{"id":947,"date":"2010-01-28T00:00:00","date_gmt":"2010-01-28T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=947"},"modified":"2015-12-04T19:20:12","modified_gmt":"2015-12-04T19:20:12","slug":"multiopticas-as-lentes-da-publicidade-enganosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=947","title":{"rendered":"Multi\u00f3pticas: as lentes da publicidade enganosa"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, <span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Vis\u00e3o on line<\/strong><\/span>,<\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/aeiou.visao.pt\/multiopticas-as-lentes-da-publicidade-enganosa=f545886\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2010\/01\/VisaoE054.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>[Cen\u00e1rio: estabelecimento urbano, impessoal, amplamente iluminado]<br \/>\n1\u00ba ACTO: A COMPRA<br \/>\nEntra. \u00c9 a primeira vez que utiliza aquele estabelecimento para mandar executar um par de \u00f3culos. Quer resolver rapidamente o assunto, que anda a adiar de dia para dia. Explica \u00e0 funcion\u00e1ria que o atende que, dado o pouco uso a dar aos \u00f3culos, quer um produto que, dentro das especificidades t\u00e9cnicas prescritas, seja em conta.<!--more--> Escolhe a arma\u00e7\u00e3o, modesta. O or\u00e7amento dos \u00f3culos, que quase chega \u00e0s tr\u00eas centenas de euros, f\u00e1-lo mexer-se desconfortavelmente na cadeira. \"\u00c9 o mais barato que temos\", diz a funcion\u00e1ria com o ar mais inocente do mundo, \"t\u00eam de ser destas lentes\". A insist\u00eancia de que tinha de ser algo mais barato n\u00e3o altera o discurso da funcion\u00e1ria, a n\u00e3o ser que, a t\u00edtulo excepcional, faz dez por cento de desconto.<br \/>\nMais uma investida do cliente. Pergunta-lhe se n\u00e3o continua em vigor a campanha promocional do estabelecimento e marca \"Na compra de uns \u00f3culos graduados, gr\u00e1tis o segundo par\", que uma conhecida actriz publicita na Tv. \"Sim, se quiser \u2026 oferecemos-lhe um segundo par \u2026 mas se a arma\u00e7\u00e3o que escolher tiver pre\u00e7o superior a sessenta euros ter\u00e1 de pagar o excedente\", responde ela um pouco desconfort\u00e1vel.<br \/>\nN\u00e3o tem alternativa. Quer resolver a compra naquele dia. Face \u00e0 recusa da funcion\u00e1ria em trocar essa oferta por um acr\u00e9scimo de desconto, escolhe uma outra arma\u00e7\u00e3o, dentro do limite referido, concretiza a transac\u00e7\u00e3o e efectua o pagamento.<br \/>\n[Na data prometida pela funcion\u00e1ria, n\u00e3o recebe o prometido telefonema para ir levantar os \u00f3culos. Nem no dia seguinte, nem no outro. Os dias de espera sucedem-se, sem not\u00edcias]<br \/>\n2\u00ba ACTO: A RECEP\u00c7\u00c3O DO PRODUTO<br \/>\nVolta ao estabelecimento. Semana e meia depois. \"Chegaram mesmo h\u00e1 bocadinho\", disseram-lhe. Passam-lhe para as m\u00e3os um saco de papel com os dois pares de \u00f3culos. Abre o dito saco, despeja as caixas que ele cont\u00e9m em cima do balc\u00e3o. Experimenta os primeiros \u00f3culos, lendo num folheto que est\u00e1 em cima do balc\u00e3o. Experimenta o outro par, o da oferta, do mesmo modo, mas a vis\u00e3o que tem \u00e9 diferente. Quase como se as lentes estivessem ba\u00e7as. Pede para as limparem, o efeito mant\u00e9m-se. Pergunta \u00e0 funcion\u00e1ria se as lentes de ambos os pares de \u00f3culos s\u00e3o iguais. \"Iguaizinhas\", responde-lhe, olhos-nos-olhos. Acredita.<br \/>\n[Descobre, mais tarde, que as lentes do segundo par n\u00e3o s\u00e3o iguais \u00e0s do primeiro. Nas especificidades t\u00e9cnicas e na qualidade]<br \/>\n3\u00ba ACTO: O \"CLIENTE MENTIROSO\"<br \/>\nVolta ao estabelecimento. Reclama. Reclama, porque lhe mentiram, o enganaram. Reclama, porque n\u00e3o foi aquilo que comprou. Reclama, porque ningu\u00e9m o avisou de que as lentes do segundo par n\u00e3o seriam iguais \u00e0s do primeiro.<br \/>\n[Vira-se para a plateia e indaga: passaria pela cabe\u00e7a de algu\u00e9m o pensamento de que as lentes do segundo par n\u00e3o fossem iguais \u00e0s prescritas?]<br \/>\nChamam-lhe mentiroso. A gerente da loja afian\u00e7a que a sua funcion\u00e1ria o tinha avisado no acto da compra. N\u00e3o o avisara, obviamente. Havia testemunha. Diz-lhe que se acha enganado, refere-se \u00e0 publicidade da empresa.<br \/>\n[o 3\u00ba acto termina em di\u00e1logo]<br \/>\n- Mas compreender\u00e1 que em publicidade n\u00e3o se pode dar toda a informa\u00e7\u00e3o, sob pena de ela n\u00e3o funcionar. - diz a gerente da loja.<br \/>\n- Desculpe, minha senhora - diz com voz pausada, incr\u00e9dulo quanto ao que ouvia -, mas o que me est\u00e1 a dizer \u00e9 que a vossa empresa faz publicidade enganosa.<br \/>\n- O senhor chame-lhe como quiser, mas a publicidade funciona desse modo.<br \/>\n[Uma semana de pausa, para o estabelecimento negar provimento \u00e0 reclama\u00e7\u00e3o verbal que interp\u00f4s]<br \/>\n4\u00ba E \u00daLTIMO ACTO: O LIVRO DAS RECLAMA\u00c7\u00d5ES<br \/>\nVolta ao estabelecimento. Est\u00e1 nervoso. Sente que est\u00e1 a perder tempo. Pede o livro das reclama\u00e7\u00f5es, que lhe \u00e9 fornecido com desd\u00e9m e um leve sorriso trocista. [Como se \u00e0 partida soubessem que por esse lado n\u00e3o vinha mal ao mundo.] Sente-se melhor depois de ter rascunhado a hist\u00f3ria, em parcas linhas. Espera que a autoridade competente possa fazer algo. N\u00e3o por si, porque j\u00e1 levara o preju\u00edzo incorrido a custo de mais uma li\u00e7\u00e3o de vida sobre o modo como funciona o mundo real; mas para evitar futuras v\u00edtimas daquilo que considera ser publicidade enganosa.<br \/>\n[Cai o pano, silencioso, como silenciosa estava a plateia vazia]<br \/>\nEm tempo, o que ficou por dizer:<br \/>\n- O estabelecimento tem um nome: Loja Multi\u00f3pticas, MaiaShopping, 4470 Maia.<br \/>\n- Segundo a respectiva gerente, nunca antes algum cliente havia feito reclama\u00e7\u00e3o semelhante. A ser verdade, \u00e9 caso para dizer que anda meio mundo cego, a ser enganado por uns quantos espertos.<br \/>\n- A publicidade enganosa \u00e9 um instrumento de fraude.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, Vis\u00e3o on line,, [Cen\u00e1rio: estabelecimento urbano, impessoal, amplamente iluminado] 1\u00ba ACTO: A COMPRA Entra. \u00c9 a primeira vez que utiliza aquele estabelecimento para mandar executar um par de \u00f3culos. Quer resolver rapidamente o assunto, que anda a adiar de dia para dia. 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