{"id":965,"date":"2010-05-27T00:00:00","date_gmt":"2010-05-27T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=965"},"modified":"2015-12-04T19:19:28","modified_gmt":"2015-12-04T19:19:28","slug":"animal-spirits-o-caso-da-corrupcao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=965","title":{"rendered":"\u00abAnimal Spirits\u00bb: o caso da corrup\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, <\/strong><\/span><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Vis\u00e3o on line<\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/aeiou.visao.pt\/animal-spirits-o-caso-da-corrupcao=f560594\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/VisaoE071.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>1. H\u00e1 livros que aparecem na nossa vida um pouco por acaso, quase como se trope\u00e7\u00e1ssemos neles. No entanto, alguns deles v\u00eam a revelar-se aut\u00eanticas preciosidades, que lemos com o mesmo vagar e prazer com que degustamos um saboroso petisco que nos foi colocado no prato. \"Animal Spirits: How Human Psychology Drives the Economy, and Why it Matters for Global Capitalism\", de George Akerlof (pr\u00e9mio Nobel da Economia, 2001) e Robert Shiller, \u00e9 um desses livros.<!--more--> Curto, bem escrito, motivante, prop\u00f5e-nos uma vis\u00e3o da macroeconomia que foge da explica\u00e7\u00e3o tradicional assente no \"Homem econ\u00f3mico e racional\". Prop\u00f5e-nos uma vis\u00e3o onde sobressai o impacto de cinco \"animal spirits\" - a confian\u00e7a, a equidade, a corrup\u00e7\u00e3o e m\u00e1-f\u00e9, a ilus\u00e3o monet\u00e1ria e as \"hist\u00f3rias\" - no comportamento humano e, por essa via, no devir econ\u00f3mico. \u00c9 com base nessa vis\u00e3o e nos comportamentos \"irracionais\" que lhe est\u00e3o subjacentes que explica a ocorr\u00eancia de crises econ\u00f3micas e financeiras como a que ainda estamos a viver.<br \/>\n2. Num levantamento que fazem das causas das tr\u00eas \u00faltimas recess\u00f5es verificadas pela economia americana - 1990\/91, 2001 e a recente de 2007\/09 -, os autores apontam como raz\u00f5es para a respectiva ocorr\u00eancia as altera\u00e7\u00f5es negativas na atitude de agentes e institui\u00e7\u00f5es ao n\u00edvel dos \"princ\u00edpios de bom comportamento\", bem como as altera\u00e7\u00f5es na \"actividade predat\u00f3ria\" de certas empresas e organiza\u00e7\u00f5es. Uma pergunta \u00e9 colocada aos leitores: por que \u00e9 que novas ondas de corrup\u00e7\u00e3o e comportamentos de m\u00e1-f\u00e9 tendem a ocorrer de tempos a tempos? Trata-se de uma pergunta de ret\u00f3rica, antecipando a proposta de resposta que os autores oferecem: o renovar c\u00edclico de tais ondas assenta no facto de haver por parte dos agentes ou organiza\u00e7\u00f5es, em determinados per\u00edodos, a cren\u00e7a de que \u00e9 f\u00e1cil obter ganhos indevidos sem sofrer uma penalidade de dimens\u00e3o equivalente. Quer porque sentem que o sistema de puni\u00e7\u00e3o est\u00e1 mais fraco, quer porque actuam atrav\u00e9s de mecanismos - por exemplo inven\u00e7\u00f5es financeiras - que legalmente ainda n\u00e3o est\u00e3o reguladas. Ainda segundo os autores, duas outras condi\u00e7\u00f5es contribuem sobremodo para o florescimento e alargamento da corrup\u00e7\u00e3o: a aceita\u00e7\u00e3o social da corrup\u00e7\u00e3o como uma \"normalidade\"; a pr\u00f3pria exist\u00eancia de corrup\u00e7\u00e3o, que tende a auto-alimentar-se.<br \/>\n3. Se deixarmos o contexto americano do livro e olharmos para o caso portugu\u00eas, h\u00e1 sinais assustadores e prenunciadores de tempos (ainda mais) dif\u00edceis no \u00e2mbito da propaga\u00e7\u00e3o da corrup\u00e7\u00e3o e comportamentos de m\u00e1-f\u00e9 (onde se enquadra a fraude). O caso \"Face Oculta\", pelas figuras p\u00fablicas envolvidas, tem ocupado a aten\u00e7\u00e3o dos \"media\". Raramente \u00e9 olhado como (mais) um caso de corrup\u00e7\u00e3o e fraude e enquadrado num crescendo de casos que t\u00eam vindo a ser conhecidos ao longo dos \u00faltimos anos. Por isso, corre o risco de ser olhado pelos cidad\u00e3os como uma mera \"anormalidade\", um caso pontual que foge do padr\u00e3o (que \u00e9 n\u00e3o existirem desvios de comportamento por parte de cidad\u00e3os e organiza\u00e7\u00f5es). Olhando ao contexto nacional facilmente se encontram ingredientes que ajudam a explicar esse crescendo de corrup\u00e7\u00e3o e fraude: de h\u00e1 muito que a Justi\u00e7a n\u00e3o funciona em tempo e com m\u00e3o suficientemente pesada para desincentivar tal tipo de comportamentos; culturalmente, h\u00e1 um certo grau de aceita\u00e7\u00e3o destes, como ainda recentemente um inqu\u00e9rito de opini\u00e3o deixava perceber; e, como referido, corrup\u00e7\u00e3o tende a gerar mais corrup\u00e7\u00e3o.<br \/>\n4. Numa an\u00e1lise macroecon\u00f3mica tradicional, a corrup\u00e7\u00e3o e a fraude tendiam a ser olhadas como neutras do ponto de vista econ\u00f3mico, porque eram consideradas meras transfer\u00eancias de riqueza entre agentes: o que uns perdem, outros ganham. O que a vis\u00e3o proposta no livro mostra \u00e9 que a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 assim t\u00e3o simples: a corrup\u00e7\u00e3o e a fraude t\u00eam consequ\u00eancias negativas para a actividade econ\u00f3mica, at\u00e9 pelo impacto que t\u00eam sobre a confian\u00e7a dos agentes. Portanto, numa altura em que a economia portuguesa necessita drasticamente de crescer, a exist\u00eancia de corrup\u00e7\u00e3o vem colocar ainda mais nuvens negras sobre o nosso futuro colectivo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, Vis\u00e3o on line, 1. H\u00e1 livros que aparecem na nossa vida um pouco por acaso, quase como se trope\u00e7\u00e1ssemos neles. 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