{"id":927,"date":"2009-09-10T00:00:00","date_gmt":"2009-09-10T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=927"},"modified":"2015-12-04T19:20:18","modified_gmt":"2015-12-04T19:20:18","slug":"a-necessidade-de-fraude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=927","title":{"rendered":"A necessidade de fraude"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Pedro Santos Moura, <\/strong><\/span><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Vis\u00e3o on line<\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/aeiou.visao.pt\/a-necessidade-de-fraude=f528464\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2010\/01\/VisaoE034.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>Em todas as actividades humanas no seio de uma sociedade, est\u00e3o subjacentes os conceitos de certo e de errado. A moral e as leis t\u00eam por objectivo a cria\u00e7\u00e3o de um contexto comum a partir destes conceitos aplicados \u00e0s ac\u00e7\u00f5es e pensamentos humanos. Sem isto n\u00e3o existiria sociedade.<!--more--><br \/>\nNo entanto, somos humanos. Temos vontades, desejos, pensamentos, inclina\u00e7\u00f5es, impulsos pr\u00f3prios e individuais, muitas vezes contr\u00e1rios aos melhores interesses da sociedade. E, por vezes, humanos como somos, fruto da nossa individualidade, empreendemos ac\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias \u00e0 moral comum e mesmo \u00e0s leis.<br \/>\n\u00c9 neste confronto permanente entre sociedade e indiv\u00edduo que se define grande parte da vida humana. \u00c9 tamb\u00e9m aqui que se definem as fronteiras, as margens, entre o que \u00e9 aceit\u00e1vel e o que n\u00e3o o \u00e9, em termos de sociedade.<br \/>\nAssuma-se que todos temos tend\u00eancias desviantes em potencial, que podem ou n\u00e3o ser concretizadas. E entenda-se tamb\u00e9m que estes comportamentos desviantes n\u00e3o s\u00e3o uma pervers\u00e3o do ser humano: s\u00e3o algo inerente (e necess\u00e1rio) \u00e0 pr\u00f3pria exist\u00eancia da sociedade; uma resposta do 'indiv\u00edduo' \u00e0 tirania limitadora da 'sociedade', que permite a exist\u00eancia de um equil\u00edbrio din\u00e2mico na fronteira entre o que \u00e9 e n\u00e3o \u00e9 permitido.<br \/>\n\u00c9 nesta fronteira que podemos situar a tem\u00e1tica de fundo deste artigo: a fraude. \u00c9 tese (pol\u00e9mica) deste artigo que a fraude \u00e9, enquanto comportamento desviante, algo que deve ser encarado como inerente (e mesmo necess\u00e1rio) ao pr\u00f3prio funcionamento da sociedade, das organiza\u00e7\u00f5es e institui\u00e7\u00f5es e dos indiv\u00edduos.<br \/>\nO que \u00e9 a fraude, sen\u00e3o o fruto de uma necessidade (ter bens ou vantagens que n\u00e3o se obteriam de outra forma), de uma possibilidade (a no\u00e7\u00e3o que o acto individual pode escapar \u00e0 vigil\u00e2ncia da sociedade) e de uma racionaliza\u00e7\u00e3o (a mudan\u00e7a do referencial, da tal fronteira que marca, para o indiv\u00edduo, o que \u00e9 aceite e o que n\u00e3o \u00e9 aceite)?<br \/>\nDo ponto de vista do indiv\u00edduo, \u00e9 esta a receita para a perpetra\u00e7\u00e3o de actos fraudulentos. O que come\u00e7a como a satisfa\u00e7\u00e3o de uma necessidade pessoal, resulta na altera\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria defini\u00e7\u00e3o do mesmo das fronteiras do que \u00e9 e n\u00e3o \u00e9 l\u00edcito perante a sociedade. Quem cometeu uma fraude vai, muito provavelmente (e enquanto n\u00e3o for apanhado) repetir a dose. Ap\u00f3s a primeira 'trai\u00e7\u00e3o', surge a auto-justifica\u00e7\u00e3o para actos continuados.<br \/>\nDo ponto de vista das organiza\u00e7\u00f5es, a fraude \u00e9 um enorme risco, quer do ponto de vista quantitativo, quer do ponto de vista qualitativo, nomeadamente aos n\u00edveis de ambiente organizacional, imagem\/reputa\u00e7\u00e3o e sustentabilidade a prazo). As estimativas apontam para cerca dos 10% de receitas para \u00e1reas como os impostos e os seguros de sa\u00fade ou autom\u00f3vel.<br \/>\nInfelizmente ainda \u00e9 observada uma atitude negligente, mesmo de auto-nega\u00e7\u00e3o, de muitas organiza\u00e7\u00f5es no que toca a este fen\u00f3meno end\u00e9mico. Esta atitude tem resultados muito objectivos: a fraude tamb\u00e9m funciona em mercado; onde for mais 'lucrativo' e 'f\u00e1cil' perpetrar fraude, \u00e9 a\u00ed que tal ir\u00e1 acontecer. Ou seja, as organiza\u00e7\u00f5es mais conscientes e activas na preven\u00e7\u00e3o e combate \u00e0 fraude ir\u00e3o empurrar este fen\u00f3meno para as organiza\u00e7\u00f5es que tenham atitudes mais passivas e ineficazes em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo.<br \/>\nE as organiza\u00e7\u00f5es mais inteligentes saber\u00e3o, inclusive, aproveitar a press\u00e3o imposta pela fraude para identificarem zonas de risco e para se motivarem para melhorias cont\u00ednuas dos seus processos (e resultados) de neg\u00f3cio. Passar de uma atitude de inobserv\u00e2ncia relativamente \u00e0 fraude para uma postura que encare a fraude (ou melhor o seu combate) como um desafio e uma oportunidade de melhoria cont\u00ednua \u00e9 sinal de uma organiza\u00e7\u00e3o madura, voltada para a sua envolvente externa e orientada para um futuro de sustentabilidade e crescimento.<br \/>\nA chave para minimizar o risco de ocorr\u00eancia de fraude est\u00e1 no entendimento das raz\u00f5es pelas quais esta ocorre, na identifica\u00e7\u00e3o de \u00e1reas de neg\u00f3cio de risco, e na implementa\u00e7\u00e3o de procedimentos e sistemas que visem reduzir a vulnerabilidade destas \u00e1reas.<br \/>\nAs organiza\u00e7\u00f5es devem utilizar uma mistura de meios para combater fraude, entre os quais se encontram a formula\u00e7\u00e3o de um C\u00f3digo de \u00c9tica e uma Pol\u00edtica de Fraude formal e conhecida por todos, Auditorias, externas e internas, e Sistemas de Informa\u00e7\u00e3o de Monitoriza\u00e7\u00e3o e Detec\u00e7\u00e3o de Fraude. Estes \u00faltimos s\u00e3o uma componente essencial, uma vez que permitem implementar solu\u00e7\u00f5es que utilizem a informa\u00e7\u00e3o existente nas organiza\u00e7\u00f5es para suportar o combate a este fen\u00f3meno de forma autom\u00e1tica, consistente, din\u00e2mica e adapt\u00e1vel no tempo \u00e0s novas formas de fraude que sempre v\u00e3o surgindo.<br \/>\nSendo a fraude um fen\u00f3meno estrutural e inerente \u00e0 sociedade, h\u00e1 que aproveit\u00e1-la, n\u00e3o ignor\u00e1-la. Esta diferen\u00e7a \u00e9 apenas mais uma vari\u00e1vel, se bem que da maior import\u00e2ncia, por atacar directamente o bottom-line, na equa\u00e7\u00e3o da competitividade e sustentabilidade do neg\u00f3cio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pedro Santos Moura, Vis\u00e3o on line, Em todas as actividades humanas no seio de uma sociedade, est\u00e3o subjacentes os conceitos de certo e de errado. 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