{"id":929,"date":"2009-09-24T00:00:00","date_gmt":"2009-09-24T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=929"},"modified":"2015-12-04T19:20:17","modified_gmt":"2015-12-04T19:20:17","slug":"a-prevencao-da-fraude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=929","title":{"rendered":"A Preven\u00e7\u00e3o da fraude"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Ant\u00f3nio Jo\u00e3o Maia, <\/strong><\/span><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Vis\u00e3o on line<\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/aeiou.visao.pt\/a-prevencao-da-fraude=f530261\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2010\/01\/VisaoE036.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a>[types field=\"link\"][\/types]<\/p>\n<p>Para que uma estrat\u00e9gia de preven\u00e7\u00e3o relativamente a um qualquer problema tenha o m\u00ednimo de \u00eaxito, importa que previamente os estrategas conhe\u00e7am ao menos os principais tra\u00e7os caracterizadores do problema que pretendem evitar ou reduzir, sob pena de incorrerem no risco de implementar um plano (com os necess\u00e1rios custos associados) totalmente ineficaz.<!--more--><br \/>\nO mesmo sucede naturalmente em rela\u00e7\u00e3o ao problema da fraude. Haver\u00e1 primeiro que identificar as suas caracter\u00edsticas, para depois definir e por em marcha um plano para o anular ou pelo menos reduzir.<br \/>\nRelativamente aos factores que em abstracto caracterizam o contexto de ocorr\u00eancia de uma qualquer fraude, e que, independentemente das caracter\u00edsticas pr\u00f3prias de cada organiza\u00e7\u00e3o, importar\u00e1 que se tenham em considera\u00e7\u00e3o aquando da defini\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias preventivas, parece-nos importante que se considerem os tr\u00eas componentes identificados por Donald Cressey h\u00e1 mais de cinquenta anos, no que denominou como o modelo do triangulo da fraude (1953, \"Other People\u00b4s Money: A Study in the Social Psychology of Embezzlement\", Glencoe, Free Press, Illinois).<br \/>\nDe acordo com o referido modelo te\u00f3rico, a pr\u00e1tica de um acto de natureza fraudulenta \u00e9 sempre antecedida de um processo de decis\u00e3o por parte do respectivo autor e cujo sentido parece derivar da avalia\u00e7\u00e3o que faz sobre determinados aspectos que contextualizam o seu \"aqui e agora\". Trata-se afinal de uma esp\u00e9cie de equa\u00e7\u00e3o, cujo resultado depende das tr\u00eas vari\u00e1veis que a integram e que s\u00e3o:<br \/>\n* A Press\u00e3o, pr\u00f3pria da sua vida particular, nomeadamente da que resulte de urgentes necessidades de liquidez financeira, incluindo-se aqui, a t\u00edtulo de exemplo, a exist\u00eancia de d\u00edvidas, h\u00e1bitos de jogo e, ou de consumos (de \u00e1lcool, de drogas ou at\u00e9 de outro tipo de subst\u00e2ncias). Por outro lado, esta press\u00e3o pode resultar tamb\u00e9m de simples \"necessidades\" relacionadas com a ostenta\u00e7\u00e3o de determinados s\u00edmbolos, associados \u00e0 posse de certos objectos (como autom\u00f3veis, roupas, perfumes, etc.), que fa\u00e7am o sujeito sentir-se integrado no grupo social com o qual se rev\u00ea. Em qualquer dos casos, a press\u00e3o resulta de uma necessidade premente de alcan\u00e7ar dinheiro ou bens de natureza material com valor, a fim de solucionar um problema (no primeiro caso), ou simplesmente para aumentar as disponibilidades financeiras (os dividendos resultantes da pr\u00e1tica do acto adicionam-se \u00e0s receitas normais da sua actividade profissional) para poder aceder \u00e0 posse de tais s\u00edmbolos de integra\u00e7\u00e3o social (no segundo caso);<br \/>\n* A Racionaliza\u00e7\u00e3o, entendida como a capacidade que o sujeito possui para racionalizar (interpretar e correlacionar) os diversos dados que possui sobre a realidade que o rodeia, e cujo somat\u00f3rio, entre eventuais perdas (riscos de poder vir a ser detectado e punido) e ganhos (os dividendos resultantes do acto fraudulento) o levam a decidir-se ou n\u00e3o pela pr\u00e1tica do acto. Entre estes elementos encontramos muitas vezes aspectos associados ao facto de a ac\u00e7\u00e3o fraudulenta n\u00e3o deixar v\u00edtimas individualiz\u00e1veis (ningu\u00e9m ficar\u00e1 lesado com a sua ocorr\u00eancia); aos (maus) exemplos vindos de outros colegas, a quem se ouviu relatar, ou mesmo se presenciou a pr\u00e1tica de actos semelhantes; \u00e0 exist\u00eancia de discursos sociais associados \u00e0 inefic\u00e1cia das inst\u00e2ncias de puni\u00e7\u00e3o e consequentemente a sentimentos de impunidade (por um lado, a organiza\u00e7\u00e3o dificilmente detecta as ac\u00e7\u00f5es fraudulentas praticadas e portanto a justi\u00e7a n\u00e3o as pode punir, e, por outro lado, nos casos detectados parece n\u00e3o haver not\u00edcia da respectiva puni\u00e7\u00e3o); e tamb\u00e9m a not\u00edcias frequentemente divulgadas pelos media de actos fraudulentos bem mais graves praticados por destacadas figuras do sociedade, sem que haja not\u00edcia das correspondentes puni\u00e7\u00f5es;<br \/>\n* A Oportunidade para a pr\u00e1tica de um acto de natureza fraudulenta.<br \/>\nN\u00e3o sabemos, nem o autor se pronunciou, sobre se alguma das tr\u00eas vari\u00e1veis se apresenta mais preponderante relativamente \u00e0s demais no que respeita ao resultado final do processo de tomada de decis\u00e3o para se praticar ou n\u00e3o um acto fraudulento.<br \/>\nNo entanto e apesar de as organiza\u00e7\u00f5es disporem sempre de alguma informa\u00e7\u00e3o de car\u00e1cter informal acerca dos contextos que enquadram a viv\u00eancia privada daqueles que nelas exercem fun\u00e7\u00f5es (factor que por si s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 necessariamente preditivo da ocorr\u00eancia das denominadas pr\u00e1ticas de fraude ocupacional - praticadas por funcion\u00e1rios sobre as organiza\u00e7\u00f5es onde exercem fun\u00e7\u00f5es), parece sobretudo importante que as estrat\u00e9gias de preven\u00e7\u00e3o deste tipo de ocorr\u00eancias sejam tra\u00e7adas em fun\u00e7\u00e3o do factor Oportunidade.<br \/>\nIndependentemente dos contextos de viv\u00eancia de cada sujeito, factores que, apesar de poderem ser conhecidos, as organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o conseguem alterar ou controlar, importar\u00e1 que previamente se identifiquem e caracterizem as oportunidades (incluindo as hipot\u00e9ticas) para a ocorr\u00eancia de pr\u00e1ticas fraudulentas, pois s\u00f3 a partir de tais elementos parece poss\u00edvel a concep\u00e7\u00e3o e implementa\u00e7\u00e3o de uma qualquer estrat\u00e9gia para a preven\u00e7\u00e3o da sua ocorr\u00eancia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Jo\u00e3o Maia, Vis\u00e3o on line, [types field=&#8221;link&#8221;][\/types] Para que uma estrat\u00e9gia de preven\u00e7\u00e3o relativamente a um qualquer problema tenha o m\u00ednimo de \u00eaxito, importa que previamente os estrategas conhe\u00e7am ao menos os principais tra\u00e7os caracterizadores do problema que pretendem evitar ou reduzir, sob pena de incorrerem no risco de implementar um plano (com os&hellip; 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