{"id":9877,"date":"2014-09-26T07:27:41","date_gmt":"2014-09-26T07:27:41","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=9877"},"modified":"2015-12-04T19:07:27","modified_gmt":"2015-12-04T19:07:27","slug":"um-copo-com-agua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=9877","title":{"rendered":"Um copo com \u00e1gua"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Ant\u00f3nio Jo\u00e3o Maia, Jornal i<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a title=\"Um copo com \u00e1gua\" href=\"http:\/\/www.ionline.pt\/iopiniao\/copo-agua\/pag\/-1\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19 size-full\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a title=\"Um copo com \u00e1gua\" href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/I-093.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro pdf\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><b style=\"color: #000000;\"><\/b><\/a><\/p>\n<div class=\"field field-name-field-deck field-type-text field-label-hidden\">\n<div class=\"field field-name-field-deck field-type-text field-label-hidden\">\n<div class=\"field-items\">\n<div class=\"field-item even\">O importante deixou de ser a pessoa do cliente, mas o valor do que consome<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/I-089.pdf\" target=\"_blank\"><span style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\"><!--more--><\/span><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e1 dias combinei encontrar-me com dois amigos que j\u00e1 n\u00e3o via h\u00e1 algum tempo para, numa pastelaria do centro de Lisboa e ao final da tarde, pormos a conversa em dia e tomarmos um caf\u00e9.<\/p>\n<p>Acabei por me encontrar com um deles junto das imedia\u00e7\u00f5es da dita pastelaria e, depois de entrarmos, vimos que a nossa amiga j\u00e1 nos esperava sentada numa mesa, a tomar um ch\u00e1. Enquanto nos cumpriment\u00e1vamos todos, o empregado que servia as mesas abeirou-se de n\u00f3s para saber o que pretend\u00edamos tomar. Pedimos ambos uma empada e um caf\u00e9, a que eu adicionei \u201ce um copo com \u00e1gua\u201d.<\/p>\n<p>Instantes depois, enquanto convers\u00e1vamos, o mesmo empregado trouxe-nos as empadas e os caf\u00e9s e, quando j\u00e1 virava costas, eu disse-lhe \u201cdesculpe senhor, mas esqueceu-se do meu copo com \u00e1gua\u201d, ao que, de imediato, a nossa amiga que tomava o seu ch\u00e1 disse tamb\u00e9m \u201cj\u00e1 agora traga tamb\u00e9m o meu, que lhe pedi h\u00e1 pouco\u201d. Pouco depois t\u00ednhamos os dois copos com \u00e1gua na nossa mesa.<\/p>\n<p>Estivemos depois ali os tr\u00eas a conversar, talvez mais de uma hora e, como ser\u00e1 bom de ver, nenhum de n\u00f3s fez qualquer coment\u00e1rio sobre os copos com \u00e1gua, at\u00e9 porque naquele momento t\u00ednhamos temas de conversa para desembrulhar bem mais interessantes do que qualquer copo com \u00e1gua.<\/p>\n<p>Mais tarde, quando regressava a casa, acabei por rever a cena e refletir, de mim para mim, sobre ela. Constatei ent\u00e3o que esta n\u00e3o tinha sido a primeira nem a segunda vez \u2013 e provavelmente n\u00e3o ser\u00e1 a \u00faltima \u2013 em que o esquecimento do \u201ccopo com \u00e1gua\u201d tinha sucedido. E n\u00e3o estou a referir-me \u00e0 mesma pastelaria. A cena me j\u00e1 aconteceu em diversas pastelarias e caf\u00e9s, mesmo noutras cidades.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se o leitor tem a mesma experi\u00eancia ou sequer se repara nestas insignific\u00e2ncias. De todo o modo parecem-me ser mais do que meras coincid\u00eancias. Em meu entender elas traduzem uma quest\u00e3o de atitude \u2013 o importante deixou de ser a pessoa do cliente, mas o valor do que consome\u2026<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que as pastelarias centrais das cidades costumam ter uma movimenta\u00e7\u00e3o consider\u00e1vel de pessoas, muitas vezes apressadas, para tomar um simples caf\u00e9 de fugida, o que torna o trabalho dos empregados numa verdadeira correria. E, neste contexto, \u00e9 perfeitamente aceit\u00e1vel e at\u00e9 admiss\u00edvel que possam esquecer algum dos nossos pedidos. Por\u00e9m n\u00e3o \u00e9 menos verdade que em regra n\u00e3o se esquecem de muito mais coisas do que o tal copo com \u00e1gua. Seria interessante que um dia trouxessem o copo com \u00e1gua mas esquecessem o resto \u2013 o caf\u00e9 e o salgado\u2026<\/p>\n<p>\u00c9 que, e este \u00e9 o ponto central que quero focar, o copo com \u00e1gua n\u00e3o tem nenhum valor monet\u00e1rio associado. Ele custa zero ao cliente e traduz a entrada de zero na linha das receitas. E os estabelecimentos est\u00e3o ali para gerar rendimentos a quem os det\u00e9m \u2013 o investidor \u2013 e para suportar os sal\u00e1rios dos que neles trabalham. Percebo perfeitamente que \u00e9 assim que o mundo funciona e que tudo fora disto seja pura fic\u00e7\u00e3o ou sonho. Mas, como dizia na \u00faltima cr\u00f3nica que partilhei neste espa\u00e7o em 22 de agosto \u2013 o elo perdido \u2013, a economia e as regras de mercado n\u00e3o podem funcionar s\u00f3 focadas no lucro. Elas existem essencialmente para servir as pessoas. Foi esse o fundamento do seu aparecimento e n\u00e3o podemos deixar que a deia do lucro o subverta, ou sequer que o coloque em segundo plano, sob pena de, no limite, recusarmos dar um simples copo de \u00e1gua a algu\u00e9m que n\u00e3o tenha dinheiro para adquirir qualquer coisa para comer\u2026<\/p>\n<p>As pessoas e a dignidade humana devem continuar a ser e a estar no centro do jogo da vida em sociedade\u2026<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Jo\u00e3o Maia, Jornal i O importante deixou de ser a pessoa do cliente, mas o valor do que consome<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,124],"tags":[],"class_list":["post-9877","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-i"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9877","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=9877"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9877\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11140,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9877\/revisions\/11140"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=9877"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=9877"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=9877"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}