{"id":936,"date":"2009-11-12T00:00:00","date_gmt":"2009-11-12T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=936"},"modified":"2015-12-04T19:20:16","modified_gmt":"2015-12-04T19:20:16","slug":"corrupcao-emprego-a-alguns-desemprego-a-muitos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=936","title":{"rendered":"Corrup\u00e7\u00e3o: \u00abemprego\u00bb a alguns, desemprego a muitos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Carlos Pimenta, <span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Vis\u00e3o on line<\/strong><\/span><\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/aeiou.visao.pt\/corrupcao-emprego-de-alguns-desemprego-de-muitos=f536613\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2010\/01\/VisaoE043.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a>p&gt;1. Os carteiristas eram muito exigentes na forma\u00e7\u00e3o profissional. Na sua escola de especializa\u00e7\u00e3o penduravam manequins de alfaiate no tecto, vestiam-nos com um casaco, com uma carteira no bolso interior. Eram considerados aptos para a profiss\u00e3o quando conseguiam apropriarem-se da carteira sem que mexesse o fio que suportava os manequins. Uma verdadeira arte.<!--more--><br \/>\nOs corruptores e os corruptos provavelmente n\u00e3o t\u00eam necessidade de tal forma\u00e7\u00e3o, porque ela seria longa e porque os cursos universit\u00e1rios de muitos j\u00e1 lhes deram suficiente traquejo nas artes de bem lidar com a economia e esgrimir a legisla\u00e7\u00e3o. No entanto n\u00e3o ser\u00e1 dif\u00edcil de admitir a sua necessidade, como o faz Paulo Morgado, no seu livro (Contos de Colarinho Branco, Dom Quixote): aprenderiam que a corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 um acto de esperteza e que h\u00e1 formas de corrup\u00e7\u00e3o dificilmente conden\u00e1veis pela lei e outras que n\u00e3o tem condena\u00e7\u00e3o associada; analisariam as tomadas de decis\u00e3o enquanto caminhos alternativos para a obten\u00e7\u00e3o de um fim (um verdadeiro problema econ\u00f3mico); esmiu\u00e7ariam como encontrar os poss\u00edveis corruptos e como pagar-lhes sem deixar rasto. Tudo isto sem nunca esquecerem a m\u00e1xima: \"um corrupto deve guardar sil\u00eancio\".<br \/>\nDuas profiss\u00f5es com impactos diferentes. Os primeiros s\u00e3o compar\u00e1veis a um esvoa\u00e7ar de pardal comparados com a tempestade que os segundos provocam. Contudo quando nos roubam a carteira sentimo-nos indignados, revoltados: fomos roubados. Quando sabemos de um acto de corrup\u00e7\u00e3o consideramos frequentemente que n\u00e3o \u00e9 nada connosco, \u00e9 com eles, corruptor e corrupto.<br \/>\nSer\u00e1 mesmo assim? A corrup\u00e7\u00e3o, tanto em institui\u00e7\u00f5es privadas como p\u00fablicas, \u00e9 um crime sem v\u00edtimas?<br \/>\n2. Os estudos sobre os impactos da corrup\u00e7\u00e3o s\u00e3o muitos e perempt\u00f3rios nas suas an\u00e1lises. Eles mostram, por exemplo, que<br \/>\n* um aumento da corrup\u00e7\u00e3o diminui a import\u00e2ncia do investimento no produto nacional, diminui o crescimento econ\u00f3mico;<br \/>\n* a exist\u00eancia de muita corrup\u00e7\u00e3o torna o pa\u00eds menos atractivo para o investimento estrangeiro;<br \/>\n* a corrup\u00e7\u00e3o afecta a competitividade das exporta\u00e7\u00f5es, aumentando a diferen\u00e7a entre exporta\u00e7\u00f5es e importa\u00e7\u00f5es, conduzindo ao agravamento da d\u00edvida externa, \u00e0 fuga dos nossos recursos para o estrangeiro;<br \/>\n* a corrup\u00e7\u00e3o diminui a qualidade do investimento p\u00fablico; em particular, nas infra-estruturas;<br \/>\n* a corrup\u00e7\u00e3o influencia negativamente o rendimento m\u00e9dio por pessoa, ao mesmo tempo que agrava as desigualdades na distribui\u00e7\u00e3o do rendimento;<br \/>\n* desvia recursos que deveriam ser utilizados no crescimento econ\u00f3mico, logo no combate ao desemprego, e no bem estar das popula\u00e7\u00f5es;<br \/>\n* quanto pior \u00e9 a posi\u00e7\u00e3o do pa\u00eds na lista da Transpar\u00eancia Internacional (Portugal estava 25\u00ba lugar em 2001 e est\u00e1 em 32\u00ba em 2008, logo mais afastado dos menos corruptos) pior \u00e9 a sua posi\u00e7\u00e3o no \u00cdndice de Desenvolvimento Humano (que mede o desenvolvimento nas condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, na educa\u00e7\u00e3o e nos rendimentos usufru\u00eddos pelos cidad\u00e3os);<br \/>\n* mais corrup\u00e7\u00e3o equivale a servi\u00e7os governamentais menos eficientes e pior qualidade dos servi\u00e7os de sa\u00fade;<br \/>\n* a corrup\u00e7\u00e3o diminui as despesas governamentais em educa\u00e7\u00e3o;<br \/>\n* a corrup\u00e7\u00e3o promove a fuga ao fisco (o corruptor falseia a contas para encher os \"sacos azuis\" e para encobrir riqueza; as empresas offshore s\u00e3o vias de pagamento; as empresas subornadas v\u00e3o vender por pre\u00e7os mais baixos e ter menos lucros, logo as receitas governamentais diminuem;<br \/>\n* a corrup\u00e7\u00e3o aumenta a polui\u00e7\u00e3o, porque reduz a efectividade da regulamenta\u00e7\u00e3o ambiental, e limita o sucesso de projectos de manuten\u00e7\u00e3o da biodiversidade;<br \/>\n* a corrup\u00e7\u00e3o est\u00e1 relacionada com o aumento da criminalidade;<br \/>\nNada disto tem a ver com cada um de n\u00f3s?<br \/>\nVivermos num pa\u00eds com mais desemprego, com menores sal\u00e1rios e mais desigualdade na distribui\u00e7\u00e3o do rendimento, com impostos mais altos, com piores cuidados de sa\u00fade e de ensino e outros servi\u00e7os p\u00fablicos, com mais polui\u00e7\u00e3o, com taxas de juros mais altas, n\u00e3o \u00e9 nada connosco?<br \/>\nCada grama de sucata negociada atrav\u00e9s da corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 um crime contra o seu e o meu bem-estar.<br \/>\n3. Quando elege um deputado \u00e9 para ele represent\u00e1-lo ou para fazer favores aos seus clientes e amos? Quando apoia um partido pol\u00edtico ou um Presidente da Rep\u00fablica \u00e9 para ele pagar durante a governa\u00e7\u00e3o favores recebidos durante a campanha eleitoral? Quando se constitui um governo dito do povo (essa entidade m\u00edtica que s\u00f3 \u00e9 lembrada nos per\u00edodos eleitorais) \u00e9 para os ministros utilizarem o dinheiro dos contribuintes para garantirem empregos quando sa\u00edrem do governo?<br \/>\nCertamente que n\u00e3o.<br \/>\nAmamos a democracia e esta \u00e9 enfraquecida em cada corrup\u00e7\u00e3o concretizada.<br \/>\n4. Falamos hoje em corrup\u00e7\u00e3o porque a \"Face Oculta\" est\u00e1 em todos os notici\u00e1rios. Mas j\u00e1 fal\u00e1mos no assunto em cr\u00f3nicas anteriores (por exemplo na cr\u00f3nica n\u00ba 15, \"A Corrup\u00e7\u00e3o e os Portugueses\", em 29 de Abril deste ano) porque ela continua a existir mesmo quando n\u00e3o se fala dela.<br \/>\nContinuaremos a falar porque somos um \"pa\u00eds de corruptos\" apesar de quase todos os portugueses serem honestos.<br \/>\nContinuaremos a falar enquanto as leis n\u00e3o forem mais operacionais, os julgamentos mais c\u00e9leres e as condena\u00e7\u00f5es dos corruptores e corrompidos exemplares.<br \/>\nContinuaremos a falar enquanto o poder executivo continuar a influenciar perniciosamente o poder judicial e as investiga\u00e7\u00f5es de apuramento do crime.<br \/>\nContinuaremos a falar enquanto os portugueses forem t\u00e3o condescendentes com quem lhes espeta facas nas costas.<br \/>\nAs corrup\u00e7\u00f5es, em particular, e a fraude, em geral, s\u00e3o contagiosas. Tanto quanto a gripe. Com efeitos a longo prazo mais perniciosos para a sociedade e todos n\u00f3s do que a doen\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Pimenta, Vis\u00e3o on line, p&gt;1. Os carteiristas eram muito exigentes na forma\u00e7\u00e3o profissional. Na sua escola de especializa\u00e7\u00e3o penduravam manequins de alfaiate no tecto, vestiam-nos com um casaco, com uma carteira no bolso interior. 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