Jorge Almeida, Jornal SOL

A Confiança é um dos principais componentes do que sociólogos e economistas designam por Capital Social e que é um dos tipos de Capital mais relevantes para o Desenvolvimento das sociedades modernas

A Confiança é um elemento essencial na manutenção da Coesão Social, um elemento de unidade entre os membros de uma comunidade nacional, a argamassa que mantém as organizações e as sociedades sólidas e integras. Vários estudos internacionais demonstraram já que as sociedades em que reina a confiança entre os seus membros, conseguem trabalhar melhor em conjunto e são mais desenvolvidas. Em contrapartida os países em que reina a desconfiança, tendem a criar situações de reduzida cooperação e, consequentemente, de baixa produtividade gerando atrasos consideráveis.

A Confiança é um dos principais componentes do que sociólogos e economistas designam por Capital Social e que é um dos tipos de Capital mais relevantes para o Desenvolvimento das sociedades modernas.

Nesses estudos Portugal surge como um país de baixa confiança, um país em que as pessoas são incapazes de cooperar fora dos seus pequenos grupos. Não espanta que não existam grandes empresas e estas quando se formam ou são controladas por uma família ou pelo Estado, as grandes empresas cotadas em bolsa com as ações dispersas por um vasto público não medram por cá. Ninguém nelas investe por medo de ser enganado.

Compete ao Estado, aos governantes e às instituições da sociedade civil criar um ambiente favorável à expansão da confiança para lá das fronteiras restritas da família e dos grupos de amigos. Para isso é preciso ser transparente, franco, verdadeiro e honesto. E quando surjam dúvidas sobre um processo ou sobre um ato, prestar explicações cabais e completas. Não o fazer é atirar achas para a fogueira da desconfiança.

Quando um ministro não explica, ou fala deixando dúvidas, quando um responsável de uma organização conta à comunicação social o que se passou em reunião confidencial, a confiança quebra-se, criando uma situação em que a cooperação se torna difícil ou impossível. Sem cooperação nada se consegue.

Quando se fala em aumentar a produtividade devíamos focar também naquilo que é fundamental: a Confiança. Se o trabalhador desconfia que os seus baixos salários têm apenas a justificação da ganância do patrão, se o eleitor não percebe que haja dinheiro para comprar fragatas mas já não exista uma verba muito inferior para melhorar os resultados escolares dos filhos, quando o cliente da gasolineira sabe que o preço que paga não resulta totalmente de crises e das guerras mas de impostos injustos, quando o membro de uma organização suspeita que o que diz nas reuniões internas vai acabar nos jornais, instala-se a desconfiança, a rejeição e a paralisia. Quando se acusa as pessoas com base na etnia e na religião, quando se proíbe a uns o que permitimos a outros, quando estigmatizamos as pessoas pelo seu grupo de pertença ou pela sua cor, estamos a aumentar a desconfiança entre todos. O resultado é uma baixa grave da injustiça, da produtividade e da indispensável cooperação social. É que não estamos todos a puxar para o mesmo lado.

Como aumentar a Confiança? Através da abertura, das respostas claras, das explicações pertinentes, mas também de sansões a quem prevarica, a quem acusa os outros sem provas, a quem trai a confiança em si depositada pelos outros. Saber que quem prevarica é punido aumenta a Confiança entre as pessoas e estas e as instituições. Saber que fica impune, naturalmente, aumenta a desconfiança.

Dito isto, também é conhecida a confiança negativa, aquela que se gera entre mafiosos, entre corruptor e corrompido, entre criminosos. Essa confiança também tem o efeito de aumentar a eficiência destas nefastas ações. Essa confiança negativa deve ser combatida com as mesmas armas usadas para aumentar a confiança positiva, com maior transparência, com a obrigação de maiores explicações sobre as decisões tomadas, de um saudável escrutínio da vida pública.

Para que Portugal se possa desenvolver, e como sabemos desenvolvimento não é o mesmo que crescimento económico, é necessário aumentar a Confiança entre os que constituímos a sociedade portuguesa atual. Sem isso não vamos continuar no caminho de subdesenvolvimento acelerado (por exemplo recuámos 20 anos nos resultados do PISA, mas outros indicadores de saúde e bem-estar apontam no mesmo sentido) em que nos encontramos.

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Last Modified: Setembro 26, 2026