{"id":9528,"date":"2014-09-11T11:43:12","date_gmt":"2014-09-11T11:43:12","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=9528"},"modified":"2015-12-04T19:11:44","modified_gmt":"2015-12-04T19:11:44","slug":"globalizacao-uma-guerra-de-culturas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=9528","title":{"rendered":"Globaliza\u00e7\u00e3o \u2013 uma guerra de culturas?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Ant\u00f3nio Jo\u00e3o Maia, Vis\u00e3o on line<\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/visao.sapo.pt\/globalizacao-uma-guerra-de-culturas=f794986\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/VisaoE295.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<div>\n<p>Com a globaliza\u00e7\u00e3o os modelos de adapta\u00e7\u00e3o cultural come\u00e7aram a cruzar-se uns com os outros.<\/p>\n<p>...<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><span style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\"><!--more--><\/span><\/p>\n<p>O mundo tem assistido at\u00f3nito e incr\u00e9dulo, nas \u00faltimas semanas, a not\u00edcias acompanhadas de imagens horrendas de jornalistas norte-americanos a serem barbara e brutalmente assassinados em nome de uma ideologia, cujos argumentos, dada a brutalidade dos atos em si mesmos, nos escapam \u2013 s\u00f3 nos podem escapar!<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 nenhuma raz\u00e3o ou argumenta\u00e7\u00e3o (NENHUMA!) que possa justificar a pr\u00e1tica de qualquer ato b\u00e1rbaro, como aqueles a que me refiro, e a todos os outros que o mundo tem assistido nas \u00faltimas d\u00e9cadas, alimentados, sob as mais diversas formas, em nome de ideologias, de credos, de modelos de desenvolvimento econ\u00f3mico, de expans\u00e3o de mercados, enfim de tantas e tantas raz\u00f5es, algumas delas mais te\u00f3ricas do que efetivas\u2026<\/p>\n<p>Se h\u00e1 coisa que as ci\u00eancias antropol\u00f3gicas ensinam \u00e9 que n\u00e3o existem culturas boas, nem culturas m\u00e1s. Nem sequer que existam culturas melhores ou culturas piores, simplesmente porque uma cultura \u2013 seja ela qual for \u2013 \u00e9 o resultado de um processo de sedimenta\u00e7\u00e3o milenar de ajustamento de um povo \u00e0s condi\u00e7\u00f5es a que se encontra sujeito. E se inicialmente esse ajustamento procurava salvaguardar a sobreviv\u00eancia dos elementos do povo, \u00e0 medida que o processo foi ficando mais consolidado, mais robustecido e mais garantido \u2013 gra\u00e7as \u00e0s tecnologias entretanto desenvolvidas \u2013 o estado de sobreviv\u00eancia deixou de ser uma necessidade premente em si mesma e deu gradualmente lugar a uma procura de melhores \u00edndices de bem-estar, de qualidade de vida e de conforto.<\/p>\n<p>Mas este processo, que na forma \u2013 a procura de sobreviv\u00eancia e depois de bem-estar \u2013 parece ter sido semelhante em todos os povos, na pr\u00e1tica, ou seja na forma como se tem consubstanciado o seu conte\u00fado, difere de povo para povo.<\/p>\n<p>Por isso temos, ao mesmo tempo, povos com distintos modelos de evolu\u00e7\u00e3o cultural. Todavia essa distin\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 mais nem menos do que a evolu\u00e7\u00e3o do processo de adapta\u00e7\u00e3o que cada um foi construindo. E \u00e9 por esta raz\u00e3o que n\u00e3o podem \u2013 nem devem \u2013 fazer-se avalia\u00e7\u00f5es nem compara\u00e7\u00f5es entre solu\u00e7\u00f5es de adapta\u00e7\u00e3o cultural. Cada solu\u00e7\u00e3o de adapta\u00e7\u00e3o traduz simplesmente a forma mais adequada que cada povo conseguiu encontrar para satisfazer as suas necessidades face aos desafios a que se encontrou e encontra exposto. Por isso se diz que cada solu\u00e7\u00e3o cultural tem uma coer\u00eancia interna pr\u00f3pria, que s\u00f3 pode ser verdadeiramente conhecida se se conhecerem e estudarem os contextos que marcaram o seu processo de desenvolvimento.<\/p>\n<p>O problema do choque de culturas, que culminou, sobretudo a partir do final da guerra fria, com o processo da globaliza\u00e7\u00e3o, suscita-se a partir do momento em que os modelos de adapta\u00e7\u00e3o cultural come\u00e7aram a cruzar-se uns com os outros.<\/p>\n<p>Alguns autores identificam esse momento com o per\u00edodo hist\u00f3rico dos descobrimentos \u2013 alguns sustentam mesmo que portugueses e espanh\u00f3is s\u00e3o os pais da globaliza\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m julgo que podemos ir mais atr\u00e1s. O que foi a constru\u00e7\u00e3o do imp\u00e9rio romano se n\u00e3o a imposi\u00e7\u00e3o do seu modelo de desenvolvimento sobre todas as tribos que ent\u00e3o povoavam a Europa e cujos elementos acabaram por ser tornados escravos?<\/p>\n<p>E os pr\u00f3prios descobrimentos, n\u00e3o se traduziram tamb\u00e9m, segundo alguns autores, na imposi\u00e7\u00e3o do modelo europeu sobre os modelos de organiza\u00e7\u00e3o tribal africanos e sul-americanos, convertendo esses povos \u00e0 escravatura ou at\u00e9 dizimando aqueles que davam sinais de maior resist\u00eancia?<\/p>\n<p>E como foram tra\u00e7adas as fronteiras de grande parte dos pa\u00edses africanos, se n\u00e3o a r\u00e9gua e esquadro movidos por interesses alheios aos povos que habitavam tais territ\u00f3rios e espartilhando algumas tribos com fronteiras que nada lhes diziam?<\/p>\n<p>O problema do choque de culturas, como o estamos a designar, \u00e9 que, independentemente do per\u00edodo hist\u00f3rico que consideremos, ele tende a realizar-se sempre com base num certo etnocentrismo, atrav\u00e9s do qual os povos com um padr\u00e3o cultural mais desenvolvido, por assim dizer, acabam por querer impor as suas solu\u00e7\u00f5es, as suas regras, os seus modelos culturais, as suas vontades, justamente porque \u2013 com base num processo comparativo \u2013 consideram ser superiores e por isso os melhores, esquecendo ou pelo menos negligenciando os modelos culturais \u2013 traduzidos tamb\u00e9m por vontades \u2013 dos povos com os quais se cruzam. Se at\u00e9 meados do s\u00e9c. XX \u2013 at\u00e9 \u00e0 II\u00aa guerra mundial \u2013 esses conflitos cultuais traduziam vontades de expans\u00e3o territorial e econ\u00f3mica, passaram, de ent\u00e3o para c\u00e1, a traduzir essencialmente vontades de expans\u00e3o de mercados. De uma forma ou de outra, o etnocentrismo deriva tamb\u00e9m da necessidade de alcan\u00e7ar outros interesses mais profundos\u2026<\/p>\n<p>Por\u00e9m \u2013 e \u00e9 verdadeiramente aqui que queremos chegar \u2013 todas estas movimenta\u00e7\u00f5es acabam por se traduzir em frustra\u00e7\u00f5es, sobretudo para com os povos e as culturas que sentem ficar subjugadas \u00e0 vontade das que, sob as mais variadas formas, v\u00e3o impondo o seu modelo.<\/p>\n<p>\u00c9 que toda esta conflitualidade a que o mundo tem vindo a assistir \u2013 onde, para l\u00e1 das barbaridades inicialmente referidas, podemos incluir os conflitos do m\u00e9dio oriente, no leste europeu, o 11 de setembro nos Estados Unidos, ou os ataques no Metro de Londres e dos comboios em Madrid, para nomear apenas alguns dos mais conhecidos \u2013 pode explicar-se tamb\u00e9m a partir deste acumular de frustra\u00e7\u00f5es, de expectativas defraudadas, de \u00f3dios que v\u00e3o crescendo de parte a parte e que, como numa caixa de pandora, v\u00e3o contribuindo para aumentar a ira e uma certa press\u00e3o dos povos uns sobre os outros \u2013 dos homens uns sobre os outros\u2026 (?) \u2013, e que, se o pr\u00f3prio homem n\u00e3o conseguir encontrar as necess\u00e1rias v\u00e1lvulas de escape, podem traduzir-se, a prazo, numa aut\u00eantica situa\u00e7\u00e3o de guerra de culturas\u2026<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Jo\u00e3o Maia, Vis\u00e3o on line, Com a globaliza\u00e7\u00e3o os modelos de adapta\u00e7\u00e3o cultural come\u00e7aram a cruzar-se uns com os outros. &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,123],"tags":[],"class_list":["post-9528","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-visao-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9528","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=9528"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9528\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9530,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9528\/revisions\/9530"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=9528"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=9528"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=9528"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}