tudo isto um ministro sempre zangado com os outros e orgulhoso do seu trabalho.

E também uma sociedade paralisada, sem reação, sem sair á rua em todas as cidades e em grandes números, sem se revoltar, outro sinal da desagregação, do avançado estado de corrupção do corpo social. Os professores passivos, os alunos ainda mais calados, os pais silenciosos. Tudo normal. O sistema cai com estrondo mas bocejamos aborrecidos. A corrupção moral da sociedade.

Um ministro que ao contrário do seu homologo indiano não se demite, antes eleva a voz e o tom do autoelogio, da satisfação consigo mesmo, sempre com o apoio ativo dos seus pares e do seu chefe, o primeiro-ministro. A corrupção intelectual, fazendo passar o desastre por uma grande reforma.

Digitalizar, digitalizar, não percebendo que se trata de instrumento e não de fim, de meio não de objetivo, de ferramenta não de meta.  

Portugal à beira do abismo, sem ânimo, sem vigor, sem entusiasmo, para corrigir uma situação grave e para responsabilizar os que nos enfiaram nesta vergonha internacional. Um país derrotado por anos de desvarios, por sucessivas derrotas (veja-se a bazuca que desbaratou milhares de milhões com o país a regredir), por erros transformados em vitórias (veja-se onde nos leva a especialização no turismo), por uma comunicação social que não escrutina, não investiga limitando-se a repetir o que lhe chega dos comunicados de imprensa do Governo, dos partidos ou das associações patronais.

Acordai. Segui o exemplo da Índia.