Óscar Afonso,  ECO Magazine

A inspiração de que Portugal precisa neste final de ano não é a da exceção individual, por mais admirável que seja, mas a da construção coletiva de um rumo claro, exigente e mobilizador.

O início de um Novo Ano é, por tradição, um momento propício a balanços e a apelos coletivos. Fala-se de futuro, de ambição, de mudança. Evocam-se exemplos, escolhem-se símbolos, procuram-se inspirações capazes de mobilizar um país inteiro. Mas, como sempre, a questão decisiva não reside na inspiração ou no rumo em abstrato, mas sim na escolha da inspiração e do rumo adequados, começando, desde logo, pelo do próprio Governo.

Portugal entra no Novo Ano com a economia na fase alta do ciclo económico, ainda estimulada por fatores temporários e irrepetíveis, com destaque para o PRR (Programa de Recuperação e Resiliência) – a somar ao pacote de fundos europeus do Acordo de Parceria Portugal 2030 – e o surto de turismo pós-confinamento, reforçado desde 2022 pela imagem de país seguro (além de bonito), longe da guerra, o que tem permitido atrair mais turistas (e algum investimento), embora já se note uma desaceleração.

Por outro lado, o número elevado de imigrantes que entrou entre 2017 e 2024 de forma descontrolada e desligada da economia – cujo crescimento não justificou a magnitude do fluxo migratório, apontando para que uma boa parte desses estrangeiros esteja ou tenha estado na economia paralela –, devido ao Regime de Manifestação de Interesse, não deixa de estimular o consumo.

Mesmo beneficiando de ventos extraordinariamente favoráveis, a economia portuguesa mal conseguiu crescer acima da média da União Europeia (UE). A UE, por seu lado, foi fortemente penalizada pela guerra na Ucrânia, em particular pelo fim do acesso à energia russa barata — da qual Portugal não dependia —, com impacto significativo na economia alemã, a maior economia europeia – agravando a fragilidade causada pela concorrência chinesa, sobretudo no setor automóvel –, mas também nos países de leste, retirando parte do seu dinamismo. Ainda assim, em Portugal persistem problemas estruturais de longa data que condicionam a produtividade e limitam o potencial de convergência com o nível de vida das economias europeias mais desenvolvidas, resultantes de uma especialização produtiva em atividades de baixo valor acrescentado e fraca produtividade, que se traduz em salários estruturalmente baixos.

Se a economia portuguesa dispusesse de fundamentos estruturais sólidos, o atual contexto excecional estaria a traduzir-se em taxas de crescimento próximas de 4% ao ano, como em períodos históricos de verdadeira convergência. Em vez disso, o crescimento tem-se mantido pouco acima de 2%, sinal claro de que o impulso é maioritariamente conjuntural.

Se a economia portuguesa dispusesse de fundamentos estruturais sólidos, o atual contexto excecional estaria a traduzir-se em taxas de crescimento próximas de 4% ao ano, como em períodos históricos de verdadeira convergência. Em vez disso, o crescimento tem-se mantido pouco acima de 2%, sinal claro de que o impulso é maioritariamente conjuntural. À medida que estes fatores extraordinários se esgotem, é infelizmente muito provável que Portugal regresse a uma trajetória de crescimento anémico, próxima de 1% ao ano, semelhante à que marcou os últimos 25 anos e manifestamente insuficiente para sustentar aumentos duradouros do nível de vida, manter o Estado Social e convergir com a UE.

Reitero que, sem reformas profundas que alinhem incentivos, promovam inovação e elevem a produtividade, o país continuará a perder terreno relativo, sendo ultrapassado por economias da Europa de leste que, apesar de terem entrado mais tarde na UE e recebido menos fundos, têm sabido utilizá-los de forma mais eficaz, esperando-se que retomem um maior dinamismo com o fim esperado da guerra.

Neste contexto, importa perguntar que tipo de inspiração é hoje verdadeiramente relevante para o país e a economia, que contribua para elevar as condições de vida dos portugueses.

A resposta não reside, a meu ver, em narrativas motivacionais nem em analogias individuais de superação, até porque a maioria dos portugueses já se supera diariamente para compensar as insuficiências persistentes da resposta pública em áreas cruciais como a Saúde, a Educação, a Habitação ou a Justiça. A exigência de superação relevante deve, por isso, incidir sobretudo sobre quem dispõe dos instrumentos, da autoridade e da responsabilidade para intervir de forma estrutural.

Reside, assim, na capacidade de o Governo identificar com clareza os motores do crescimento de longo prazo e alinhar políticas públicas, instituições e expectativas sociais em torno desses objetivos, criando um enquadramento que permita transformar esforço individual em progresso coletivo.

Portugal não precisa, pois, de inspirações messiânicas, mas sim de aspirações coletivas sustentadas por políticas públicas coerentes e instituições robustas que as tornem exequíveis. O progresso económico e social não resulta da implícita desvalorização do capital humano existente – que é o que sucede quando se enfatiza apenas o caso concreto numa área em que os principais intervenientes não precisam de ter grandes qualificações académicas, mas sobretudo talento notável a nível de desempenho físico –, mas da capacidade de liderança para criar enquadramentos, alinhar incentivos e organizar talentos diversos em torno de um objetivo comum. Quando esse enquadramento existe, o desempenho coletivo supera largamente a soma das contribuições individuais, permitindo transformar potencial disperso em resultados concretos, inovação efetiva e crescimento económico mais elevado e inclusivo.

Procurar ser o melhor em cada área, inspirando-se em bons exemplos, é certamente positivo, não disputo isso, mas então deve-se apontar exemplos nas várias áreas, dado que todas são importantes, sublinhando as que vêm das áreas mais inovadoras – como a ciência e a incorporação do conhecimento na economia e na sociedade –, pois o crescimento de longo prazo advém do progresso técnico e da inovação.

Mais importante ainda é ter a funcionar mecanismos e instituições que promovam a meritocracia em permanência, e disso temos, infelizmente, muito pouco – a começar pela política, em que “a má moeda” tende a expulsar a “boa moeda” porque o sistema cria incentivos perversos que afastam os melhores da vida pública, e é daí que advém uma boa parte dos problemas do país.

É impossível que, com tanto dinheiro de fundos europeus que entrou neste primeiro quarto de século do milénio, a culpa da divergência de nível de vida com a UE não esteja em más políticas e políticos que nos governaram nesse período, com honrosas exceções.

É impossível que, com tanto dinheiro de fundos europeus que entrou neste primeiro quarto de século do milénio, a culpa da divergência de nível de vida com a UE não esteja em más políticas e políticos que nos governaram nesse período, com honrosas exceções. O contraste é grande com as décadas de 1980 e 1990, em que a economia cresceu a ritmo elevado, bem acima da UE, e nos aproximamos dos países mais ricos, numa altura em que foram adotadas reformas importantes que contribuíram para esse resultado.

Por isso, crescer não é simplesmente “deixar andar”, confiando que o tempo resolva fragilidades estruturais profundas. Mas também não é correr sem uma direção certa, acumulando esforços dispersos. Sem um rumo claro, partilhado e mobilizador, arriscamo-nos a avançar coletivamente na direção errada, aprofundando fraturas económicas e sociais, ou a permitir que cada um “corra para o seu lado”, fragmentando ainda mais o país e anulando qualquer estratégia coletiva de desenvolvimento.

Crescer exige, por isso, uma visão estratégica explícita e mobilizadora, um horizonte temporal credível — suficientemente exigente para produzir resultados, mas não tão distante que se torne abstrato e desmobilizador — e a definição de marcos intermédios claros, que permitam avaliar o progresso, corrigir desvios e reforçar a confiança no percurso escolhido. Esses marcos têm de abranger as várias dimensões do desenvolvimento, porque elas são indissociáveis: não há crescimento económico sustentável sem coesão social, nem convergência real, se uma parte significativa da população continuar sem acesso efetivo a saúde de qualidade, educação exigente e habitação digna. Ignorar estas interdependências é comprometer o próprio crescimento que se afirma querer alcançar.

Um Estado social mais forte – com mais provisão pública ou privada, dependendo das escolhas dos eleitores –, que dê resposta nessas e noutras áreas, depende de uma economia mais forte, disso não há dúvida. Definido o rumo mobilizador, calendarizado e monitorizável, é preciso dar ‘músculo’ à economia para que esta possa acelerar, o que comporta reformas e políticas consonantes.

Tenho afirmado que entrar na metade de países mais ricos da atual UE no espaço de uma década deve ser um desígnio nacional. Segundo um trabalho do Gabinete de Estudos da Faculdade de Economia do Porto (FEP), atingir esse objetivo na década até 2033 exigiria elevar o ritmo de crescimento, mediante reformas, para cerca de 3% ao ano, isto admitindo que a UE mantém a tendência de crescimento desde 1999 (1,5% ao ano). A meta mais robusta é conseguir um diferencial de crescimento de, pelo menos, 1,4 pontos percentuais, pelo que, admitindo que o ritmo da UE baixa no atual contexto geopolítico mais desfavorável, por exemplo para 1% ao ano, então Portugal precisaria de crescer 2,4% ao ano ou mais.

Tratando-se de uma crónica de transição entre o final de 2025 e o início de 2026, não é minha intenção sobrecarregar os leitores com números ou análises técnicas. Limito-me, por isso, a apresentar uma leitura sucinta, suficiente para complementar alguns dos aspetos anteriormente referidos, que considero relevantes para uma reflexão informada sobre o momento que o país atravessa.

A inovação como base do crescimento de longo prazo

A ciência económica — em particular a literatura sobre crescimento económico — é hoje clara e amplamente consensual: no longo prazo, o crescimento do rendimento per capita, isto é, do nível de vida, depende essencialmente do progresso técnico. Não é a mera acumulação extensiva de fatores, nem o esforço isolado dos indivíduos, nem tão-pouco o simples apelo genérico à mudança de atitudes que explicam trajetórias sustentadas de melhoria do bem-estar. O fator decisivo é a capacidade de gerar, absorver e difundir conhecimento, num processo cumulativo e auto-reforçado. Esta visão é hoje solidamente ancorada na investigação de referência, como a de Philippe Aghion e Peter Howitt — distinguidos com o Prémio Nobel da Economia em 2025 — e de Daron Acemoglu, laureado em 2024.

O progresso técnico materializa-se em inovação, em processos produtivos mais eficientes, em bens e serviços com maior incorporação de conhecimento, em organizações mais produtivas e em instituições capazes de aprender e adaptar-se. Pressupõe, além disso, um ambiente concorrencial saudável, que evite a concentração excessiva de poder económico e promova a difusão das melhores práticas. É este progresso que permite pagar salários mais elevados sem perder competitividade, reter e atrair talento qualificado e criar valor económico duradouro, sustentando uma convergência real e não meramente conjuntural do nível de vida.

Os países que conseguiram convergir rapidamente — como a Coreia do Sul, a Finlândia, a Irlanda ou o Japão — não o fizeram por disporem de recursos naturais abundantes, nem por recorrerem a discursos mais inspiradores ou mobilizadores, mas por terem feito escolhas estratégicas consistentes, assentes no investimento continuado em ciência, educação avançada, tecnologia e inovação.

Os países que conseguiram convergir rapidamente — como a Coreia do Sul, a Finlândia, a Irlanda ou o Japão — não o fizeram por disporem de recursos naturais abundantes, nem por recorrerem a discursos mais inspiradores ou mobilizadores, mas por terem feito escolhas estratégicas consistentes, assentes no investimento continuado em ciência, educação avançada, tecnologia e inovação.

A inspiração verdadeiramente relevante foi institucional, não simbólica. É o funcionamento do sistema político e de instituições fortes que cria os incentivos adequados, valoriza o empreendedorismo, enquadra a iniciativa individual e permite transformar talento em crescimento económico sustentado e redução estrutural da pobreza.

Quando se analisam os indicadores relevantes, o diagnóstico para Portugal evidencia lacunas claras. A despesa em investigação e desenvolvimento por habitante permanece baixa face aos países com os quais ambicionamos convergir. Mais preocupante ainda é a fraca transformação do conhecimento em valor económico, resultante da pouca articulação entre Academia e empresas, apesar de alguns progressos.

O peso das exportações de bens e serviços de elevada tecnologia e forte incorporação de conhecimento continua reduzido, confirmando a especialização em atividades de pouca sofisticação. Apesar de progressos em nichos específicos, a estrutura produtiva mantém-se excessivamente dependente de setores de baixo valor acrescentado, intensivos em trabalho pouco qualificado e vulneráveis à concorrência baseada em custos – com realce para o turismo, onde é possível evoluir em qualificação, inovação e diversificação no espaço e no tempo (redução da sazonalidade).

Estes factos ajudam a explicar salários médios baixos, dificuldades na retenção de jovens qualificados e a sua emigração persistente, que hipoteca o nosso futuro económico e demográfico, num ciclo vicioso.

São problemas estruturais que não se resolvem com apelos genéricos à superação. Resolvem-se com políticas consistentes, persistentes e avaliáveis.

Da exceção à estratégia: Instituições fortes, e a ciência e a inovação como fontes de inspiração coletiva

Portugal aprecia — e bem — histórias de sucesso individual. Mas há um risco recorrente em confundir exceção com modelo. O talento excecional que triunfa apesar das limitações do contexto não pode substituir uma estratégia de desenvolvimento económico.

Um país não cresce porque alguns conseguem superar o sistema. Cresce quando consegue construir um sistema, assente em instituições fortes, que reduz a necessidade de superação individual extrema. A verdadeira ambição coletiva está em tornar o sucesso menos improvável, não mais heroico.

É por isso que as metáforas utilizadas para falar de progresso são relevantes. Algumas limitam-se a mobilizar emoções; outras, porém, ajudam a pensar a mudança e a estruturar políticas públicas. Num contexto em que os desafios do crescimento dependem cada vez mais da inovação e do conhecimento acumulado, faz sentido procurar inspiração precisamente nos domínios onde esses fatores são efetivamente produzidos.

Se quisermos identificar inspirações alinhadas com os desafios reais da economia portuguesa e mundial, a ciência oferece exemplos particularmente relevantes. Não como símbolo abstrato, mas como prática concreta de criação de valor ao longo do tempo, em benefício dos cidadãos.

António Damásio é um exemplo notável. O seu trabalho em neurociência teve impacto científico global e influenciou áreas tão diversas como a educação, a saúde e a compreensão do comportamento humano e económico. É um caso claro de como o investimento prolongado em conhecimento fundamental gera retornos amplos e duradouros.

António Damásio é um exemplo notável. O seu trabalho em neurociência teve impacto científico global e influenciou áreas tão diversas como a educação, a saúde e a compreensão do comportamento humano e económico. É um caso claro de como o investimento prolongado em conhecimento fundamental gera retornos amplos e duradouros.

Elvira Fortunato representa outra dimensão essencial: a investigação aplicada com potencial industrial. A eletrónica transparente e sustentável desenvolvida pelas suas equipas colocou Portugal na linha da frente de um domínio tecnológico estratégico, demonstrando que é possível ligar ciência de fronteira, sustentabilidade e inovação produtiva. Numa área conexa, a das energias renováveis e armazenamento de energia, temos o exemplo inspirador de Adélio Mendes, que tem contribuído para soluções tecnológicas de impacto económico e ambiental a nível nacional e internacional.

Estes exemplos não são exceções isoladas. Veja-se, por exemplo, o falecido físico Nuno Loureiro, na área emergente e crucial (para o futuro da humanidade) da fusão nuclear. Maria Mota, na investigação biomédica, com impacto global no estudo da malária e combate às doenças infeciosas. Fernando Pacheco-Torgal, na investigação de materiais e tecnologias de construção sustentáveis, com forte reconhecimento internacional. João Gama, um dos maiores especialistas nacionais na área da Inteligência Artificial e Machine Learning. Henrique Leitão, na história e filosofia da ciência, destacando o papel do conhecimento científico na sociedade. Em áreas de interface entre ciência, política e sociedade, figuras como Alexandre Quintanilha ilustram a importância de traduzir conhecimento científico em decisões públicas informadas.

Também nas ciências económicas – a minha área, onde poderia referir muitos exemplos notáveis, desde logo na FEP, mas prefiro não referir nomes para não ser injusto –, existe investigação de elevada qualidade sobre produtividade, inovação, organização das empresas e políticas públicas baseadas em evidência, precisamente os temas centrais para uma estratégia séria de crescimento. Cito, nesta área, apenas o Sérgio Rebelo, outro exemplo claro de excelência científica amplamente apreciada no exterior, com contributos fundamentais para a macroeconomia e a teoria do crescimento, produzidos em instituições de topo a nível mundial.

O traço comum a estes percursos não reside numa genialidade isolada, mas na existência — ainda que imperfeita — de instituições e redes que permitem acumular conhecimento, cooperar internacionalmente e competir ao mais alto nível. Na maioria dos casos, o reconhecimento da excelência científica portuguesa foi inicialmente construído fora do país ou em estreita articulação com contextos internacionais, que souberam conferir visibilidade, credibilidade e autonomia a esses percursos. Esse reconhecimento externo revelou-se frequentemente decisivo, num contexto institucional e político nacional que tende a não valorizar nem a integrar plenamente trajetórias científicas excecionais que escapam às lógicas dominantes, limitando a sua projeção e influência no espaço público.

Conclusão: A inspiração certa para o novo ano é inovar

As mensagens institucionais de Ano Novo têm um valor simbólico relevante, mas são também reveladoras das prioridades políticas, tanto pelas escolhas explícitas como pelas omissões. Num contexto em que se invocam frequentemente a ambição, a superação e o futuro, torna-se significativo que matérias como a ciência, a inovação, a educação avançada ou a estrutura produtiva raramente ocupem lugar central no discurso público. Essa ausência sugere uma deslocação da exigência de superação para o plano individual, quando ela deveria incidir sobretudo sobre quem dispõe dos instrumentos, da responsabilidade e da capacidade de decisão para definir e executar uma estratégia coletiva de desenvolvimento.

Falar de mentalidade e superação pode até mobilizar alguns, mas é provável que possa ser considerado bastante injusto e até provocador para muitos mais, atendendo aos muitos obstáculos que os portugueses já enfrentam e superam no seu dia-a-dia. Mais importante, os desafios que condicionam o crescimento potencial — da produtividade à inovação, da qualificação ao funcionamento das instituições — exigem mais do que inspiração genérica. Exigem planos, metas, recursos e continuidade.

Em suma, a inspiração de que Portugal verdadeiramente precisa neste final de ano não é a da exceção individual, por mais admirável que seja, mas a da construção coletiva de um rumo claro, exigente e mobilizador. Um rumo que assente no conhecimento, na ciência, na inovação e em instituições que funcionem de forma meritocrática e previsível – a começar pelo próprio Estado, a precisar de uma reforma profunda –, criando incentivos para que o talento floresça e se traduza em valor económico e social.

Se quisermos um Estado social mais forte, capaz de dar respostas eficazes em áreas como a saúde, a educação, a habitação ou a justiça, precisamos inevitavelmente de uma economia mais robusta, mais produtiva e mais inovadora. Não há atalhos nem metáforas que substituam esse facto elementar.

Crescer não é “deixar andar”, mas também não é correr sem direção ou em todas as direções. Sem um rumo claro, calendarizado e monitorizável, a energia coletiva dispersa-se, os esforços anulam-se e o país arrisca-se a perder mais uma década. A história recente mostra que tempo perdido em matéria de crescimento e convergência dificilmente é recuperado.

Se quisermos um Estado social mais forte, capaz de dar respostas eficazes em áreas como a saúde, a educação, a habitação ou a justiça, precisamos inevitavelmente de uma economia mais robusta, mais produtiva e mais inovadora. Não há atalhos nem metáforas que substituam esse facto elementar.

O desafio é, pois, menos retórico e mais substantivo: transformar ambições em metas, metas em políticas coerentes e políticas em resultados avaliáveis. Fazer do progresso técnico e da inovação não apenas palavras do discurso político, mas o verdadeiro eixo estruturante da estratégia económica do país.

A inspiração certa para o novo ano não é messiânica nem providencial. É exigente, racional e coletiva. E passa por assumir, sem ilusões, que o crescimento sustentável e inclusivo se constrói com escolhas difíceis, instituições fortes e políticas à altura do desígnio nacional que se proclama.

O desígnio nacional mobilizador que proponho para Portugal é entrar no espaço de uma década na metade de países mais ricos da atual UE mediante reformas profundas em várias áreas – com indicadores de progresso facilmente monitorizáveis pelos portugueses – que permitam à economia crescer significativamente acima da UE (1,4 p.p. ou mais).

O estudo sobre reformas estruturais encomendado pela Associação Comercial do Porto à FEP irá, estou em crer, apontar caminhos importantes para que possamos cumprir esse desígnio, assim sejam seguidos.