Jorge Fonseca de Almeida, OBEGEF

A corrupção de governantes não é exclusiva de Portugal. Outros países europeus também sofrem deste mal até mesmo em grau mais elevado. Devemos analisar esses casos para ver quais as defesas que implementaram contras as atividades criminosas de que são vitimas.

A corrupção de governantes não é exclusiva de Portugal. Outros países europeus também sofrem deste mal até mesmo em grau mais elevado. Devemos analisar esses casos para ver quais as defesas que implementaram contra as atividades criminosas de que são vítimas.

A Ucrânia é dos países com maior nível de corrupção no mundo, nomeadamente depois de 2014, com a prisão, a expropriação dos bens, e até o exilio e o assassinato dos dirigentes políticos e empresários afetos à minoria de língua russo e outros opositores políticos, inclusive de língua ucraniana, como os comunistas ou os cristãos afetos à Igreja Ortodoxa Russa. O produto desses roubos foi redistribuído pelas novas elites governamentais.

Depois, a guerra introduziu a dependência económica face ao Ocidente, recebendo a Ucrânia, a título de empréstimo ou de ajuda, verbas muito avultadas da União Europeia e dos Estados Unidos. Face à corrupção estes últimos deixaram de apoiar financeiramente o país recaindo sobre a EU esse encargo. Uma parte desse dinheiro não se consegue perceber para onde foi. Felizmente Portugal, foi muito parco em ajuda concreta.

Por imposição externa a Ucrânia foi obrigada, então, a criar um mecanismo de luta anticorrupção (NABU), independente dos dirigentes políticos e incorporada por um grupo internacional de investigadores e magistrados.

Graças aos esforços da NABU políticos do mais alto nível estão agora sobre investigação nomeadamente Chernyshov o oligarca Primeiro-Ministro Adjunto, mas também Yermak, chefe de gabinete de Zelensky e o empresário Timur Mindich. Os dois primeiros tiveram de se demitir e abandonar os seus lugares políticos, o terceiro fugiu para Israel. Em causa estão várias centenas de milhões de dólares provenientes de atividades criminosas e de “luvas” cobradas nas compras públicas.

Que lição tirar? Que a criação de um mecanismo independente composto por especialistas estrangeiros é uma forma eficiente de controlar a corrupção mesmo em situações difíceis como em tempo de guerra. Será também uma boa solução para Portugal, em que as entidades portuguesas com a atribuição de combate à corrupção parecem incapazes de levar a cabo a sua missão? Fica esta ideia como tema para discussão.