{"id":923,"date":"2009-08-13T00:00:00","date_gmt":"2009-08-13T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=923"},"modified":"2015-12-04T19:20:19","modified_gmt":"2015-12-04T19:20:19","slug":"quem-e-a-proxima-vitima-de-fraude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=923","title":{"rendered":"Quem \u00e9 a pr\u00f3xima v\u00edtima de fraude?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, <span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Vis\u00e3o on line<\/strong><\/span><\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/aeiou.visao.pt\/quem-e-a-proxima-vitima-de-fraude=f525489\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2010\/01\/VisaoE030.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>L\u00ea-se e n\u00e3o se acredita. O Jornal de Neg\u00f3cios de 2\/7\/2009 referia: \"O Minist\u00e9rio P\u00fablico est\u00e1 a investigar um caso de fraude no qual uma empresa fict\u00edcia prometia lucros de 1% ao dia, avan\u00e7a o \"i\". Estima-se que tenham sido enganados mais de 200 portugueses, que investiram montantes superiores a um milh\u00e3o de euros.<!--more--> Uma empresa com morada fict\u00edcia na Su\u00ed\u00e7a prometia juros de 36% ao m\u00eas e comiss\u00f5es por cada investidor angariado. Dez mil euros poderiam converter-se em 640 mil no espa\u00e7o de um ano. Em poucos meses, a empresa que operava atrav\u00e9s da internet desapareceu \u2026\".<br \/>\nC\u00e1 est\u00e3o, em todo o seu esplendor, os ingredientes tradicionais de uma fraude simples mas eficiente: promessa de altas remunera\u00e7\u00f5es sem men\u00e7\u00e3o ao risco subjacente; a sugest\u00e3o de que se trata de uma oportunidade a que s\u00f3 poucos \"eleitos\" conseguem aceder (\"Os pormenores do neg\u00f3cio passavam sempre de amigo para amigo. E a gente ia na onda\", resume em poucas palavras F. N., empres\u00e1ria lesada em 26 mil euros). Basta adicionar a dose q.b. de gan\u00e2ncia e est\u00e1 pronto a servir.<br \/>\nFoi assim com a D. Branca, a \"banqueira do povo\", mais recentemente com a fraude de Robert Madoff (acabado de condenar a 150 anos de cadeia) ou com as \"cartas da Nig\u00e9ria\" que chegam via e-mail e retratam as m\u00e1goas de uma vi\u00fava que tem uma fortuna para deixar e n\u00e3o possui herdeiros. Casos aparentemente diversos mas que mais n\u00e3o s\u00e3o do que vers\u00f5es modernas, mais ou menos sofisticadas, da c\u00e9lebre fraude do \"embrulho de notas\" que algu\u00e9m encontrava ca\u00eddo na rua e pedia a um incauto transeunte para guardar por momentos, que ainda por cima tinha de entregar uma garantia em como n\u00e3o fugiria com as \"notas\". \u00c9 claro que, demasiado tarde, esse incauto vinha a verificar tratar-se de um mero embrulho de pap\u00e9is de jornal.<br \/>\n\u00c9 terreno f\u00e9rtil o deste tipo de fraudes. H\u00e1 sempre \"volunt\u00e1rios\" prontos a encarnarem no papel das incautas v\u00edtimas. \u00c9 como se a mem\u00f3ria n\u00e3o retivesse a informa\u00e7\u00e3o de casos anteriores, \u00e9 como se ela fosse muito curta para reter as not\u00edcias desagrad\u00e1veis. Dizem os tratados de psiquiatria que a capacidade de esquecer o que de mau vai acontecendo \u00e9 sinal de uma mente humana s\u00e3. Talvez seja. Mas que isso provoca situa\u00e7\u00f5es caricatas, e penosas, provoca. Como dizia um pensador, de quem n\u00e3o retive o nome: qu\u00e3o mais feliz seria a Humanidade se cada um aprendesse com os erros dos outros.<br \/>\nMas a mente humana, e a sua incapacidade para reter a informa\u00e7\u00e3o do passado, poder\u00e1 n\u00e3o ser a \u00fanica culpada do sucesso deste tipo de fraudes. Talvez a principal seja a gan\u00e2ncia, traduzida no desejo do ser humano em querer ganhar muito sem esfor\u00e7o. Tende a funcionar como uma esp\u00e9cie de pel\u00edcula opaca que impede o sujeito de se aperceber da realidade em toda a sua plenitude. E se esse sentimento se conjugar no tempo com a sensa\u00e7\u00e3o de que se est\u00e1 a ter uma vantagem relativamente aos outros cidad\u00e3os - a sensa\u00e7\u00e3o de que se trata de uma oportunidade \u00fanica s\u00f3 acess\u00edvel a uns poucos -, ent\u00e3o a opacidade provocada pela gan\u00e2ncia \u00e9 maximizada.<br \/>\nMas chega sempre o fim da \"festa\", a dura realidade de se ter sido v\u00edtima de mais um esquema fraudulento. E ao impacto financeiro, nem sempre modesto - pois as \"oportunidades \u00fanicas\" s\u00e3o de aproveitar em toda a sua plenitude -, junta-se a vergonha social de ter sido trapaceado. Evita-se dar a cara, procura-se arranjar um ou mais culpados para a situa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nOs organismos de supervis\u00e3o, bem como as for\u00e7as policiais, t\u00eam por obriga\u00e7\u00e3o, em termos gerais, proteger os cidad\u00e3os dos perigos a que est\u00e3o sujeitos. O que n\u00e3o podem \u00e9 andar com cada cidad\u00e3o pela m\u00e3o. A sua actua\u00e7\u00e3o faz-se sentir por via das frequentes campanhas de sensibiliza\u00e7\u00e3o que patrocinam. Relembrem-se, por exemplo, as regulares chamadas de aten\u00e7\u00e3o das autoridades financeiras para as cautelas a ter face a propostas de investimentos em que s\u00e3o oferecidas remunera\u00e7\u00f5es acima da m\u00e9dia que se consegue obter nas institui\u00e7\u00f5es financeiras da pra\u00e7a. Enfatizam o facto dessa remunera\u00e7\u00e3o trazer associada um elevado risco de perda do capital investido ou, ent\u00e3o, de se tratar de esquema fraudulento destinado a \"aliviar\" os incautos das suas poupan\u00e7as.<br \/>\n\u00c9 claro que a autonomia de cada cidad\u00e3o adulto \u00e9 um dos pilares das sociedades livres ocidentais, um valor inestim\u00e1vel. Tem subjacente, necessariamente, que cada um \u00e9 respons\u00e1vel pelos seus actos e pelos resultados deles derivados. Para o bem, quando esse resultado \u00e9 vantajoso, e para o mal, quando \u00e9 prejudicial. N\u00e3o faz sentido, portanto, em tal contexto s\u00f3cio-legal, procurar alijar-se a responsabilidade do sujeito quando \u00e9 defraudado por ter decidido, por sua conta e risco, lan\u00e7ar-se em investimentos e ou aplica\u00e7\u00f5es que, \u00e0 partida, deixariam entender, a um cidad\u00e3o menos dominado pela gan\u00e2ncia, um desfecho indesejado.<br \/>\nInfelizmente, em Portugal o papel paternalista desempenhado pelo Estado tende a favorecer um comportamento individual de tipo desresponsabilizante. Quando a \"coisa\" corre bem, o cidad\u00e3o embolsa e regozija-se do seu sucesso; quando corre mal, ai Jesus que a culpa \u00e9 do Estado ou, numa vers\u00e3o mais suave, que este tem de ajudar a compor as coisas, reembolsando os defraudados dos preju\u00edzos incorridos. Este comportamento, que \u00e9 transversal a todas as classes sociais e actividades profissionais, poderia ser ilustrado com alguns exemplos recentes.<br \/>\nN\u00e3o me admirarei nada, portanto, se dentro de algum tempo constatar que as \"V\u00edtimas da fraude dos 36% ao m\u00eas\" - o nome \u00e9 da minha autoria, mas n\u00e3o foi registado e por isso pode ser utilizado por eventuais interessados - se transformaram em grupo de press\u00e3o e reclamam do Estado, isto \u00e9, de todos n\u00f3s contribuintes, o ressarcimento dos preju\u00edzos que sofreram. Estou a falar a s\u00e9rio. Ficarei muito menos admirado do que fiquei ao tomar conhecimento de que essas \"v\u00edtimas\" se deixaram levar num \"conto do vig\u00e1rio\" t\u00e3o \u2026 infantil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, Vis\u00e3o on line, L\u00ea-se e n\u00e3o se acredita. 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