{"id":939,"date":"2009-12-03T00:00:00","date_gmt":"2009-12-03T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=939"},"modified":"2015-12-04T19:20:15","modified_gmt":"2015-12-04T19:20:15","slug":"o-que-vale-o-pib","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=939","title":{"rendered":"O que vale o PIB?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Rui Henrique Alves, <\/strong><\/span><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Vis\u00e3o on line<\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/aeiou.visao.pt\/o-que-vale-o-pib=f539051\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2010\/01\/VisaoE046.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>Junto com outras coisas bem menos agrad\u00e1veis (como os impostos ou a morte), ouvir falar de PIB (ou Produto Interno Bruto) \u00e9 um dos elementos (quase) inescap\u00e1veis na vida. De facto, na televis\u00e3o, na r\u00e1dio ou at\u00e9 no caf\u00e9, a cada passo se ouve que o d\u00e9fice p\u00fablico vai situar-se em x% do PIB, que o PIB vai crescer (nos \u00faltimos tempos reduzir-se) em y%, ou que o endividamento externo j\u00e1 passou os z% do PIB.<!--more--><br \/>\nN\u00e3o admira. O PIB \u00e9 a medida mais frequentemente usada no mundo da economia (e, por consequ\u00eancia, tamb\u00e9m fora dela) para a indica\u00e7\u00e3o do valor da produ\u00e7\u00e3o de um dado pa\u00eds. O PIB corresponde ao valor de mercado de todos os bens e servi\u00e7os finais produzidos para o mercado, num determinado territ\u00f3rio e durante um determinado per\u00edodo de tempo. Assim, o conjunto dos valores acrescentados por todas as actividades mercantis da economia ao longo de um ano (ou de um trimestre) acumulam-se neste agregado.<br \/>\nPor conseguinte, o PIB e a sua evolu\u00e7\u00e3o s\u00e3o usados para lidar com a grande maioria das quest\u00f5es econ\u00f3micas. No curto prazo, a preocupa\u00e7\u00e3o centra-se em saber se o n\u00edvel de produto est\u00e1 pr\u00f3ximo ou afastado de um outro conceito, este algo mais esot\u00e9rico, o produto potencial (aquilo que a economia produziria usando todos os recursos dispon\u00edveis em condi\u00e7\u00f5es \"normais\"): caso se encontra acima, a infla\u00e7\u00e3o tende a acelerar; caso se encontre abaixo, pode haver um grave problema de desemprego.<br \/>\nJ\u00e1 no longo prazo, a preocupa\u00e7\u00e3o centra-se no n\u00edvel de vida das popula\u00e7\u00f5es. E, para o medir, l\u00e1 volta o PIB, agora na vers\u00e3o per capita, permitindo avaliar, em m\u00e9dia, quanto de bens e servi\u00e7os cabe a cada habitante do pa\u00eds. Assumindo que a uma maior quantidade de bens e servi\u00e7os corresponde, tudo o resto constante, uma melhor qualidade de vida, o importante ser\u00e1, ent\u00e3o, promover o crescimento do PIB per capita.<br \/>\nOra, tanto num como no outro caso, a utiliza\u00e7\u00e3o do PIB deixa algo a desejar, sendo certo, contudo, que, por enquanto, n\u00e3o se conseguiu arranjar um indicador alternativo melhor. De facto, o valor absoluto do PIB apresenta algumas limita\u00e7\u00f5es, quer enquanto medida das \"condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade\" da economia, quer enquanto avaliador do n\u00edvel de bem-estar das pessoas.<br \/>\nEm primeiro lugar, porque exclui as transac\u00e7\u00f5es feitas fora do mercado, nomeadamente os servi\u00e7os dom\u00e9sticos em proveito pr\u00f3prio: cozinhar; tomar conta dos filhos; fazer repara\u00e7\u00f5es caseiras; etc. Estas actividades seriam inclu\u00eddas no valor do PIB caso se contratasse algu\u00e9m para as fazer (e fossem devida e legalmente registadas). Esta situa\u00e7\u00e3o origina, ali\u00e1s, distor\u00e7\u00f5es caricatas: por ex., \u00e9 poss\u00edvel que o PIB diminua quando um(a) residente casa com o seu personal trainer...<br \/>\nEm segundo lugar, porque exclui (ou subestima) as transac\u00e7\u00f5es correspondentes \u00e0 economia informal e paralela. Ou seja, transac\u00e7\u00f5es que n\u00e3o s\u00e3o registadas (por ex., para \"fugir\" ao pagamento de impostos), que resultam de trocas rec\u00edprocas (por ex., \"pinto a tua casa e reparas o meu carro\") ou que s\u00e3o fruto de actividades ilegais (tr\u00e1fico de droga, branqueamento de capitais, prostitui\u00e7\u00e3o, etc.), n\u00e3o s\u00e3o inclu\u00eddas (ou s\u00e3o habitualmente subestimadas) no valor referido a cada ano (ou trimestre) para o PIB.<br \/>\nNote-se, ali\u00e1s, que o impacto pode ser elevado. John Marthinsen (Managing in a Global Economy: Demystifying International Macroeconomics, John E. Marthinsen, Cengage South-Western, 2008) refere como bom exemplo a Gr\u00e9cia: em 2006, este pa\u00eds alterou as suas contas relativas ao rendimento nacional para \"melhor medir\" o sector dos servi\u00e7os; como resultado, segmentos da economia subterr\u00e2nea passaram a ser inclu\u00eddos (prostitui\u00e7\u00e3o, lavagem de dinheiro, etc.) e o PIB aumentou algo como 25%... Claro que at\u00e9 deu jeito, para poder verificar o crit\u00e9rio do peso do d\u00e9fice p\u00fablico no produto...<br \/>\nEm terceiro lugar, porque exclui a melhoria da qualidade que n\u00e3o tenha reflexo em varia\u00e7\u00f5es de quantidade e\/ou pre\u00e7o, exclui o valor do lazer, n\u00e3o distingue na contabiliza\u00e7\u00e3o entre \"bens\" e \"males\", etc., ou seja, n\u00e3o mede verdadeiramente a qualidade de vida.<br \/>\nTudo isto, mas sobretudo os dois primeiros aspectos, permite concluir que, em boa verdade, o valor absoluto do PIB n\u00e3o interessa demasiado. At\u00e9 porque s\u00f3 por coincid\u00eancia alguma vez ele corresponder\u00e1 ao verdadeiro valor da produ\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e ao seu reflexo na qualidade de vida. O que interessa mesmo, para al\u00e9m de uma discuss\u00e3o sobre indicadores alternativos, \u00e9 a evolu\u00e7\u00e3o relativa do seu valor, a qual acaba por tornar bem menos relevantes algumas das limita\u00e7\u00f5es acima referidas.<br \/>\nH\u00e1 uns anos, ficou famosa a gaffe do ent\u00e3o nosso Primeiro-Ministro, por n\u00e3o saber a quanto equivalia uma dada percentagem do PIB. Afinal de contas, o valor em si talvez n\u00e3o tivesse demasiada import\u00e2ncia\u2026<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rui Henrique Alves, Vis\u00e3o on line, Junto com outras coisas bem menos agrad\u00e1veis (como os impostos ou a morte), ouvir falar de PIB (ou Produto Interno Bruto) \u00e9 um dos elementos (quase) inescap\u00e1veis na vida. De facto, na televis\u00e3o, na r\u00e1dio ou at\u00e9 no caf\u00e9, a cada passo se ouve que o d\u00e9fice p\u00fablico vai&hellip; <a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=939\">Ler mais&#8230;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,123],"tags":[],"class_list":["post-939","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-visao-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/939","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=939"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/939\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8182,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/939\/revisions\/8182"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=939"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=939"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=939"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}