{"id":971,"date":"2010-07-08T00:00:00","date_gmt":"2010-07-08T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=971"},"modified":"2015-12-04T19:19:27","modified_gmt":"2015-12-04T19:19:27","slug":"fraude-interna-mitos-realidades-e-abordagens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=971","title":{"rendered":"Fraude Interna &#8211; Mitos, Realidades e Abordagens"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Pedro Santos Moura, <\/strong><\/span><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Vis\u00e3o on line<\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/aeiou.visao.pt\/fraude-interna-mitos-realidades-e-abordagens=f565468\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/VisaoE077.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>1. Mitos vs Realidade - Fraude Externa vs Fraude Interna<br \/>\nQuando se fala sobre fraude, entra-se num universo composto baseado em grande medida em opini\u00f5es pessoais e mitos generalizados. Com efeito, a dificuldade existente na qualifica\u00e7\u00e3o e quantifica\u00e7\u00e3o de comportamentos fraudulentos e respectivos impactos cobre todo este tema com um manto de n\u00e9voa e desconhecimento que impele a comportamentos baseados em pressupostos, impulsos e intui\u00e7\u00f5es.<!--more--><br \/>\nImpede-se assim a promo\u00e7\u00e3o de uma cultura e ac\u00e7\u00f5es mais racionais, baseadas numa abordagem de gest\u00e3o de risco, que progressiva, adaptativa e pragmaticamente saia dos campos do desconhecido, do medo e do palpite e trate o fen\u00f3meno da fraude como outra qualquer actividade de neg\u00f3cio: definindo uma estrat\u00e9gia, delineando e implementando planos e iniciativas, avaliando o seu resultado e, aprendendo com os resultados, adaptando e redefinindo todo este processo, num ciclo fechado e iterativo.<br \/>\nVoltando \u00e0 linha inicial de pensamento, um dos principais mitos relacionados com a fraude \u00e9 o de que ela \u00e9 sobretudo origin\u00e1ria em agentes externos \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es. Tal \u00e9 n\u00e3o s\u00f3 falso, como reflexo de uma cultura de auto-justifica\u00e7\u00e3o e inseguran\u00e7a relacionada com baixos graus de maturidade organizacional.<br \/>\nColocar as culpas num inimigo 'externo' \u00e9 uma forma tradicional de auto-defesa em temas controversos e com um elevado grau de desconhecimento.<br \/>\nSegundo o Global Economic Crime Survey de 2009 (1), relat\u00f3rio bianual elaborado desde 2003 pela PricewaterHouseCoopers (em 2009 com a participa\u00e7\u00e3o do INSEAD), as organiza\u00e7\u00f5es que reportaram casos de fraude indicaram que, contrariamente ao senso comum, 53% dos perpetuadores de fraude pertenciam \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o v\u00edtima, sendo 44% das fraudes cometidas por agentes externos.<br \/>\nEstes dados merecem uma reflex\u00e3o aprofundada sobre a natureza dos fen\u00f3menos de fraude, bem como sobre a respectiva estrat\u00e9gia de combate, dentro de uma perspectiva objectiva de diminui\u00e7\u00e3o das perdas associadas a este fen\u00f3meno. Centremo-nos, a partir destes dados, no fen\u00f3meno da 'Fraude Interna'.<br \/>\n2. Gest\u00e3o de Fraude<br \/>\nComo referido acima, o combate ao fen\u00f3meno da Fraude Interna deve seguir uma abordagem pragm\u00e1tica e racional, assente numa perspectiva de gest\u00e3o de risco.<br \/>\n\u00c9 essencial ter em linha de conta que um plano de mitiga\u00e7\u00e3o de Fraude Interna deve assentar na conjun\u00e7\u00e3o de tr\u00eas perspectivas:<br \/>\n\" Basear a estrat\u00e9gia no Combate ao 'Tri\u00e2ngulo de Fraude' (consultar o documento supracitado para mais informa\u00e7\u00f5es), nomeadamente mitigando as raz\u00f5es que possam levar ao aparecimento de Motivos para a pr\u00e1tica de fraude, assegurando que as Oportunidades para a pr\u00e1tica de fraude n\u00e3o surgem (levando a entidade fraudulenta a acreditar que ir\u00e1 ser apanhada, e que as recompensas potenciais do acto n\u00e3o compensam este risco) e diminuindo a possibilidade de Racionaliza\u00e7\u00e3o do acto cometido, promovendo uma cultura anti-fraude e estimulando a identifica\u00e7\u00e3o entre o indiv\u00edduo potencialmente fraudulento e a organiza\u00e7\u00e3o;<br \/>\n\" Adoptar uma Abordagem Iterativa para a planifica\u00e7\u00e3o de ac\u00e7\u00f5es e iniciativas composta pelos passos de Preven\u00e7\u00e3o (ex-ante), Detec\u00e7\u00e3o, Investiga\u00e7\u00e3o e San\u00e7\u00e3o (ex-post), com especial enfoque no primeiro destes passos (ou seja, prevenir a ocorr\u00eancia do fen\u00f3meno, por forma a n\u00e3o ter de se andar atr\u00e1s do preju\u00edzo ap\u00f3s o dano feito);<br \/>\n\" Implementar um conjunto de pol\u00edticas e controlos que conjugue gest\u00e3o cultural da organiza\u00e7\u00e3o com meios concretos de preven\u00e7\u00e3o, detec\u00e7\u00e3o e investiga\u00e7\u00e3o, recorrendo a Planos de \u00c9tica, Comunica\u00e7\u00e3o e Forma\u00e7\u00e3o, Pol\u00edticas de Combate a Fraude e Gest\u00e3o de Riscos, Auditorias Internas, Controlos e Mecanismos Inform\u00e1ticos de Detec\u00e7\u00e3o e Suporte a Investiga\u00e7\u00e3o e, de suma import\u00e2ncia, Avalia\u00e7\u00e3o de Impactos e Resultados.<br \/>\nTendo cada organiza\u00e7\u00e3o um ecossistema espec\u00edfico, espec\u00edfica ter\u00e1 de ser tamb\u00e9m a abordagem efectuada. No entanto os princ\u00edpios para a implementa\u00e7\u00e3o efectiva de um Programa de Gest\u00e3o de Fraude Interna s\u00e3o gerais. O conhecimento existente actualmente sobre estes fen\u00f3menos, bem como a gravidade da fraude para o bottom-line das organiza\u00e7\u00f5es, retiram todo e quaisquer argumentos para a n\u00e3o-ac\u00e7\u00e3o relativamente a este tema.<br \/>\nFala-se aqui de uma actividade humana que embora moralmente conden\u00e1vel, \u00e9 (e vai continuar a ser) uma realidade concreta e danosa, capaz de deitar abaixo a maior das organiza\u00e7\u00f5es, como se p\u00f4de verificar nos \u00faltimos tempos.<br \/>\nDiria, sem grande margem para d\u00favidas, mesmo que com alguma poss\u00edvel pol\u00e9mica associada, que o principal inimigo das organiza\u00e7\u00f5es no que toca a fraude s\u00e3o as elas pr\u00f3prias, ao negarem muitas vezes n\u00e3o s\u00f3 o impacto deste fen\u00f3meno, mas sobretudo a exist\u00eancia do pr\u00f3prio fen\u00f3meno. Assume maior gravidade este facto quando se trata da Fraude Interna, pelas raz\u00f5es acima descritas.<br \/>\n3. Meios e Iniciativas de Gest\u00e3o de Fraude - Alguns exemplos<br \/>\nConcluo esta cr\u00f3nica com alguns exemplos de meios e iniciativas concretas de gest\u00e3o de fen\u00f3menos de Fraude Interna.<br \/>\nEm primeiro lugar, a Cultura. A defini\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o a toda a organiza\u00e7\u00e3o de uma Pol\u00edtica de \u00c9tica (ou de Gest\u00e3o de Fraude) transmite um sinal forte a todos os colaboradores acerca da seriedade com que o tema da fraude est\u00e1 a ser abordado. Este sinal aumenta a capacidade da organiza\u00e7\u00e3o em diminuir a percep\u00e7\u00e3o das oportunidades para o cometimento de fraude, aumentando simultaneamente a coes\u00e3o social dos colaboradores em torno do tema, diminuindo consequentemente a facilidade de racionaliza\u00e7\u00e3o por parte dos perpetradores.<br \/>\nEm segundo lugar os Controlos, com especial enfoque na vertente de Detec\u00e7\u00e3o. Neste ponto cabem iniciativas como as Auditorias Internas, mas sobretudo as relacionadas com a an\u00e1lise da informa\u00e7\u00e3o transaccional gerada nas actividades de neg\u00f3cio. Motores de an\u00e1lise de transac\u00e7\u00f5es em tempo real (com base em regras de neg\u00f3cio e cruzamento de dados) e modelos estat\u00edsticos (Data Mining) de an\u00e1lise e detec\u00e7\u00e3o de fen\u00f3menos excepcionais em grandes volumes de informa\u00e7\u00e3o s\u00e3o dois dos tipos de m\u00e9todos mais utilizados para detec\u00e7\u00e3o de suspeitas de fraude. Para al\u00e9m destes controlos, \u00e9 tamb\u00e9m essencial que os mesmos sejam do conhecimento da organiza\u00e7\u00e3o, por forma a aumentar a percep\u00e7\u00e3o relativa \u00e0 exist\u00eancia destes mecanismos de controlo por parte dos colaboradores, diminuindo consequentemente a no\u00e7\u00e3o da possibilidade de efectuarem uma fraude que n\u00e3o seja detectada (oportunidade).<br \/>\nPor fim, para n\u00e3o alongar mais esta cr\u00f3nica, os meios de Investiga\u00e7\u00e3o de casos suspeitos. Numa perspectiva de gest\u00e3o de risco, mecanismos de detec\u00e7\u00e3o ou auditoria interna resultam na maior parte das vezes em casos suspeitos. O tema da fraude \u00e9 sens\u00edvel, e a sua gest\u00e3o tem de assentar numa base factual que empregue em todo o processo princ\u00edpios de transpar\u00eancia e justi\u00e7a no tratamento dos casos suspeitos. Uma organiza\u00e7\u00e3o que 'dispare primeiro e pergunte depois' corre o risco de ver todos os seus esfor\u00e7os de combate a fraude gorados, podendo-se facilmente transformar um bom clima organizacional num ambiente de desconfian\u00e7a e suspei\u00e7\u00e3o institucionalizados. Para evitar estes riscos os processos de investiga\u00e7\u00e3o t\u00eam de dispor de ferramentas e informa\u00e7\u00e3o que permitam tirar conclus\u00f5es justas, garantindo que, por exemplo, n\u00e3o se confunda um erro (algo normal, sem dolo) num crime (bem mais grave, assentando numa inten\u00e7\u00e3o clara de fraude). Para al\u00e9m de processos de inqu\u00e9rito qualitativos, os investigadores devem ter ao seu dispor toda a informa\u00e7\u00e3o de que necessitam para chegar a conclus\u00f5es. Esta informa\u00e7\u00e3o deve ser providenciada atrav\u00e9s de sistemas inform\u00e1ticos que permitam analisar discrep\u00e2ncias de informa\u00e7\u00e3o, contexto e especificidades das transac\u00e7\u00f5es suspeitas, rela\u00e7\u00f5es entre entidades (colaboradores, entidades externas, etc) e documenta\u00e7\u00e3o associada ao processo em investiga\u00e7\u00e3o. Estes dados residem geralmente nos sistemas de informa\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o, devendo ser implementados sistemas que integrem todos estes dados e os disponibilizem de forma acess\u00edvel e adequada aos investigadores.<br \/>\nAp\u00f3s estes exemplos, refor\u00e7o a mensagem que j\u00e1 transmiti acima: a Gest\u00e3o da Fraude deve ser encarada como mais um processo de neg\u00f3cio, seguindo os princ\u00edpios de racionalidade empresarial que devem subjazer todas as actividades de uma organiza\u00e7\u00e3o.<br \/>\n(1) Global Economic Crime Survey 2009, PricewaterHouseCoopers: http:\/\/www.pwc.com\/en_GX\/gx\/economic-crime-survey\/pdf\/global-economic-crime-survey-2009.pdf<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pedro Santos Moura, Vis\u00e3o on line, 1. Mitos vs Realidade &#8211; Fraude Externa vs Fraude Interna Quando se fala sobre fraude, entra-se num universo composto baseado em grande medida em opini\u00f5es pessoais e mitos generalizados. 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