Jorge Fonseca de Almeida, OBEGEF
Eu não quero uma seleção que transmita essa imagem, não quero uma seleção que exiba
ao mundo o pior da nossa sociedade, não quero uma seleção dirigida por Jorge Jesus e por Proença.
Não quero que este triste e infame exemplo frutifique nas empresas e nas entidades públicas. E
quero Ronaldo de volta, para acabar a sua carreira de jogador de futebol com dignidade e com todas
as honras que merece. Quero que Portugal surja aos olhos do mundo como uma sociedade ética e
justa, que não o sendo o aspira a ser.
Em Portugal muitas instituições funcionam com ausência de ética nos aspetos mais básicos da convivência em sociedade. Para inúmeras entidades as pessoas reduzem-se ao desempenho momentâneo, são descartáveis e tratadas sem o mínimo de educação, despidas da sua dignidade
humana e tratadas como simples recursos a par das matérias-primas, ou das máquinas. Pior este
tipo de atitude impregna toda a sociedade e está na base da cleptocracia em que vivemos.
O recente caso do treinador Jorge Jesus, um treinador medíocre que nunca treinou um clube europeu fora de Portugal, é bem representativo dessa ausência de ética, dessa ausência de respeito pelos outros e pela sua dignidade. A forma como primeiro abusou e humilhou Cristiano Ronaldo aos olhos do mundo, depois continuou a difama-lo e por último como o voltou a humilhar no jogo com a Dinamarca, são o retrato fiel e verdadeiro da falta de respeito pela pessoa humana, da cultura do posso, quero e mando, da atitude que vê nos outros simples meios para os seus fins e não lhes reconhece dignidade humana.
Uma sociedade que não consegue reconhecer a carreira de um jogador(a), de um trabalhador(a), que não tem em conta o que já fez, o que já produziu, o que já contribuiu, uma sociedade que finge não ter memoria, que finge esquecer que os outros são seres humanos e não coisas, esquecimento que radica nos séculos em que escravizou pessoas a que chamava coisas, uma sociedade que se habituou ao mando despótico, quando a América proclamava a Democracia e os Direitos do Homem por cá pontificavam a dupla D. José / Marquês de Pombal e as execuções barbaras dos opositores e a Inquisição, uma sociedade assim não tem futuro.
Se a sociedade, através de um treinador menor e medíocre, trata assim o nosso melhor jogador de
sempre que mensagem passa para patrões, gestores, chefes e outros hierarcas? Como os ensina a
descartar os seus subordinados? Como lhes ensina a ética da falta de ética?
É preciso, pois, um outro tipo de convivência social. Uma sociedade que honre os seus heróis positivos, que respeite as pessoas e não as humilhe nem em público, nem em privado), que trate com educação e dignidade jogadores como Ronaldo a quem o país tanto deve, que iniciou uma era de vitórias para a seleção (que antes as não tinha e que no futuro, provavelmente, as não terá), que foi múltiplas vezes bota de ouro, que representou os grandes clubes europeus (Real Madrid, Manchester United, Juventus) que ganhou títulos em todos os países em que jogou, que se constituiu a maior marca portuguesa e a única global.
Que imagem passa um país que humilha assim um dos seus maiores. A de um país grande, justo e
ético, ou a de um país moralmente fraco, injusto e vingativo.
Eu não quero uma seleção que transmita essa imagem, não quero uma seleção que exiba ao mundo
o pior da nossa sociedade, não quero uma seleção dirigida por Jorge Jesus e por Proença. Não quero
que este triste e infame exemplo frutifique nas empresas e nas entidades públicas. E quero Ronaldo
de volta, para acabar a sua carreira de jogador de futebol com dignidade e com todas as honras que
merce. Quero que Portugal surja aos olhos do mundo como uma sociedade ética e justa, que não o sendo o aspira a ser.


