{"id":972,"date":"2010-07-15T00:00:00","date_gmt":"2010-07-15T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=972"},"modified":"2015-12-04T19:19:26","modified_gmt":"2015-12-04T19:19:26","slug":"ousar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=972","title":{"rendered":"Ousar"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Paulo Vasconcelos, <span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Vis\u00e3o on line<\/strong><\/span><\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/aeiou.visao.pt\/ousar=f566038\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/VisaoE078.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>1. Ousar questionar \u00e9 fundamental. Como disse Ionesco, \"N\u00e3o \u00e9 a resposta que nos ilumina, mas sim a pergunta\". Esta cr\u00f3nica n\u00e3o pretende atingir ningu\u00e9m em particular, nem a quem governa nem a quem procura governar. Ou se calhar serve para atacar todos, eu inclu\u00eddo \u2026 A cr\u00f3nica \u00e9 tamb\u00e9m um elencar t\u00edmido mas contido de assuntos dispersos, reveladores da incoer\u00eancia dos decisores e das decis\u00f5es. Enfim, n\u00f3s que criamos a sociedade, criamos teias para nos tecer atando-nos de m\u00e3os e bra\u00e7os. \u00c9 simples, que a sociedade premeie os bons e reabilite e acompanhe os mais fracos, mas exigindo de todos.<!--more--><br \/>\n2. O Estado quer controlar uma empresa que foi sua, repito que foi sua, ap\u00f3s ter alienado a maioria da sua participa\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s de um instrumento dourado artificialmente criado e que lhe permite o melhor de dois mundos: receber o proveito da venda e manter o controlo daquilo que j\u00e1 n\u00e3o tem. Assim n\u00e3o vamos l\u00e1. Se determinada empresa \u00e9 estrat\u00e9gica para o pa\u00eds, ent\u00e3o deve o estado manter real controlo sobre ela. N\u00e3o se pode pedir a investidores que se preocupem com o interesse do pa\u00eds! N\u00e3o \u00e9 esse o seu papel. Algo est\u00e1 profundamente errado. Pior, o problema perpetua-se, estando j\u00e1 na calha a venda de outras empresas p\u00fablicas. Que mecanismo ser\u00e1 inventado agora? Qual a cor que o ir\u00e1 caracterizar? Isto \u00e9 como um v\u00edrus que se dissemina silenciosamente. Portugal n\u00e3o \u00e9 caso \u00fanico e n\u00e3o est\u00e1 aqui uma cr\u00edtica \u00e0s leis de mercado que nos governam. Est\u00e1 aqui sim uma cr\u00edtica \u00e0 pr\u00e1tica de se tentar introduzir estratagemas, leis, contra-leis, instrumentos m\u00e1gicos e coloridos impregnados de engenharia financeira para torcer a l\u00f3gica das coisas. No mercado os investidores est\u00e3o para garantir o seu dinheiro e para o fazerem crescer. As empresas existem para criar riqueza e os seus administradores para propiciarem aos accionistas o maior retorno poss\u00edvel. Ao estado importa zelar pela soberania do seu territ\u00f3rio e pelos seus cidad\u00e3os. Se o Estado precisa de dinheiro, se o estado est\u00e1 grande e gordo, ent\u00e3o que se liberte dos excessos, que venda aquilo que n\u00e3o \u00e9 estrat\u00e9gico para o pa\u00eds. Se n\u00e3o chega, ent\u00e3o n\u00e3o se diga que \u00e9 gordo e que se aceite perder capacidade de influenciar decis\u00f5es eventualmente estrat\u00e9gicas para o pa\u00eds. V\u00e3o-se os an\u00e9is, ficam os dedos.<br \/>\n3. Falemos agora um pouco das SCUT, estradas Sem Custo para os Utilizadores. Aqui a ideia baseia-se no pressuposto abusivo de que os pa\u00edses ir\u00e3o sempre registar taxas de crescimento da sua produtividade; assim, como precisamos de estradas hoje, fa\u00e7amo-las e adiamos o seu pagamento para as \"calendas\". Claro que numa economia que cresce sempre, os custos de constru\u00e7\u00e3o, explora\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o s\u00e3o totalmente suportados pelo contribuinte, Bom, penso que todos assumem que estas decis\u00f5es n\u00e3o ter\u00e3o sido as mais felizes. A mesma pr\u00e1tica tem o cidad\u00e3o comum que pede empr\u00e9stimo para fazer f\u00e9rias, para trocar o seu carro com apenas 2 anos, ou para adquirir o \u00faltimo grito em tecnologia 3D (na verdade uma s\u00f3 n\u00e3o, uma para a sala e duas mais pequenas para os quartos). Todos erramos. Quando se erra, aprende-se e n\u00e3o se comete o mesmo erro duas vezes. Mas n\u00e3o, vamos transformar as SCUT em CCUT (Com Custo para os Utilizadores); pior ainda, n\u00e3o transformamos todas, transformamos apenas algumas. Que \"lata\" a de alguns autarcas quando defenderem que a \"sua\" SCUT deve continuar SCUT, quando se mantiveram calados perante a passagem de SCUT a CCUT em outras zonas do pa\u00eds. Bravo, \"ou comem todos ou h\u00e1 moralidade\". Afinal, parece que comem todos. Agora vamos ter as CCSUP (Com Custo Selectivo para os Utilizadores)\u2026 Houveram pessoas e empresas que se deslocalizaram, que se instalaram em zonas mais desfavorecidas pela exist\u00eancia destas estradas. A altera\u00e7\u00e3o das regras a meio do processo \u00e9 destruidora da vida serena em sociedade.<br \/>\n4. As empresas atravessam as fronteiras, s\u00e3o mal geridas e desaparecem. E depois? Depois ouvem-se palavras ocas, \"isto \u00e9 caso de pol\u00edcia\", \"ser\u00e1 muito dif\u00edcil que algu\u00e9m venha a ser ressarcido \" e \u2026. Mas internamente, tamb\u00e9m estamos habituados a ver premiar os prevaricadores, e portanto a penalizar os cumpridores. \u00c0s empresas que n\u00e3o cumprem com as suas obriga\u00e7\u00f5es sociais e fiscais, \u00e9 perdoada parte da d\u00edvida e a restante paga em suaves presta\u00e7\u00f5es. As empresas que cumprem, essas sofrem entretanto a concorr\u00eancia desleal das que n\u00e3o pagam as suas obriga\u00e7\u00f5es, sendo algumas for\u00e7adas a cessar a sua actividade. O cidad\u00e3o cumpridor, que cria riqueza, que investe, que presta servi\u00e7os e que se entrega ao seu trabalho, esse tem de pagar taxa moderadora. Quem n\u00e3o quer contribuir para a sociedade tem isen\u00e7\u00e3o e liberdade de decidir se quer ser tratado ou n\u00e3o. Esclare\u00e7o o que quero dizer com o par\u00e1grafo anterior. A sociedade tem de ser solid\u00e1ria, e tem de ajudar quem n\u00e3o consegue contribuir. Mas h\u00e1 muitos que n\u00e3o querem contribuir e que usam toda a sua disponibilidade para o \u00f3cio, v\u00edcio e para engendrar mecanismos de enganar quem os ajuda. Gastam-se fortunas com doentes graves que d\u00e3o entrada, moribundos, nos hospitais p\u00fablicos e que ap\u00f3s algumas semanas de tratamento dispendioso e exigente para as equipas m\u00e9dicas e de enfermagem, abandonam o tratamento disseminando doen\u00e7as. Sim ao tratamento de todos sem excep\u00e7\u00e3o, mas com direito a tratamento compulsivo. Andamos a brincar \u00e0 sociedade.<br \/>\n5. Temos provedores para tudo e mais alguma coisa, n\u00e3o esquecendo os reguladores. Para qu\u00ea? Estamos desprotegidos e os mercados desregulados! Estamos desgovernados, por quem governa e por quem aspira a governar. Faltam decisores que pensem o mundo, os pa\u00edses e as sociedades. Falta cultura c\u00edvica aos cidad\u00e3os para saber exigir dos decisores decis\u00f5es pensadas, reflectivas e fracturantes. Falta sobretudo simplicidade e transpar\u00eancia de processos. As complica\u00e7\u00f5es s\u00f3 interessam a quem as cria.<br \/>\nOusemos questionar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paulo Vasconcelos, Vis\u00e3o on line, 1. Ousar questionar \u00e9 fundamental. Como disse Ionesco, &#8220;N\u00e3o \u00e9 a resposta que nos ilumina, mas sim a pergunta&#8221;. Esta cr\u00f3nica n\u00e3o pretende atingir ningu\u00e9m em particular, nem a quem governa nem a quem procura governar. 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