{"id":995,"date":"2010-12-23T00:00:00","date_gmt":"2010-12-23T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=995"},"modified":"2015-12-04T19:19:21","modified_gmt":"2015-12-04T19:19:21","slug":"conflitos-de-interesses-e-sistemas-de-incentivos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=995","title":{"rendered":"Conflitos de interesses e sistemas de incentivos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Fernando Costa Lima, <span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Vis\u00e3o on line<\/strong><\/span><\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/aeiou.visao.pt\/conflitos-de-interesses-e-sistemas-de-incentivos=f583628\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/VisaoE101.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>Na minha primeira cr\u00f3nica publicada aqui em 24 de Dezembro de 2008, eu dizia a dado passo que \"\u2026na ess\u00eancia dos problemas est\u00e1 quase sempre a exist\u00eancia de conflitos de interesses mal resolvidos e acima de tudo, a maioria das vezes, mal acompanhados, mal controlados, mal vigiados.\"<!--more--><br \/>\nRetomo o tema dos conflitos de interesses a prop\u00f3sito de uma not\u00edcia publicada no Washington Post online a 13 de Abril do corrente ano e que referia que, na sequ\u00eancia de um relat\u00f3rio produzido pelo Senado dos Estados Unidos, o Washington Mutual, o maior banco americano a ir \u00e0 fal\u00eancia na hist\u00f3ria banc\u00e1ria americana, tinha um sistema de incentivos que recompensava os funcion\u00e1rios do banco pela quantidade e rapidez com que fechavam com os clientes empr\u00e9stimos hipotec\u00e1rios do tipo subprime.<br \/>\nO mesmo relat\u00f3rio referia que os funcion\u00e1rios mais \"produtivos\" (que aprovavam empr\u00e9stimos ou os \"empacotavam\" em valores mobili\u00e1rios para colocar no mercado) eram candidatos a pertencer ao President\u00b4s Club do banco, com viagens a resorts de luxo.<br \/>\nA identifica\u00e7\u00e3o, o controlo e o acompanhamento dos conflitos de interesses pelas institui\u00e7\u00f5es financeiras tem j\u00e1 hoje alguma legisla\u00e7\u00e3o em vigor, obrigando-as a ter pol\u00edticas e pr\u00e1ticas tendentes a evitar preju\u00edzos para os seus clientes decorrentes da exist\u00eancia de conflitos de interesses. \u00c9 o caso, por exemplo, da subsec\u00e7\u00e3o do C\u00f3digo dos Valores Mobili\u00e1rios intitulada \"Conflitos de interesses e realiza\u00e7\u00e3o de opera\u00e7\u00f5es pessoais\", nos seus artigos 309.\u00ba a 309.\u00ba-F.<br \/>\nOu ainda as recomenda\u00e7\u00f5es emitidas por muitos reguladores sobre essa mat\u00e9ria, como por exemplo a carta enviada j\u00e1 em 2005 a todos os CEOs das institui\u00e7\u00f5es tuteladas e supervisionadas pela Financial Services Authority (FSA) e cujo assunto era \"SENIOR MANAGEMENT RESPONSIBILITIES: CONFLICTS OF INTEREST AND NON-STANDARD TRANSACTIONS\". Nesta missiva dirigida aos mais altos respons\u00e1veis das institui\u00e7\u00f5es a FSA refere que \u00e9 da responsabilidade da gest\u00e3o de topo implementar directrizes e procedimentos para gerir os conflitos eficazmente.<br \/>\nRegras e recomenda\u00e7\u00f5es como as indicadas s\u00e3o muito \u00fateis para, nas opera\u00e7\u00f5es do dia a dia, os colaboradores das institui\u00e7\u00f5es financeiras colocarem sempre os interesses dos clientes acima dos da institui\u00e7\u00e3o ou at\u00e9 mesmo dos seus pr\u00f3prios interesses pessoais.<br \/>\nO caso do Washington Mutual (e muitos outros exemplos parecidos que levaram \u00e0 chamada crise do subprime, com as consequ\u00eancias que todos conhecemos e sentimos) veio no entanto levantar a quest\u00e3o de saber como identificar e acompanhar os conflitos de interesses quando os mesmos s\u00e3o introduzidos e amplificados nas institui\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s dos sistemas de incentivos postos em funcionamento pela gest\u00e3o das empresas e que apelam a maioria das vezes \u00e0 gan\u00e2ncia pura e simples dos colaboradores.<br \/>\n\u00c9 aqui que devem entrar os reguladores; n\u00e3o atrav\u00e9s da elabora\u00e7\u00e3o e publica\u00e7\u00e3o de novos regulamentos e regras, mas atrav\u00e9s de uma fiscaliza\u00e7\u00e3o \"de proximidade\" junto das institui\u00e7\u00f5es financeiras. Cada vez estou mais convencido que a fiscaliza\u00e7\u00e3o e supervis\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es financeiras passa por uma pr\u00e1tica constante, regular e devidamente planeada de \"conversas\" dos reguladores com a gest\u00e3o de topo, a gest\u00e3o interm\u00e9dia, os auditores, os accionistas dessas institui\u00e7\u00f5es.<br \/>\nRever e acompanhar os sistemas de incentivos, expl\u00edcitos e impl\u00edcitos, postos em funcionamento nas institui\u00e7\u00f5es financeiros \u00e9 o primeiro passo a dar pelos reguladores para detectar potenciais situa\u00e7\u00f5es de conflitos de interesses no sistema financeiro que se podem tornar explosivas ao ponto de terem consequ\u00eancias desastrosas como as recentemente verificadas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fernando Costa Lima, Vis\u00e3o on line, Na minha primeira cr\u00f3nica publicada aqui em 24 de Dezembro de 2008, eu dizia a dado passo que &#8220;\u2026na ess\u00eancia dos problemas est\u00e1 quase sempre a exist\u00eancia de conflitos de interesses mal resolvidos e acima de tudo, a maioria das vezes, mal acompanhados, mal controlados, mal vigiados.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,123],"tags":[],"class_list":["post-995","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-visao-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/995","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=995"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/995\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8290,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/995\/revisions\/8290"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=995"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=995"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=995"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}