{"id":9323,"date":"2014-09-05T20:08:14","date_gmt":"2014-09-05T20:08:14","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=9323"},"modified":"2015-12-04T19:07:28","modified_gmt":"2015-12-04T19:07:28","slug":"a-elite-e-a-sociedade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=9323","title":{"rendered":"A elite e a sociedade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>\u00d3scar Afonso, Jornal i<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a title=\"A elite e a sociedade\" href=\"http:\/\/www.ionline.pt\/iopiniao\/elite-sociedade\/pag\/-1\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19 size-full\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a title=\"A elite e a sociedade\" href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/I-090.pdf \" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro pdf\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><b style=\"color: #000000;\"><\/b><\/a><\/p>\n<div class=\"field field-name-field-deck field-type-text field-label-hidden\">\n<div class=\"field field-name-field-deck field-type-text field-label-hidden\">\n<div class=\"field-items\">\n<div class=\"field-item even\">Creio que todos reconhecemos que a maioria dos dirigentes partid\u00e1rios, ministros, deputados e autarcas t\u00eam sido do tipo \"chico-espertos\"<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/I-089.pdf\" target=\"_blank\"><span style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\"><!--more--><\/span><\/a><\/p>\n<p>.<\/p>\n<p>Pensar na sociedade Portuguesa pelo menos no p\u00f3s ades\u00e3o \u00e0 ent\u00e3o CEE, em 1986, \u00e9 pensar numa sociedade progressivamente mais injusta, assente na consolida\u00e7\u00e3o de uma elite mediocre que, como <em>modus operandi<\/em>, imp\u00f4s a cultura da cunha, do amiguismo, do clientelismo e do compadrio. Recentemente o assunto adquiriu import\u00e2ncia com mais um caso \u2013 o BES<em>gate<\/em>. Sendo a elite o modelo para a maioria da popula\u00e7\u00e3o, desde logo pela visibilidade p\u00fablica, acabou por influenciar negativamente o resto da sociedade. \u00c9 verdade que h\u00e1 Portugueses not\u00e1veis em todas as \u00e1reas, mas na pol\u00edtica, que comanda, acabamos quase sempre a observar envolvimentos em nome de um \u201cbem maior\u201d: o pr\u00f3prio interesse e a agenda pessoal.<\/p>\n<p>Come\u00e7ando ent\u00e3o pela pol\u00edtica e especificando um pouco mais, creio que todos reconhecemos que a maioria dos dirigentes partid\u00e1rios, ministros, deputados e autarcas t\u00eam sido do tipo \u201cchico espertos\u201d. Qual o que claramente n\u00e3o beneficiou do cargo? Dir\u00e3o que num regime democr\u00e1tico, como o nosso, o problema \u00e9 resolvido pelo voto. A verdade \u00e9 que n\u00e3o \u00e9. Face \u00e0 respectiva mediocridade, quem comp\u00f5e os partidos pol\u00edticos criou barreiras \u00e0 entrada que limitaram a participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos restantes cidad\u00e3os. Resultado: os partidos fecharam-se, evitaram a reflex\u00e3o pol\u00edtica, e rechearam-se de \u201cmalta\u201d sem sentimento patri\u00f3tico, que desvaloriza o trabalho e o conhecimento, que vive \u00e0 custa da depend\u00eancia do Estado e que vive bem com as desigualdades sociais. Pol\u00edticos que, entre si, t\u00eam distribuido os cargos p\u00fablicos para pagar favores e fidelidades, impedindo a renova\u00e7\u00e3o e a ascens\u00e3o da compet\u00eancia. Pol\u00edticos que retaliam quando necess\u00e1rio sobre quem n\u00e3o se submete. Pol\u00edticos que confundem interesses privados e p\u00fablicos; quantos deputados est\u00e3o ligados a gabinetes de advogados com interesses no Estado ou como representantes de empresas, por exemplo? Pol\u00edticos que n\u00e3o representam os cidad\u00e3os e por causa dos quais paira o sentimento de que tudo o que \u00e9 Estado \u00e9 desperd\u00edcio. Pol\u00edticos mediocres e incompetentes que se auto-reproduzem, e muito associados a organiza\u00e7\u00f5es secretas. N\u00e3o foi, por isso, nada estranha a humilha\u00e7\u00e3o do \u00faltimo pedido de ajuda externa para evitar a bancarrota, como n\u00e3o s\u00e3o estranhos os casos de uso ou apropria\u00e7\u00e3o il\u00edcita de bens p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Depois h\u00e1 a elite econ\u00f3mica, que se foi confundindo com a pol\u00edtica. Naturalmente que a iniciativa privada tem um papel decisivo no progresso do pa\u00eds. No entanto, numa economia de mercado era suposto que a maioria dos empres\u00e1rios estivesse mais disposta a correr riscos, apostasse na sustentabilidade das empresas e evitasse apoios do Estado. Mas n\u00e3o! Todos os anos, numa esp\u00e9cie de capitalismo de compadrio, uma fatia do or\u00e7amento do Estado tem sido usada para apoiar lam\u00farias de empres\u00e1rios ricos e at\u00e9 extravagantes que apenas investem com lucros garantidos pelo Estado. Tamb\u00e9m a elite art\u00edstica n\u00e3o p\u00e1ra de reclamar subs\u00eddios do Estado. Distante da sociedade, mas pr\u00f3xima dos pol\u00edticos apoiados, s\u00f3 esporadicamente vai de encontro aos desejos de que efectivamente a suporta, com impostos. Finalmente, as elites profissionais tendem a entender as suas fun\u00e7\u00f5es numa perspectiva corporativa, pelo que os seus interesses particulares sempre se sobrep\u00f5e. Em suma, a elite pol\u00edtica foi usando o Estado para se proteger e proteger as outras elites e, quando necess\u00e1rio, usou as outras elites protegidas pelo Estado.<\/p>\n<p>Neste cen\u00e1rio, acabou por se desenvolver uma sociedade com mentalidade fatalista, pouco empreendedora, de baixas qualifica\u00e7\u00f5es escolares e profissionais, de remediados que se contentam com migalhas, de pobres que se contentam com esmolas, e que tolera (e curiosamente at\u00e9 valoriza) os que se apropriam dos bens colectivos, os que vivem bem \u00e0 custa de esquemas e os corruptos. Uma sociedade onde a economia paralela n\u00e3o p\u00e1ra de se desenvolver e que pensa logo em emigrar, desistindo do pa\u00eds, quando as coisas correm mal.<\/p>\n<p>Felizmente \u00e9 tamb\u00e9m f\u00e1cil descobrir in\u00fameros Portugueses not\u00e1veis em todas as \u00e1reas. O problema \u00e9 que a maioria ou n\u00e3o cabe em Portugal e vive fora ou n\u00e3o t\u00eam visibilidade p\u00fablica e, portanto, s\u00e3o socialmente pouco influentes. Acredito que um dos grandes contributos para a resolu\u00e7\u00e3o de muitos problemas de Portugal passa por dar outra visibilidade \u00e0queles que s\u00e3o dignos de o ser, de forma a garantir a persist\u00eancia de todos, e estimular novas atitudes, novos comportamentos sociais, novos compromissos com o bem comum e uma nova justi\u00e7a social.<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00d3scar Afonso, Jornal i Creio que todos reconhecemos que a maioria dos dirigentes partid\u00e1rios, ministros, deputados e autarcas t\u00eam sido do tipo &#8220;chico-espertos&#8221; &nbsp;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,124],"tags":[],"class_list":["post-9323","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-i"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9323","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=9323"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9323\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9467,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9323\/revisions\/9467"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=9323"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=9323"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=9323"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}