{"id":956,"date":"2010-03-25T00:00:00","date_gmt":"2010-03-25T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=956"},"modified":"2015-12-04T19:20:10","modified_gmt":"2015-12-04T19:20:10","slug":"foi-voce-que-pediu-para-ser-enganado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=956","title":{"rendered":"Foi voc\u00ea que pediu para ser enganado?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, <span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Vis\u00e3o on line<\/strong><\/span><\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/aeiou.visao.pt\/foi-voce-que-pediu-para-ser-enganado=f552990\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/VisaoE062.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>1. O PEC - Plano de Estabilidade e Crescimento tem ocupado nas \u00faltimas semanas a aten\u00e7\u00e3o (preocupada) dos portugueses. Tem sido discutido como uma esp\u00e9cie de \"menu a la carte\": mais despesa, menos despesa; mais receita, menos receita; aumento de impostos, n\u00e3o aumento de impostos. <!--more-->No entanto, ele \u00e9 apenas o aspecto vis\u00edvel do acordar do pa\u00eds para uma realidade que o comum dos cidad\u00e3os nem sequer imaginava. E questionam-se: se o Governo tinha afirmado a \"p\u00e9s-juntos\" que a crise j\u00e1 acabara; que Portugal passara ao lado da crise; que hav\u00edamos resistido melhor do que os outros pa\u00edses \u2026 como \u00e9 poss\u00edvel isto estar a acontecer? Ainda por cima quando h\u00e1 cerca de seis meses, no \u00e2mbito da campanha para as elei\u00e7\u00f5es parlamentares, o Ministro das Finan\u00e7as \"jurava\" que o d\u00e9fice or\u00e7amental seria, no pior dos cen\u00e1rios, de 5 por cento da produ\u00e7\u00e3o do pa\u00eds? O facto \u00e9 que passados apenas tr\u00eas, em final de Dezembro, o d\u00e9fice veio a fixar-se em mais de 9 por cento, enquanto o desequil\u00edbrio das contas externas se aproximou de 10 por cento. Tratou-se de um acordar violento que veio colocar em causa a vidinha tranquila que, com mais ou menos esfor\u00e7o, todos (ou quase) vinham tendo.<br \/>\n2. Usando aquele \"optimismo\" bem portugu\u00eas de que as coisas ainda podiam ser bem piores, pode dizer-se que at\u00e9 temos raz\u00e3o para nos sentirmos felizes, porque apesar de tudo as nossas \"m\u00e1s not\u00edcias\" n\u00e3o foram extremamente m\u00e1s. Veja-se o caso da Isl\u00e2ndia, que apresentava indicadores de riqueza e conforto que faziam o pa\u00eds posicionar-se sempre no topo das estat\u00edsticas europeias; e, at\u00e9 por isso, os respectivos cidad\u00e3os se encontravam entre os mais felizes da Europa. Um dia tais cidad\u00e3os acordaram, bem-dispostos como sempre, e defrontaram-se com uma dura realidade: o pa\u00eds estava falido, n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es para solver os seus compromissos financeiros, tinham de passar a viver com muito menos no futuro. Deve ter sido um choque \u2026<br \/>\n3. Quer num caso, quer no outro, n\u00e3o podemos fugir de uma triste realidade: os governantes que elegemos para conduzirem o nosso destino colectivo andam a enganar-nos por via da omiss\u00e3o de m\u00e1s not\u00edcias que, se interiorizadas a tempo pelos cidad\u00e3os e coadjuvadas com as adequadas pol\u00edticas de correc\u00e7\u00e3o, poderiam evitar a ocorr\u00eancia de situa\u00e7\u00f5es extremas como as referidas. E quando esses governantes, por via de nomea\u00e7\u00f5es ditas de \"confian\u00e7a pol\u00edtica\" para a administra\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es que deveriam ser independentes do poder pol\u00edtico - caso do banco central - as conseguem amorda\u00e7ar, ent\u00e3o o engano (mentira) tem condi\u00e7\u00f5es para perdurar mais tempo e s\u00f3 ser de conhecimento geral no limite, quando n\u00e3o h\u00e1 fuga poss\u00edvel.<br \/>\n4. Pode parecer, portanto, que a culpa \u00e9 dos eleitos, que mentem aos eleitores. E \u00e9, em grande parte. Por\u00e9m, estes \u00faltimos s\u00e3o co-respons\u00e1veis, ao criarem um incentivo para que os eleitos e candidatos a eleitos os enganem. Pense-se num partido pol\u00edtico que, num per\u00edodo em que n\u00e3o se declarou ainda uma situa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica dr\u00e1stica, se apresentasse a umas elei\u00e7\u00f5es com base num programa de austeridade, dizendo aos eleitores que se votassem nele iriam ter os seus sal\u00e1rios reduzidos, iriam pagar mais impostos, iriam ver o seu n\u00edvel de vida reduzido. Votariam os cidad\u00e3os nesse partido? \u00c9 claro que n\u00e3o. O que n\u00f3s cidad\u00e3os queremos \u00e9 quem nos governe sem colocar em causa o nosso estilo de vida, as nossas \"conquistas\" anteriores. Est\u00e1 criado tal incentivo. Quem falar verdade, quem realmente quiser resolver problemas que mais tarde ou mais cedo ir\u00e3o explodir, n\u00e3o \u00e9 eleito.<br \/>\n5. Este incentivo explica, por exemplo, o ciclo pol\u00edtico. Um partido eleito sob o pressuposto de que n\u00e3o ir\u00e1 mexer com a vidinha dos cidad\u00e3os, mal toma posse como Governo come\u00e7a a \"descobrir\" situa\u00e7\u00f5es que necessitam de medidas duras. No entanto, a partir de meio do mandato a necessidade de tais medidas desaparece das prioridades da equipa governativa, que come\u00e7a a cativar os cidad\u00e3os com vista \u00e0 pr\u00f3xima elei\u00e7\u00e3o. Assim se explicam, por exemplo, as decis\u00f5es de aumentos salariais substanciais, quando no momento imediatamente anterior a situa\u00e7\u00e3o era da mais estrita restri\u00e7\u00e3o or\u00e7amental.<br \/>\n6. O sistema democr\u00e1tico, sendo o melhor de entre os exequ\u00edveis, n\u00e3o \u00e9 perfeito. Longe disso. Para funcionar adequadamente tem necessidade de se apoiar em institui\u00e7\u00f5es independentes dos governantes e dos partidos pol\u00edticos que possam desmontar as \"inverdades\" que estes dizem aos cidad\u00e3os-eleitores. A n\u00e3o existirem tais institui\u00e7\u00f5es, ou n\u00e3o cumprindo cabalmente a sua fun\u00e7\u00e3o, os cidad\u00e3os, por via do horror que t\u00eam \u00e0s m\u00e1s not\u00edcias, s\u00e3o v\u00edtimas dos seus eleitos. Todo o sistema pol\u00edtico se torna, ent\u00e3o, numa imensa mentira. O que nos remete para uma pergunta: neste contexto, far\u00e1 sentido que durante meses os esfor\u00e7os de um parlamento nacional sejam devotados a provar que um dos seus mentiu?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, Vis\u00e3o on line, 1. O PEC &#8211; Plano de Estabilidade e Crescimento tem ocupado nas \u00faltimas semanas a aten\u00e7\u00e3o (preocupada) dos portugueses. 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