{"id":941,"date":"2009-12-17T00:00:00","date_gmt":"2009-12-17T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=941"},"modified":"2015-12-04T19:20:14","modified_gmt":"2015-12-04T19:20:14","slug":"face-oculta-um-mau-pensamento-que-me-ocorreu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=941","title":{"rendered":"\u00abFace Oculta\u00bb: um mau pensamento que me ocorreu"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, <span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Vis\u00e3o on line<\/strong><\/span><\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/aeiou.visao.pt\/face-oculta-um-mau-pensamento-que-me-ocorreu=f540499\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2010\/01\/VisaoE048.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>1. O caso \"Face Oculta\" tem sido o entretenimento p\u00fablico do Outono de 2009. N\u00e3o fora a gravidade social que se lhe reconhece, poder\u00edamos v\u00ea-lo como uma novela de primeira \u00e1gua, com um enredo que nem aos mais imaginosos argumentistas ocorreria.<!--more--><br \/>\nO \"segredo de justi\u00e7a\", de h\u00e1 muito moribundo, acabou por levar mais uma machadada. A \u00faltima, antes das que se lhe seguir\u00e3o. A facilidade com que se \"penduraram\" no pelourinho os arguidos do caso \u00e9 sintom\u00e1tica da devassa a que os processos que o constituem est\u00e3o sujeitos. D\u00e1 a impress\u00e3o, para quem est\u00e1 de fora a assistir, que tais processos est\u00e3o num qualquer v\u00e3o de escada, em cima de uma secret\u00e1ria, ao alcance da curiosidade de quem passa. Mas n\u00e3o est\u00e3o, obviamente (penso eu). O que significa que apenas um reduzido n\u00famero de pessoas ter\u00e1 acesso ao respectivo conte\u00fado. Portanto, cada um de n\u00f3s, espectadores involunt\u00e1rios, poderia esperar que, nesse universo pessoal restrito, haveria boas hip\u00f3teses da tradicional comiss\u00e3o de inqu\u00e9rito, que nestes casos de viola\u00e7\u00e3o do segredo de justi\u00e7a sempre \u00e9 nomeada, poder detectar os culpados pela fuga de informa\u00e7\u00e3o. Nada mais errado. Nunca se chega a conclus\u00e3o alguma. E este caso tamb\u00e9m n\u00e3o ser\u00e1 diferente.<br \/>\n2. O senhor Jos\u00e9 \u00e9 um cidad\u00e3o portugu\u00eas, com todos os impostos em dia, que nunca deixou de exercer o seu direito de voto. Aqui h\u00e1 uns meses, em v\u00e9spera de elei\u00e7\u00f5es, os servi\u00e7os camar\u00e1rios decidiram finalmente levar a luz el\u00e9ctrica \u00e0 rua onde mora. E aconteceu que um dos postes de chapa zincada que zelosos funcion\u00e1rios andaram por l\u00e1 a plantar foi erigido em frente \u00e0 entrada do seu terreiro, impossibilitando-o de manobrar com o seu tractor. Bem protestou com tais funcion\u00e1rios mas de nada lhe valeu. Era ali o ponto de implanta\u00e7\u00e3o, porque assim rezava o projecto, e n\u00e3o havia nada a fazer. Foi \u00e0 Junta de Freguesia, foi \u00e0 C\u00e2mara Municipal, gastou tempo e paci\u00eancia sem qualquer proveito vis\u00edvel. Tinham passado as elei\u00e7\u00f5es. Se lhe escutavam o queixume, n\u00e3o lhe resolviam o problema; se nem sequer o escutavam, muito menos lhe faziam justi\u00e7a. E foi ent\u00e3o que, aconselhado por um compadre mais familiarizado com o modo como se conseguem resolver os problemas, decidiu telefonar para as televis\u00f5es. E a\u00ed est\u00e1 ele, no ecr\u00e3, descontra\u00eddo, a barba por fazer e o ar suado de quem voltara h\u00e1 pouco do campo, a expor o seu caso publicamente. O resto da hist\u00f3ria j\u00e1 o leitor conhece, de outras parecidas. Foi em tr\u00eas tempos que o seu problema foi resolvido.<br \/>\n3. Pois quando vi a devassa do caso \"Face Oculta\" na pra\u00e7a p\u00fablica n\u00e3o pude deixar de me lembrar da situa\u00e7\u00e3o do senhor Jos\u00e9, e do modo como ele conseguiu que lhe fizessem \"justi\u00e7a\". Ocorreu-me ent\u00e3o pensar se toda a fuga de informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o seria uma atitude deliberada dos muitos e dedicados investigadores que, dando o melhor de si mesmos no levantamento de mais um caso, t\u00eam a consci\u00eancia de que ou fazem algo (mesmo que ilegal) que possa salvar o seu esfor\u00e7o ou ent\u00e3o, mais uma vez, vai tudo \"pelo cano abaixo\". Eles sabem melhor que ningu\u00e9m que o sistema de justi\u00e7a perro, as lacunas da Lei e as v\u00edrgulas colocadas a preceito nos diplomas legais, s\u00e3o ingredientes que, misturados pelos mais imaginosos advogados da pra\u00e7a, concorrer\u00e3o para que nunca mais se apurem responsabilidades e todos os prazos acabem por caducar. Que fazer? \"Chamam-se\" as televis\u00f5es. A\u00ed est\u00e1.<br \/>\n4. \u00c9 um mau pensamento, reconhe\u00e7o. Mas n\u00e3o consigo deixar de ser eu mesmo, pensando como uma pessoa que n\u00e3o acredita na justi\u00e7a portuguesa. Fico triste. Primeiro, porque os nossos investigadores mereciam melhor sorte para o esfor\u00e7o que colocam no seu trabalho. Segundo, porque neste caso eles t\u00eam uma desvantagem relativamente ao senhor Jos\u00e9, que \u00e9 o facto de dentro de dias, quando um novo caso vier \u00e0 superf\u00edcie e muito antes de haver qualquer decis\u00e3o judicial, a opini\u00e3o p\u00fablica e os medias que a mant\u00eam informada se desinteressarem da \"Face Oculta\". Terceiro, porque qualquer dos arguidos, mesmo se inocente, nunca mais se ver\u00e1 livre das cicatrizes causadas pela exposi\u00e7\u00e3o no pelourinho.<br \/>\nFico triste. Tudo podia ser diferente, para melhor, se em Portugal a Justi\u00e7a funcionasse.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, Vis\u00e3o on line, 1. O caso &#8220;Face Oculta&#8221; tem sido o entretenimento p\u00fablico do Outono de 2009. 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