{"id":955,"date":"2010-03-18T00:00:00","date_gmt":"2010-03-18T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=955"},"modified":"2015-12-04T19:20:10","modified_gmt":"2015-12-04T19:20:10","slug":"atencao-a-corrupcao-mas-nem-so-desta-vive-o-defraudador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=955","title":{"rendered":"Aten\u00e7\u00e3o \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o, mas nem s\u00f3 desta vive o defraudador"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Carlos Pimenta, <\/strong><\/span><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Vis\u00e3o on line<\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/aeiou.visao.pt\/atencao-a-corrupcao-mas-nem-so-desta-vive-o-defraudador=f552137\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/VisaoE061.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>1. Lopes da Mota foi considerado culpado pelo Conselho Superior do Minist\u00e9rio P\u00fablico e foi obrigado (por decis\u00e3o voluntaria do mesmo, como sempre acontece no mundo do faz de conta) a demitir-se da Presid\u00eancia do Eurojust.<br \/>\nConsiderar\u00e3o muitos dos portugueses que a suspens\u00e3o por trinta dias \u00e9 pena demasiado leve.<!--more--> Quem assim pensa, n\u00e3o est\u00e1 a ter em conta um conjunto de factores relevantes: Lopes da Mota apresenta-se frequentemente de colarinho branco, apenas colaborou num tipo de fraude que contribui para a redu\u00e7\u00e3o do crescimento econ\u00f3mico e para o desprest\u00edgio internacional do nosso pa\u00eds, e a \u00e9tica nem nos saldos \u00e9 procurada.<br \/>\nConsiderar\u00e3o outros que a suspens\u00e3o por tantos dias foi uma penaliza\u00e7\u00e3o demasiado severa para quem apenas pretendeu transmitir um conselho amigo: n\u00e3o incomodem o S\u00f3crates porque ele j\u00e1 pertence \u00e0 hist\u00f3ria (grega). Tamb\u00e9m estes n\u00e3o se dever\u00e3o preocupar porque durante muito tempo andar\u00e1 de recurso em recurso, porque h\u00e1 muitos lugares dispon\u00edveis (e se n\u00e3o os h\u00e1 criam-se!) para ele vir a desempenhar, onde talvez falte o brilho da ribalta mas n\u00e3o deixar\u00e3o de acontecer chuvas de p\u00f3 de ouro (fen\u00f3meno meteorol\u00f3gico n\u00e3o muito raro mas que nunca acontece aos milh\u00f5es de desfavorecidos deste pa\u00eds). E tudo isto se passar\u00e1 sob a suave brisa do rodopiar das portas girat\u00f3rias dos que sucessivamente (qui\u00e7\u00e1 em movimentos pendulares quotidianos) rodopiam, ou poder\u00e3o vir a rodopiar, entre o interesse colectivo (ser\u00e1 tamb\u00e9m meu?) e o plutocr\u00e1tico interesse individual.<br \/>\nJ\u00e1 tivemos ocasi\u00e3o de em cr\u00f3nicas anteriores chamar a aten\u00e7\u00e3o para os grandes perigos da corrup\u00e7\u00e3o (ver as cr\u00f3nicas de 30\/04\/2009, 02\/07\/2009 e 12\/11\/2009) de que recordar\u00edamos os seus elevados n\u00edveis de cont\u00e1gio destruindo quase todos os guardi\u00f5es da \u00e9tica, da coopera\u00e7\u00e3o e da concorr\u00eancia leal e a degrada\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida da maioria dos portugueses, com agravamento das desigualdades sociais. Neste momento em que tanto se discute o pomposamente designado Plano de Estabilidade e Crescimento e em que a credibilidade externa do Pa\u00eds, nomeadamente junto dos credores, \u00e9 t\u00e3o badalada, conv\u00e9m recordar o que tamb\u00e9m j\u00e1 foi referido em cr\u00f3nica de Costa Lima (18\/02\/2010): segundo a prestigiada Transparency International e o seu \u00cdndice de Percep\u00e7\u00e3o da Corrup\u00e7\u00e3o (elemento objectivo de avalia\u00e7\u00e3o do pa\u00eds!), Portugal afastou-se dos pa\u00edses com menor corrup\u00e7\u00e3o percept\u00edvel, sendo esse movimento particularmente vincado a partir de 2006:<br \/>\nEsta degrada\u00e7\u00e3o da transpar\u00eancia e da integridade dos \"portugueses\" (aqui imp\u00f5e-se reafirmar o que o leitor j\u00e1 sabe, que h\u00e1 \"portugueses\" - \u00edntegros - e \"portugueses\" - corruptores e corruptos) em quanto fez aumentar as taxas de juros dos empr\u00e9stimos a Portugal? Em quanto fez regredir os investimentos, em quanto torpedeou a imagem do nosso pa\u00eds?<br \/>\n2. \u00c9 desnecess\u00e1rio insistir na imperiosidade c\u00edvica e democr\u00e1tica, em nome da \u00e9tica e dos mercados, de combater a fraude, prevenir a sua ocorr\u00eancia. Ser\u00e1 tema para outras conversas com o leitor tr\u00eas pontos que reputamos essenciais:<br \/>\nUma pol\u00edtica anti-corrup\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser constitu\u00edda por medidas avulsas de curto prazo, mais ou menos ao sabor do calend\u00e1rio medi\u00e1tico e pol\u00edtico. Exige-se uma leitura e pr\u00e1tica sist\u00e9mica,<br \/>\nA corrup\u00e7\u00e3o tem manhas e procedimentos que ultrapassam o conflito de interesses (desde a personalidade individual do corruptor e do corrompido at\u00e9 \u00e0 criminalidade organizada), mas \u00e9 ao n\u00edvel do conflito de interesses que se deve iniciar a pol\u00edtica anti-corrup\u00e7\u00e3o.<br \/>\nSe a corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 um fen\u00f3meno velho quanto a humanidade, a sua intensifica\u00e7\u00e3o \u00e9 recente, apresentando a juventude de poucas d\u00e9cadas. O combate a este agravamento, indissoluvelmente associado \u00e0 estrutura da sociedade contempor\u00e2nea tamb\u00e9m passa por reinventar a democracia (com a promo\u00e7\u00e3o e a valoriza\u00e7\u00e3o de um comportamento pol\u00edtico irrepreensivelmente \u00e9tico) e por uma educa\u00e7\u00e3o sem facilitismos, rigorosa cientificamente, com um funcionamento institucional irrepreens\u00edvel, com a forte valoriza\u00e7\u00e3o do respeito m\u00fatuo, contando com a for\u00e7a do exemplo e o sistem\u00e1tico confronto de todos com dilemas \u00e9ticos.<br \/>\n3. Contudo \u00e9 necess\u00e1rio alertar para que a aten\u00e7\u00e3o dada \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o n\u00e3o fa\u00e7a todos n\u00f3s esquecermos todas as outras fraudes que pululam pela nossa sociedade. Dos crimes em que a viol\u00eancia impera certamente n\u00e3o nos esqueceremos, mas ser\u00e1 que acontece o mesmo com as fraudes e evas\u00f5es fiscais, com as manipula\u00e7\u00f5es sub-rept\u00edcias com a sa\u00fade p\u00fablica, com as manobras das empresas contra os clientes e destes contra aquelas? Estaremos mesmo atentos? Saberemos na altura oportuna fazer adequadamente as nossas escolhas?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Pimenta, Vis\u00e3o on line, 1. Lopes da Mota foi considerado culpado pelo Conselho Superior do Minist\u00e9rio P\u00fablico e foi obrigado (por decis\u00e3o voluntaria do mesmo, como sempre acontece no mundo do faz de conta) a demitir-se da Presid\u00eancia do Eurojust. 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