{"id":976,"date":"2010-08-12T00:00:00","date_gmt":"2010-08-12T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=976"},"modified":"2015-12-04T19:19:25","modified_gmt":"2015-12-04T19:19:25","slug":"como-medir-a-economia-sombra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=976","title":{"rendered":"Como medir a Economia Sombra?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Oscar Afonso, <span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Vis\u00e3o on line<\/strong><\/span><\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/aeiou.visao.pt\/como-medir-a-economia-sombra=f568757\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/VisaoE082.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>Como \u00e9 do conhecimento geral, a Economia Sombra ou N\u00e3o Registada (ENR) \u00e9 um fen\u00f3meno complexo e nem sempre directamente observado. \u00c9, por isso, de dif\u00edcil medi\u00e7\u00e3o. Tentativas de estima\u00e7\u00e3o directa do seu tamanho s\u00e3o feitas atrav\u00e9s de inqu\u00e9ritos estat\u00edsticos \u00e0s fam\u00edlias, auditorias \u00e0 contabilidade de empresas, confronto entre inqu\u00e9ritos referentes \u00e0s receitas e despesas das fam\u00edlias, an\u00e1lise das declara\u00e7\u00f5es de rendimentos e sinais exteriores de riqueza. Por\u00e9m, a precis\u00e3o dos resultados depende da forma como o question\u00e1rio ou investiga\u00e7\u00e3o \u00e9 feita e da coopera\u00e7\u00e3o dos inquiridos, cujo comportamento poder\u00e1 ser o de n\u00e3o confessar e ocultar a sua participa\u00e7\u00e3o em pr\u00e1ticas ilegais ou fraudulentas.<!--more--><br \/>\nComo medir ent\u00e3o o \"invis\u00edvel\"?<br \/>\nEm 2002, a OCDE distinguiu tr\u00eas grupos de m\u00e9todos estat\u00edsticos e econom\u00e9tricos capazes de medir esse \"invis\u00edvel\": m\u00e9todos monet\u00e1rios, de indicador global e de vari\u00e1vel latente. Nesta cr\u00f3nica descreve-se apenas a intui\u00e7\u00e3o de cada um, enfatizando as vantagens e desvantagens associadas.<br \/>\nOs m\u00e9todos monet\u00e1rios estabelecem rela\u00e7\u00f5es entre o Produto Interno Bruto (PIB) oficial e vari\u00e1reis monet\u00e1rias, e assumem que comportamentos destas vari\u00e1veis \u00e0 margem dessas rela\u00e7\u00f5es s\u00e3o motivados pela ENR. Entre estes m\u00e9todos h\u00e1 sobretudo tr\u00eas abordagens distintas: das transac\u00e7\u00f5es, do r\u00e1cio moeda\/dep\u00f3sito e da procura de moeda.<br \/>\nA abordagem das transac\u00e7\u00f5es foi desenvolvida no final dos anos 70 por Feige e baseia-se na rela\u00e7\u00e3o constante entre as transac\u00e7\u00f5es de moeda e o PIB oficial. Por\u00e9m, existem transac\u00e7\u00f5es de moeda que n\u00e3o est\u00e3o relacionadas com a gera\u00e7\u00e3o de rendimento e s\u00e3o inclu\u00eddas nos c\u00e1lculos. Al\u00e9m disso, considera que a ENR no ano base \u00e9 nula ou que assume um determinado valor (ad-hoc!?).<br \/>\nA abordagem do r\u00e1cio moeda\/dep\u00f3sitos foi tamb\u00e9m inicialmente utilizada no final dos anos 70 por Gutmann. De acordo com este autor, o aumento relativo da moeda em circula\u00e7\u00e3o no per\u00edodo p\u00f3s-Segunda Guerra Mundial estaria associado ao crescimento da ENR. Haver\u00e1, contudo, outras causas para o aumento relativo da moeda em circula\u00e7\u00e3o pelo que, como esperado, a conclus\u00e3o de Gutmann n\u00e3o \u00e9 un\u00e2nime na literatura.<br \/>\nA terceira abordagem, proposta no in\u00edcio dos anos 80 por Tanzi, relaciona a dimens\u00e3o da ENR com a procura de moeda. A cr\u00edtica resulta do facto de nem todas as transac\u00e7\u00f5es na ENR serem pagas em moeda.<br \/>\nOs m\u00e9todos monet\u00e1rios s\u00e3o geralmente considerados como pouco fi\u00e1veis para medir a ENR, porque se baseiam em pressupostos que n\u00e3o podem ser justificados, porque os resultados s\u00e3o sens\u00edveis aos pressupostos do ano base e porque apresentam resultados diversos nas diferentes abordagens.<br \/>\nPara medir a actividade econ\u00f3mica total de uma economia, em meados dos anos 90, Kaufmann e Kaliberda propuseram o m\u00e9todo do consumo de electricidade, sendo este o exemplo da abordagem mais proeminente para um indicador global. Este modelo assume uma rela\u00e7\u00e3o precisa e est\u00e1vel entre consumo de electricidade e o PIB global de uma economia, sendo o consumo de electricidade o indicador f\u00edsico de toda a actividade econ\u00f3mica. Comparando o PIB oficial com uma aproxima\u00e7\u00e3o do PIB global da economia, obt\u00e9m-se uma estimativa da ENR. Em particular, este m\u00e9todo sofre das seguintes cr\u00edticas: nem todas actividades da ENR necessitam de um montante consider\u00e1vel de electricidade, outras fontes de energia podem ser usadas, em certas actividades a rela\u00e7\u00e3o consumo de electricidade e PIB n\u00e3o \u00e9 est\u00e1vel e, face ao progresso tecnol\u00f3gico, o uso de electricidade \u00e9 cada vez mais eficiente.<br \/>\nOs modelos descritos assumem pois que a ENR pode ser modelada por um pequeno n\u00famero de vari\u00e1veis espec\u00edficas, ignorando circunst\u00e2ncias e informa\u00e7\u00e3o que levam \u00e0 sua exist\u00eancia. Com base na teoria estat\u00edstica de vari\u00e1veis n\u00e3o observadas, o m\u00e9todo de vari\u00e1vel latente introduzido, na d\u00e9cada de 80, por Frey e Weck-Hanneman considera m\u00faltiplas causas e m\u00faltiplos indicadores da ENR.<br \/>\nA dimens\u00e3o da ENR \u00e9 neste caso estimada tendo por base desenvolvimentos nas vari\u00e1veis que, por um lado, afectam o tamanho e o crescimento do produto da ENR e, por outro lado, s\u00e3o o rasto das actividades da ENR na economia oficial. Este m\u00e9todo usa uma t\u00e9cnica que permite uma an\u00e1lise transversal da rela\u00e7\u00e3o entre uma vari\u00e1vel dependente n\u00e3o observada e uma ou mais vari\u00e1veis independentes observadas. Como a vari\u00e1vel n\u00e3o observada n\u00e3o \u00e9 conhecida, \u00e9 substitu\u00edda por um conjunto de indicadores.<br \/>\nFrey e Weck-Hanneman, por exemplo, come\u00e7aram por definir como vari\u00e1veis explicativas da dimens\u00e3o da ENR a actual carga de impostos, a percep\u00e7\u00e3o da carga de impostos, a taxa de desemprego, a burocracia, a atitude dos agentes econ\u00f3micos face ao pagamento dos impostos e o rendimento dispon\u00edvel per capita. Quanto ao rasto das actividades da ENR na economia oficial, definiram como indicadores a taxa de participa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o masculina na for\u00e7a de trabalho, o n\u00famero de horas trabalhadas por semana e o crescimento do PIB.<br \/>\nEste m\u00e9todo tem sido sobretudo criticado pelas vari\u00e1veis explicativas escolhidas, pela dificuldade em quantificar determinadas vari\u00e1veis (como, por exemplo, a atitude dos agentes econ\u00f3micos face ao pagamento dos impostos) e pela instabilidade dos resultados.<br \/>\nEm suma, cada metodologia tem pontos fortes e fracos n\u00e3o havendo uma capaz de assegurar com exactid\u00e3o a medi\u00e7\u00e3o da ENR. Por conseguinte, no \u00e2mbito da investiga\u00e7\u00e3o em Economia, n\u00e3o deixa de ser motivador e premente o desenvolvimento de uma nova metodologia capaz de ultrapassar as lacunas existentes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Oscar Afonso, Vis\u00e3o on line, Como \u00e9 do conhecimento geral, a Economia Sombra ou N\u00e3o Registada (ENR) \u00e9 um fen\u00f3meno complexo e nem sempre directamente observado. \u00c9, por isso, de dif\u00edcil medi\u00e7\u00e3o. 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