Aldo Andretta, OBEGEF
Não estamos entrando em uma nova era de fraudes. Já estamos nela! E a velocidade das mudanças tem um ritmo alucinante, não só pelo uso de ferramentas de inteligência artificial, mas também pela criatividade e perspicácia dos fraudadores em aproveitar as oportunidade e a fragilidade do elo mais frágil dessa cadeia (pessoas). Esse cenário se torna uma grande preocupação para as empresas, em um contexto cada vez mais desafiador.
Já venho falando, em minhas crônicas, sobre a crescente preocupação com o tema das fraudes. Há muito tempo isso deixou de ser algo restrito a um garoto sentado em frente ao computador que, com algumas habilidades informáticas, comete pequenos delitos. Tampouco é necessário mergulhar na Deep ou na Dark Web para encontrar fraudadores e esquemas utilizados contra pessoas e empresas.
Muito pelo contrário. Eu diria — se não estivéssemos falando de internet — que esses crimes são praticados “à luz do dia”, para quem quiser ver. Basta uma simples busca por termos relacionados a fraude no Telegram, por exemplo, para encontrar pessoas vendendo serviços ilícitos. E, por mais incrível que pareça, os fraudadores precisam investir muito pouco dinheiro, pois já existem serviços que oferecem ferramentas de fraude a custos acessíveis, cobrando por tempo de uso.
E a velocidade é impressionante. O uso da inteligência artificial potencializou enormemente a forma como os fraudadores atuam. Descobrir fragilidades de processos, vulnerabilidades, meios de burlar biometria facial, entre outras técnicas, ganhou contornos nunca antes vistos.
E, falando em inteligência artificial, é aqui que mora um dos grandes riscos para 2026, especialmente quando tratamos do desenvolvimento pelas empresas. A busca frenética por “desenvolver, desenvolver e desenvolver” agentes de IA para ganho de produtividade pode gerar falhas de concepção, problemas no desenvolvimento, na segregação de acessos aos dados e na forma de utilização da inteligência. Erros de concepção e falhas de desenvolvimento podem permitir a exploração de ambientes — e isso, infelizmente, tende a acontecer. A atenção aos dados é tão importante quanto aos demais aspectos, pois o acesso indevido a informações pode causar prejuízos significativos aos negócios.
Voltando um pouco no tempo, quando falávamos de golpes eletrônicos, os fraudadores atuavam de maneira muito mais grosseira, com sites e mensagens cheios de erros ortográficos e gramaticais, além do uso equivocado de imagens de empresas. Mas, com a inteligência artificial, esse cenário muda radicalmente. Quem nunca escreveu um e-mail e utilizou o ChatGPT para aprimorá-lo?
Os fraudadores aprenderam a fazer exatamente o mesmo. E foram além: passaram a utilizar a hiperpersonalização das mensagens, tornando-as extremamente fiéis às marcas exploradas, aliadas a gatilhos emocionais que induzem a vítima a clicar em links ou realizar compras que, mais tarde, se revelam fraudulentas. Acredito que esse seja mais um dos grandes riscos que veremos se intensificar.
Além disso, é cada vez mais provável o uso de jornadas coordenadas de fraude, que combinam múltiplos canais de comunicação — SMS, WhatsApp, e-mail, sites, anúncios pagos em plataformas digitais, entre outros — tudo para criar a percepção de uma campanha legítima de marketing de alguma instituição.
Nesse contexto, surge outro risco relevante: o insider. Trata-se do funcionário que é cooptado por fraudadores, voluntária ou involuntariamente, ou daquele que ingressa na instituição já com a intenção de obter acessos privilegiados. Esse tipo de ameaça é silenciosa e extremamente perigosa. Exige atenção redobrada aos controles de cibersegurança e, principalmente, à identificação de mudanças comportamentais, que nem sempre são evidentes, mas podem resultar em acessos indevidos, desvios financeiros ou, no pior cenário, ataques de ransomware.
E tudo isso precisa ser convertido em dinheiro. Nesse sentido, infelizmente, o PIX continuará sendo explorado, justamente por ser um meio de pagamento rápido, instantâneo e de fácil transferência.
O que antes era uma preocupação restrita a CISOs (Chief Information Security Officers) ou a áreas especializadas em fraude passou a figurar no topo da agenda dos CEOs. Segundo o Global Cybersecurity Outlook 2026, do Fórum Econômico Mundial, em 2025 os principais riscos apontados eram ransomware, fraude por meios eletrônicos, phishing e fraude na cadeia de suprimentos. Agora, a fraude eletrônica e o phishing ocupam o primeiro lugar, enquanto vulnerabilidades em inteligência artificial e exploração de falhas de software passam a integrar esse ranking.
A preocupação dos CEOs faz total sentido. O nível de sofisticação adotado e a facilidade de burlar sistemas e enganar pessoas são tão impressionantes que, em determinados contextos, pensar em controles adicionais para confirmação de transações de risco deixa de ser exagero — ainda que isso traga mais burocracia.
Tudo está mudando e evoluindo muito rapidamente, e a fraude acompanha esse movimento. É essencial, neste momento que a informação permeie cada vez mais entre as pessoas, pois a educação continua a ser uma arma importante na contenção das fraudes. Talvez o futuro da prevenção seja pessoas mais atentas!
E para você, quais riscos enxerga no horizonte?
Espero que tenham aproveitado a leitura.


