{"id":979,"date":"2010-09-02T00:00:00","date_gmt":"2010-09-02T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=979"},"modified":"2015-12-04T19:19:25","modified_gmt":"2015-12-04T19:19:25","slug":"fraude-social-ou-indicios-avulsos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=979","title":{"rendered":"Fraude social, ou ind\u00edcios avulsos?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, <\/strong><\/span><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Vis\u00e3o on line<\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/aeiou.visao.pt\/fraude-social-ou-indicios-avulsos=f570875\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/VisaoE085.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>Dos contactos que vou tendo com pessoas mais directamente ligadas \u00e0 actividade empresarial, mas tamb\u00e9m do que leio e ou\u00e7o nos media, vai tomando forma um conjunto de ind\u00edcios que t\u00eam a particularidade de apontarem num mesmo sentido: apesar da elevada e crescente taxa de desemprego em Portugal, h\u00e1 empresas que se defrontam com dificuldades em suprirem as suas necessidades de m\u00e3o-de-obra.<!--more--><br \/>\nFace a este tipo de situa\u00e7\u00e3o, geralmente contraponho, a quem delas me faz eco, que talvez os postos de trabalho a preencher n\u00e3o tenham sido publicitados devidamente. Aquilo que me garantem \u00e9 que, para al\u00e9m da publicita\u00e7\u00e3o nos meios de comunica\u00e7\u00e3o habituais, tais postos ainda s\u00e3o publicitados, formalmente, junto do Instituto de Emprego. Mais, que quando este consegue enviar alguns potenciais candidatos, e eles iniciam o trabalho \u2013 o que nem sempre acontece \u2013, uma boa parte acaba por desistir ao fim de muito pouco tempo, invocando as raz\u00f5es mais variadas, pedindo apenas que a empresa lhes carimbe o boletim que ter\u00e3o de entregar no Instituto para poderem continuar a usufruir do apoio social.<br \/>\nQuando, actuando quase como advogado do diabo, eu insisto que possivelmente as empresas necessitam de oper\u00e1rios muito especializados ou que oferecem os postos de trabalho por per\u00edodos muito curtos, na generalidade dos casos as respostas que obtenho \u00e9 que n\u00e3o se trata de uma coisa nem da outra: empregos indiferenciados n\u00e3o t\u00eam melhor sorte do que os especializados, e nem a oferta de um contrato de trabalho sem termo \u00e9 garantia de se ser mais bem sucedido. Em suma, aquilo que sustentam \u00e9 que os desempregados n\u00e3o querem trabalhar.<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 preciso ser-se investigador para ter consci\u00eancia do erro em que se pode incorrer quando, a partir de um conjunto limitado de observa\u00e7\u00f5es (uma pequena amostra), se faz uma generaliza\u00e7\u00e3o para a popula\u00e7\u00e3o. Opto, pois, por n\u00e3o generalizar. Prefiro pensar que tive sorte (ou azar) em me defrontar com um punhado de situa\u00e7\u00f5es que apontam genericamente num determinado sentido, e que essas situa\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o necessariamente representativas do universo das cerca de 600 000 pessoas actualmente desempregadas em Portugal.<br \/>\nPor\u00e9m, julgo que estes \u201cboatos\u201d (vou consider\u00e1-los assim) deveriam ser objecto de an\u00e1lise pelos poderes p\u00fablicos, quanto aos seus reais fundamentos e com o intuito de se procurar perceber o que realmente se est\u00e1 a passar a este n\u00edvel. Seria, inclusive, uma forma de proteger os pr\u00f3prios desempregados de uma imagem (negativa) que deles se vai criando na sociedade.<br \/>\nIndependentemente do que se viesse a apurar, julgo que \u00e9 tempo de se repensarem as presta\u00e7\u00f5es sociais, o \u201csubs\u00eddio de desemprego\u201d em particular. Com efeito, o trabalho tem uma fun\u00e7\u00e3o social e pessoal que vai muito para al\u00e9m de ser a fonte de rendimento que permite a cada um possuir uma vida digna. Por isso, a dimens\u00e3o abrangente do trabalho deveria ser tomada em considera\u00e7\u00e3o quando se procura apoiar o desempregado. Actualmente, aquilo que se faz \u00e9 dar a este um determinado montante monet\u00e1rio para suprir, em parte, a perda de rendimento que ocorreu com o fim do seu contrato de trabalho. Ou seja, esquece-se que existe uma outra dimens\u00e3o do trabalho, aquela que nos faz levantar da cama em cada manh\u00e3, que nos faz partir para mais um dia de luta, que nos faz sentir vivos e \u00fateis. Sou de opini\u00e3o, pois, que se devia rever o sistema de apoio aos desempregados de modo a procurar incluir esta outra dimens\u00e3o.<br \/>\nPelo menos em abstracto, n\u00e3o parece que fosse muito dif\u00edcil. O sujeito que se visse desempregado receberia um pacote de apoio com uma dupla vertente: a monet\u00e1ria, como actualmente, para que pudesse suprir as suas necessidades b\u00e1sicas; a da \u201cestabilidade emocional\u201d (chamemos-lhe assim), por via da obriga\u00e7\u00e3o de prestar uma pequena contrapartida de trabalho social \u2013 ou, em alternativa, fazer forma\u00e7\u00e3o profissional \u2013, que, sem lhe retirar o tempo necess\u00e1rio para procurar alternativas de emprego, lhe transmitiria a certeza de que continuava a ser \u00fatil \u00e0 sociedade.<br \/>\nUma solu\u00e7\u00e3o deste tipo, que pode ser considerada \u201cpoliticamente incorrecta\u201d, tenderia a ser mais saud\u00e1vel para ambas as partes \u2013 a sociedade e o sujeito \u2013 e mais equilibrada do que a mera diminui\u00e7\u00e3o da componente monet\u00e1ria que, actualmente, vem sendo defendida como a solu\u00e7\u00e3o capaz de levar o desempregado de volta ao mercado de trabalho no mais curto espa\u00e7o de tempo.<br \/>\nAl\u00e9m disso, cortaria cerce a possibilidade de cada um de n\u00f3s, empregados, cair na tenta\u00e7\u00e3o de inferir, a partir de ind\u00edcios como os que acima referi, que os desempregados protelam o retorno \u00e0 vida activa enquanto n\u00e3o esgotam o per\u00edodo de atribui\u00e7\u00e3o do respectivo \u201csubs\u00eddio de desemprego\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, Vis\u00e3o on line, Dos contactos que vou tendo com pessoas mais directamente ligadas \u00e0 actividade empresarial, mas tamb\u00e9m do que leio e ou\u00e7o nos media, vai tomando forma um conjunto de ind\u00edcios que t\u00eam a particularidade de apontarem num mesmo sentido: apesar da elevada e crescente taxa de desemprego em Portugal, h\u00e1&hellip; <a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=979\">Ler mais&#8230;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,123],"tags":[],"class_list":["post-979","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-visao-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/979","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=979"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/979\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8258,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/979\/revisions\/8258"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=979"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=979"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=979"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}