{"id":969,"date":"2010-06-24T00:00:00","date_gmt":"2010-06-24T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=969"},"modified":"2015-12-04T19:19:27","modified_gmt":"2015-12-04T19:19:27","slug":"plagio-nas-tesesdissertacoes-e-entao-os-orientadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=969","title":{"rendered":"Pl\u00e1gio nas teses\/disserta\u00e7\u00f5es&#8230; e ent\u00e3o o(s) orientador(es)?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Aurora Teixeira, <span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Vis\u00e3o on line<\/strong><\/span><\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/aeiou.visao.pt\/plagio-nas-tesesdissertacoes-e-entao-os-orientadores=f563897\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/VisaoE075.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>Copy from one, it's plagiarism; copy from two, it's research. (John Milton, escritor ingl\u00eas, n.1608-m.1674, Iconoclastes, XXIII).\u00a0A university is what a college becomes when the faculty loses interest in the students. (John Ciardi, poeta e escritor norte-americano, n.1916 - m. 1986).\u00a0Recentemente (Abril 2010) mais um caso de alegado pl\u00e1gio num doutoramento veio a p\u00fablico. Diversos \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o debru\u00e7aram-se extensivamente sobre o caso, mais ou menos explicitamente identificando a sua autora, \u00e0 data, professora adjunta no Instituto Polit\u00e9cnico do Porto.<!--more--> N\u00e3o obstante o processo estar ainda em fase de averigua\u00e7\u00f5es (cujo resultado estava datado para finais de Maio 2010) na Universidade do Minho, institui\u00e7\u00e3o que conferiu o grau em Dezembro de 2009, a ent\u00e3o professora solicitou rescis\u00e3o de contrato com a entidade empregadora (de imediato aceite pelos \u00f3rg\u00e3o directivos da mesma) em Maio de 2010.<br \/>\nSempre que se ouve ou l\u00ea sobre o pl\u00e1gio fica-se com a n\u00edtida sensa\u00e7\u00e3o que quem plagia s\u00e3o apenas (e sobretudo) os estudantes. Poucas s\u00e3o as not\u00edcias sobre esta pr\u00e1tica entre professores. A inexist\u00eancia de not\u00edcias n\u00e3o significa, infelizmente, que o fen\u00f3meno seja raro, muito pelo contr\u00e1rio... O que a falta de not\u00edcias em parte reflecte s\u00e3o os 'costumes' da academia que funciona, em regra, de uma forma colegial, arcaica e opaca, com severas limita\u00e7\u00f5es ao n\u00edvel das pr\u00e1ticas de auto-regula\u00e7\u00e3o e auto-monitoriza\u00e7\u00e3o no que respeita aos comportamentos desonestos entre os seus membros.<br \/>\nN\u00e3o obstante considerar que pl\u00e1gio \u00e9, em si mesmo, um acto extremamente gravoso do ponto de vista acad\u00e9mico, independentemente de quem o pratica, not\u00edcias de pl\u00e1gio por parte de professores s\u00e3o, no m\u00ednimo, lastim\u00e1veis e vergonhosas, descredibilizando todos aqueles (e s\u00e3o muitos) que se esfor\u00e7am no seu dia-a-dia por transmitir e partilhar, de uma forma \u00e9tica e empenhada, os seus conhecimentos.<br \/>\nApesar de este (j\u00e1 longo) interl\u00fadio, o prop\u00f3sito deste artigo n\u00e3o era versar sobre qu\u00e3o danoso e gravoso \u00e9 o pl\u00e1gio por parte dos professores (pois isso \u00e9 por demais evidente) mas partilhar com os leitores uma perplexidade e\/ou incompreens\u00e3o que este caso (e outros similares) me suscita.<br \/>\nNo conjunto das not\u00edcias que tive a oportunidade de ler em momento algum foram questionadas, ou simplesmente mencionadas, as pr\u00e1ticas de orienta\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEnquanto docentes (e orientadores), \"... os professores devem encorajar a aprendizagem aut\u00f3noma dos seus estudantes, mantendo perante estes os mais elevados padr\u00f5es acad\u00e9micos e \u00e9ticos. Devem demonstrar respeito pelos seus estudantes enquanto indiv\u00edduos e manterem-se fi\u00e9is ao seu papel de orientadores e mentores intelectuais. Devem fazer todos os esfor\u00e7os poss\u00edveis para promover uma conduta acad\u00e9mica honesta.\"*<br \/>\n\u00c9 ineg\u00e1vel que o finalizar, em tempo \u00fatil, com a qualidade adequada e, portanto, livre de 'v\u00edcios', das disserta\u00e7\u00f5es\/teses dependem, de forma n\u00e3o negligenci\u00e1vel, das pr\u00e1ticas de orienta\u00e7\u00e3o. De facto, como refere um estudo do Departamento de Educa\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancia e Forma\u00e7\u00e3o Australiano,** estilos de orienta\u00e7\u00e3o 'livre', que deixam os candidatos '\u00e0 sua sorte', sem grande supervis\u00e3o, tendem a estar associadas a maiores taxas de insucesso e de n\u00e3o conclus\u00e3o, tempos mais longos de conclus\u00e3o das teses e maior risco de incid\u00eancia de pr\u00e1ticas fraudulentas, nomeadamente pl\u00e1gio.<br \/>\nExcluindo um n\u00famero (cada vez mais) reduzido de casos, em que os candidatos s\u00e3o \u00e0 partida aut\u00f3nomos, organizados e cientificamente muito qualificados, a vasta maioria dos candidatos a 'doutores' n\u00e3o possuem (nem t\u00eam que possuir, no meu entender), no inicio do processo, os requisitos necess\u00e1rios para a conclus\u00e3o de uma tese de doutoramento. Orientadores mais 'interventivos' reconhecem e aceitam esta situa\u00e7\u00e3o e a sua abordagem tende a ser mais efectiva. Reuni\u00f5es semanais\/quinzenais para aferir o progresso ou bloqueios que naturalmente surgem no processo de realiza\u00e7\u00e3o de uma tese, com discuss\u00e3o e coment\u00e1rios atempados (por parte do orientador) dos relat\u00f3rios efectuados pelos candidatos tender\u00e3o a minimizar a incid\u00eancia de pl\u00e1gio pois este \u00e9, em regra, e na eventualidade de surgir, detectado em fases embrion\u00e1rias do processo, discutido entre orientador e orientando e, em geral, ultrapassado (pode, obviamente, originar cis\u00f5es, mas se isso acontecer, tal ir\u00e1 no sentido de favorecer a integridade acad\u00e9mica das partes envolvidas).<br \/>\nA confian\u00e7a m\u00fatua fomentada por uma orienta\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3xima e regular, o diluir da 'press\u00e3o' associada \u00e0 escrita da tese ao longo do processo e o evitar de 'sprints' finais s\u00e3o aspectos que contribuem, seguramente, para reduzir a incid\u00eancia de pr\u00e1ticas desonestas.<br \/>\nSem pretens\u00f5es de uma postura de (excessiva) reserva moral, enquanto docente e orientadora custa-me aceitar que um montante t\u00e3o elevado de p\u00e1ginas alegadamente plagiadas (quase 100), o 'brasileirismo' do discurso da tese em causa (algumas das passagens do texto da tese s\u00e3o muito similares, para n\u00e3o dizer, iguais a uma tese defendida em 2005 na Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil) n\u00e3o tenham suscitado ao(s) orientador(es) suspei\u00e7\u00e3o\/interven\u00e7\u00e3o. Este \u00faltimo aspecto ('brasileirismo' por parte de uma nativa de Portugal) deveria igualmente ter constitu\u00eddo um 'sinal de alarme' suficientemente forte para quem supostamente analisou com o cuidado devido o manuscrito, ou seja, os arguentes (i.e., 'especialistas de reconhecido m\u00e9rito' na \u00e1rea da tese).<br \/>\nSem intuito de desculpabilizar algo que n\u00e3o \u00e9 suscept\u00edvel de desculpa - pl\u00e1gio por parte de um docente do ensino superior -, julgo que \u00e9 importante ressaltar que esta pr\u00e1tica n\u00e3o constitui em si mesma um acto meramente 'individual', n\u00e3o obstante ter sido praticada por um indiv\u00edduo. Na minha opini\u00e3o, este \u00e9 um processo 'colectivo', em que nenhum dos intervenientes (autora(?) da tese, orientadores, arguentes e escola) sai bem na 'fotografia'.<br \/>\n\u00c9 expect\u00e1vel que neste caso, como em muitos outros em Portugal, a 'culpa morra solteira', para preju\u00edzo do ensino e de quem neste, de forma \u00e9tica e respons\u00e1vel, tenta dar o seu melhor contributo.<br \/>\nRefer\u00eancias das cita\u00e7\u00f5es<br \/>\n* C\u00f3digo de \u00c9tica Profissional da Associa\u00e7\u00e3o dos Professores Universit\u00e1rios Norte-Americanos (in http:\/\/www.aaup.org\/AAUP\/pubsres\/policydocs\/contents\/statementonprofessionalethics.htm).<br \/>\n** Sinclair, M. The Pedagogy of 'Good' PhD Supervision: A National Cross-Disciplinary Investigation of PhD Supervision, Commonwealth of Australia, 2004.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aurora Teixeira, Vis\u00e3o on line, Copy from one, it&#8217;s plagiarism; copy from two, it&#8217;s research. (John Milton, escritor ingl\u00eas, n.1608-m.1674, Iconoclastes, XXIII).\u00a0A university is what a college becomes when the faculty loses interest in the students. (John Ciardi, poeta e escritor norte-americano, n.1916 &#8211; m. 1986).\u00a0Recentemente (Abril 2010) mais um caso de alegado pl\u00e1gio num&hellip; <a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=969\">Ler mais&#8230;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,123],"tags":[],"class_list":["post-969","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-visao-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/969","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=969"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/969\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8238,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/969\/revisions\/8238"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=969"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=969"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=969"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}