{"id":922,"date":"2009-08-06T00:00:00","date_gmt":"2009-08-06T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=922"},"modified":"2015-12-04T19:20:19","modified_gmt":"2015-12-04T19:20:19","slug":"a-sombra-decresce","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=922","title":{"rendered":"A sombra (de)cresce"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Oscar Afonso, <\/strong><\/span><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Vis\u00e3o on line<\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/aeiou.visao.pt\/a-sombra-decresce=f524573\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2010\/01\/VisaoE029.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>A Macroeconomia analisa a economia como um todo, procedendo \u00e0 agrega\u00e7\u00e3o de actividades semelhantes, conduzidas por diferentes agentes (fam\u00edlias, empresas, estado e resto do mundo). Trata-se de uma perspectiva de olhar a economia que est\u00e1 interessada na sua evolu\u00e7\u00e3o global; em particular, est\u00e1 tradicionalmente interessada no andamento do produto (usualmente medido pelo Produto Interno Bruto), do emprego e dos pre\u00e7os.<!--more--><br \/>\nEm termos temporais, no curto prazo a preocupa\u00e7\u00e3o da an\u00e1lise centra-se na conjuntura ou ciclos econ\u00f3micos, e o objectivo central \u00e9 a atenua\u00e7\u00e3o das flutua\u00e7\u00f5es das vari\u00e1veis acima referidas; ou seja, a Macroeconomia no curto prazo procura encontrar meios para que produto real e desemprego efectivos estejam o mais pr\u00f3ximo poss\u00edvel dos valores naturais ou potenciais, e a taxa de infla\u00e7\u00e3o seja constante. No entanto, porque uma forte estabilidade conjuntural n\u00e3o garante um r\u00e1pido e sustent\u00e1vel crescimento econ\u00f3mico, no longo prazo a preocupa\u00e7\u00e3o da Macroeconomia \u00e9 com a estrutura ou crescimento econ\u00f3mico. Neste caso, o objectivo \u00e9 conseguir obter um crescimento do produto per capita capaz de proporcionar uma cont\u00ednua melhoria do n\u00edvel de vida.<br \/>\nEis o ponto de partida para compreendermos a rela\u00e7\u00e3o entre a \"economia sombra\" (ou n\u00e3o-registada) e a \"an\u00e1lise tradicional do crescimento econ\u00f3mico pela via da oferta\".<br \/>\nComecemos por nos referirmos a esta. Baseia-se em modelos de equil\u00edbrio geral no sentido em que, mesmo nas vers\u00f5es mais simples, contempla n\u00e3o apenas o sector produtivo (empresas), que desejam maximizar os lucros, mas tamb\u00e9m os indiv\u00edduos, que desejam maximizar a sua utilidade inter-temporal fortemente dependente do consumo realizado ao longo do tempo.<br \/>\nA maximiza\u00e7\u00e3o inter-temporal da utilidade por parte dos indiv\u00edduos est\u00e1 sujeita a decis\u00f5es quanto ao tempo e quanto ao rendimento. Assim, quanto ao tempo, os indiv\u00edduos ter\u00e3o de decidir entre trabalhar, acumular compet\u00eancias e lazer. Mais tempo dedicado ao trabalho hoje, por exemplo, significa maior rendimento presente, mas provavelmente menor rendimento futuro, j\u00e1 que assim \u00e9 descorada actualmente a melhoria qualitativa do factor trabalho (componente forma\u00e7\u00e3o). Relativamente ao rendimento, os indiv\u00edduos ter\u00e3o de decidir entre consumo presente e consumo futuro (poupan\u00e7a). Mais consumo presente significa mais utilidade actual. Mais poupan\u00e7a presente - em \u00faltima an\u00e1lise materializada em t\u00edtulos representativos do capital social das empresas - representa a possibilidade de obter maior consumo futuro e, assim, mais utilidade no futuro.<br \/>\nA maximiza\u00e7\u00e3o dos lucros por parte das empresas - detidas, recorde-se, pelos indiv\u00edduos, na sequ\u00eancia da poupan\u00e7a que efectuam - exige tamb\u00e9m tomada de decis\u00f5es quanto aos factores produtivos a utilizar tendo em conta o respectivo pre\u00e7o. Resulta tamb\u00e9m claro que a n\u00edvel macroecon\u00f3mico o valor agregado da produ\u00e7\u00e3o dessas empresas, em cada momento do tempo, corresponde ao produto e, portanto, aos recursos que est\u00e3o parcialmente dispon\u00edveis para investimento, nomeadamente em capital f\u00edsico, em investiga\u00e7\u00e3o e em forma\u00e7\u00e3o. Em suma, o uso do produto (recursos) actual permite a expans\u00e3o quantitativa e qualitativa de factores produtivos e, assim, do produto futuro. Por conseguinte, quanto maior o produto actual e a percentagem de recursos afectos ao investimento, maior ser\u00e1 o crescimento potencial da quantidade e da qualidade dos factores produtivos e, como tal, melhor ser\u00e1 o n\u00edvel de vida futuro.<br \/>\nEnquanto esta an\u00e1lise \u00e9 feita e serve de suporte \u00e0s pr\u00e1ticas pol\u00edticas a economia sombra continua a existir e a interferir, ora numa din\u00e2mica complementar ora aut\u00f3noma, inevitavelmente intervindo na din\u00e2mica econ\u00f3mica e no nosso quotidiano.<br \/>\nEnglobe-se na denominada economia sombra a produ\u00e7\u00e3o ilegal, a fiscalmente oculta, a informal e a para uso pr\u00f3prio. Naturalmente que quanto maior o peso da economia sombra numa sociedade, menor ser\u00e1 o produto oficial e, portanto, menos recursos haver\u00e1 para afectar \u00e0 fonte de crescimento: o investimento. Em suma, creio que perante este cen\u00e1rio \u00e9 poss\u00edvel afirmar que, a menos que os recursos da economia sombra sejam afectos a investimento - o que pode significar aumento das actividades ilegais ou branqueamento de capitais -, o que se afigura pouco prov\u00e1vel, mais economia sombra significar\u00e1 menor crescimento, menor usufruto para a generalidade dos cidad\u00e3os!<br \/>\nCom cerca de 21% do produto legal em economia sombra podemos ignorar esta situa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Oscar Afonso, Vis\u00e3o on line, A Macroeconomia analisa a economia como um todo, procedendo \u00e0 agrega\u00e7\u00e3o de actividades semelhantes, conduzidas por diferentes agentes (fam\u00edlias, empresas, estado e resto do mundo). 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