{"id":950,"date":"2012-02-02T00:00:00","date_gmt":"2012-02-02T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=950"},"modified":"2015-12-04T19:19:06","modified_gmt":"2015-12-04T19:19:06","slug":"o-indice-da-economia-nao-registada-em-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=950","title":{"rendered":"O \u00cdndice da Economia N\u00e3o Registada em Portugal"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Oscar Afonso, <\/strong><\/span><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Vis\u00e3o on line<\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/aeiou.visao.pt\/o-indice-da-economia-nao-registada-em-portugal=f644764\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/VisaoE159.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>Como temos vindo a referir em cr\u00f3nicas anteriores, a economia que n\u00e3o \u00e9 contabilizada no c\u00e1lculo do produto interno bruto constitui a Economia N\u00e3o Registada (ENR), sendo composta por diversas rubricas, nem sempre com fronteiras bem claras entre si.<!--more--><br \/>\nA economia subterr\u00e2nea, por exemplo, corresponde ao produto que se furta \u00e0 contabiliza\u00e7\u00e3o por raz\u00f5es dominantemente fiscais. Por sua vez, a economia ilegal corresponde ao produto que n\u00e3o \u00e9 contabilizado porque resulta de actividades ilegais, pelos seus fins ou pelos meios utilizados. Por outro lado, a economia informal e o auto-consumo correspondem a produto criado por actividades essencialmente associadas a uma estrat\u00e9gia de melhoria de condi\u00e7\u00f5es de vida das fam\u00edlias ou sobreviv\u00eancia. Finalmente, h\u00e1 ainda a rubrica marginal relativa ao produto n\u00e3o contabilizado por defici\u00eancias da estat\u00edstica. Sendo clandestina e incluindo muitos procedimentos ilegais n\u00e3o pode ser calculada directamente. N\u00e3o h\u00e1 portanto informa\u00e7\u00f5es, estat\u00edsticas, compil\u00e1veis sobre ela. Por isso, h\u00e1 que proceder por estimativa, utilizando metodologias perfeitamente justificadas e metodologicamente correctas. A metodologia utilizada pelo Observat\u00f3rio de Economia e Gest\u00e3o de Fraude (OBEGEF) recorre a justificados e testados modelos matem\u00e1ticos e, ao focar a sua aten\u00e7\u00e3o mais fortemente sobre a economia que se furta \u00e0 contabiliza\u00e7\u00e3o por raz\u00f5es dominantemente fiscais (face \u00e0 disponibilidade de dados existentes), subavalia o peso da ENR (sobra ou paralela) na economia oficial.<br \/>\nA estimativa de um valor da ENR n\u00e3o tem o rigor milim\u00e9trico ao calcular o seu montante num ano, mas tem-no quando se mede a evolu\u00e7\u00e3o havida. Em Dezembro de 2010, o OBEGEF apresentou o andamento do peso da ENR em Portugal, desde 1970 at\u00e9 2009. No passado dia 16 de Janeiro, actualizou os valores para o ano 2010, \u00faltimo ano para o qual \u00e9 neste momento poss\u00edvel o c\u00e1lculo. Os valores constantes da Tabela 1 e da Figura 1 mostram que, exceptuando o per\u00edodo 1977-1982, h\u00e1 uma tend\u00eancia de aumento desde o in\u00edcio do per\u00edodo considerado e que em 2010 voltou a aumentar, passando de 24,2% para 24,8% do produto interno bruto oficial. Como principais causas desse incremento de 2,5% num s\u00f3 ano salientam-se os aumentos na taxa de desemprego, no consumo do Estado e na carga fiscal, nomeadamente nos impostos indirectos (IVA).<br \/>\nFigura 1 \u2013 Peso da ENR no Produto Interno Bruto oficial<br \/>\nNote-se que para garantir a comparabilidade dos dados o produto interno bruto de refer\u00eancia foi calculado com base nos pre\u00e7os em vigor num dado ano fixo, tendo sido considerado como base o ano de 2000. Podemos assim dizer que a ENR em 2010, a pre\u00e7os de 2000, rondou os 32183 milh\u00f5es de euros e a pre\u00e7os correntes rondou os 41540 milh\u00f5es de euros. Para se ter uma ideia da grandeza destes n\u00fameros, atente-se no facto de que:<br \/>\nUm milh\u00e3o de euros em notas de 100\u20ac teriam uma altura de vinte cent\u00edmetros. 32183 milh\u00f5es correspondem a uma pilha de 6,4 quil\u00f3metros de altura de notas de 100\u20ac, e 41540 milh\u00f5es formariam uma pilha de 8,3 quil\u00f3metros de altura de notas de 100\u20ac;<br \/>\nO valor oficial do peso do d\u00e9fice do or\u00e7amento geral do estado no produto interno bruto foi, em 2010, de 8,6%. Se n\u00e3o houvesse ENR, admitindo uma carga fiscal m\u00e9dia de 20% sobre esse valor, o d\u00e9fice teria sido de apenas 2,9% do PIB.<br \/>\nAdicionalmente, os c\u00e1lculos do OBEGEF em termos sectoriais presentes nas Figuras 2, 3 e 4 evidenciam ainda que, no computo do per\u00edodo 1998-2010, a ENR na Agricultura e nos Servi\u00e7os tem revelado uma traject\u00f3ria ascendente, enquanto na Ind\u00fastria, provavelmente devido \u00e0 desindustrializa\u00e7\u00e3o, a traject\u00f3ria tem sido descendente.<br \/>\nFigura 2 \u2013 Peso da ENR no Valor Acrescentado Bruto oficial na Agricultura<br \/>\nFigura 3 \u2013 Peso da ENR no Valor Acrescentado Bruto oficial na Industria<br \/>\nFigura 4 \u2013 Peso da ENR no Valor Acrescentado Bruto oficial nos Servi\u00e7os<br \/>\nNaturalmente que perante um peso t\u00e3o significativo, em Portugal a concorr\u00eancia entre agentes econ\u00f3micos em geral e entre empresas em particular est\u00e1 distorcida, obrigando os cumpridores a contribui\u00e7\u00f5es adicionais. Por sua vez, as receitas fiscais ficam aqu\u00e9m do esperado, impedindo a realiza\u00e7\u00e3o de importantes tarefas por parte do Estado; por exemplo, o investimento p\u00fablico e a redistribui\u00e7\u00e3o do rendimento ficam condicionados. Finalmente, a incerteza na estabiliza\u00e7\u00e3o da economia aumenta, porque os agregados macroecon\u00f3micos est\u00e3o enviesados, conduzindo a decis\u00f5es de pol\u00edtica desajustadas e, nessa sequ\u00eancia, a eventuais efeitos econ\u00f3micos inadequados.<br \/>\nNeste contexto, creio que \u00e9 dever c\u00edvico de todos contribuir para a elimina\u00e7\u00e3o ou, pelo menos, para a redu\u00e7\u00e3o do peso da ENR, nomeadamente das rubricas economia subterr\u00e2nea e ilegal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Oscar Afonso, Vis\u00e3o on line, Como temos vindo a referir em cr\u00f3nicas anteriores, a economia que n\u00e3o \u00e9 contabilizada no c\u00e1lculo do produto interno bruto constitui a Economia N\u00e3o Registada (ENR), sendo composta por diversas rubricas, nem sempre com fronteiras bem claras entre si.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,123],"tags":[],"class_list":["post-950","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-visao-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/950","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=950"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/950\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8403,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/950\/revisions\/8403"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=950"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=950"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=950"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}