Jorge Fonseca de Almeida, OBEGEF
As próprias autoridades portuguesas são incapazes de gerir as suas aplicações como milhares de portugueses têm notado quando a aplicação SNS24 deixou de funcionar para muitos, impedindo esses utentes de usar as receitas digitais e obrigando-os a regressar às antigas receitas em papel.
Um artigo recente do The Conversation, um jornal internacional que se orgulha de ter um rigor académico e uma tonalidade jornalística, veio revelar que só na Austrália a fraude online levada a cabo por burlões profissionais ascende a mais de 2 mil milhões de dólares australianos (600 milhões de euros) por ano, apesar dos esforços das autoridades policiais para deter e prender estes criminosos.
Em Portugal a dimensão dos danos causados por este de burlas são desconhecidos mostrando a impreparação das autoridades para identificar e quantificar os danos causados às famílias e às empresas residentes em Portugal.
As três principais burlas que fizeram os australianos vítimas foram: i) falsos sites de vendas online procurando vender produtos muito atrativos em termos de funcionalidades e preços mas inexistentes; ii) esquemas de investimento oferecendo altas remunerações, nomeadamente em cripto moedas; iii) fraudes envolvendo a família – com os burlões a fazer-se passar por familiares chegados (esposas, maridos, filhos, irmãos, etc.) e a pedir dinheiro para fazer frente a um problema inesperado. Com recurso à Inteligência Artificial (IA) é possível reproduzir ou imitar a imagem, a voz, ou o estilo de escrita das pessoas que nos são próximas e aproveitar as nossas emoções para nos extorquir somas consideráveis. Este último tipo de fraude tem sido também muito utilizado em Portugal levando muitas pessoas a perder muito dinheiro.
O artigo avançava com um conjunto de conselhos aos leitores para se protegerem dos intrujões. Para evitar cair no canto do vigário a melhor forma de proteção é a criação de um sinal especial, de uma password, uma senha secreta que permita aos membros de uma família reconhecerem-se uns aos outros e assim identificarem burlões que se queiram passar por membros da família. Mas mesmo assim é preciso todo o cuidado para que esse sinal não seja utilizado muitas vezes o que pode levar os burlões a aperceberem-se dele. Sempre que utilizado o mais sensato é mudar o sinal.
Pena que em Portugal as autoridades, sempre com a digitalização na boca, não emitam conselhos regulares às famílias e prefiram deixar desprotegidos os residentes no nosso país.
As próprias autoridades portuguesas são incapazes de gerir as suas aplicações como milhares de portugueses têm notado quando a aplicação SNS24 deixou de funcionar para muitos, impedindo esses utentes de usar as receitas digitais e obrigando-os a regressar às antigas receitas em papel. Na Farmácia alguns empregados mais solícitos explicam como ultrapassar o problema informático com base em truques dignos de hackers. O Governo quer digitalizar mas não possui as competências para o fazer e o resultado é desastroso. Quem nos protege destes intrujões encartados?


