{"id":920,"date":"2009-07-23T00:00:00","date_gmt":"2009-07-23T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=920"},"modified":"2015-12-04T19:20:19","modified_gmt":"2015-12-04T19:20:19","slug":"negocio-da-caixa-ja-rende-39-milhoes-ignorancia-ou-algo-mais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=920","title":{"rendered":"\u00abNeg\u00f3cio da Caixa j\u00e1 rende 39 milh\u00f5es\u00bb. Ignor\u00e2ncia ou algo mais?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, <span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Vis\u00e3o on line<\/strong><\/span><\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/aeiou.visao.pt\/negocio-da-caixa-ja-rende-39-milhoes-ignorancia-ou-algo-mais=f522974\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2010\/01\/VisaoE027.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>1. Supostamente, o neg\u00f3cio n\u00e3o era para ser conhecido pela opini\u00e3o p\u00fablica. Mas uma fuga de informa\u00e7\u00e3o trouxe-o em Fevereiro para a capa dos jornais. Acabou, mesmo, por merecer a aten\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o de Economia e Finan\u00e7as, que lhe dedicou mais uma das suas inconsequentes audi\u00e7\u00f5es parlamentares.<!--more--><br \/>\n2. Um dos princ\u00edpios b\u00e1sicos da \u00e9tica empresarial \u00e9 o de que um neg\u00f3cio deve proporcionar contrapartidas equilibradas a ambas as partes envolvidas. Por\u00e9m, no caso em apre\u00e7o, com excep\u00e7\u00e3o do presidente da Caixa Geral de Dep\u00f3sitos (CGD), que era parte signat\u00e1ria, ningu\u00e9m mais parece ter percebido onde estava esse equil\u00edbrio que, dado o risco envolvido, se apresentava nitidamente desfavor\u00e1vel a esta institui\u00e7\u00e3o.<br \/>\n3. Relembre-se o caso. A CGD em tempos tinha emprestado dinheiro ao empres\u00e1rio Manuel Fino para adquirir ac\u00e7\u00f5es em empresas cotadas, tendo ele entregue como garantia um lote de ac\u00e7\u00f5es correspondente a cerca de 10% do capital da Cimpor. Com a queda das bolsas, essa garantia deixou de cobrir o valor do empr\u00e9stimo e, face \u00e0 incapacidade do empres\u00e1rio para a complementar, o neg\u00f3cio tomou forma: a CGD compra esse lote de ac\u00e7\u00f5es ao empres\u00e1rio, a 4,75 \u20ac cada (pre\u00e7o superior em cerca de 25% ao que vigorava nessa altura no mercado); o empres\u00e1rio passa a ter uma op\u00e7\u00e3o de compra sobre referido lote, por um prazo de 3 anos e ao mesmo pre\u00e7o de 4,75 Euros; caso a venha a exercer, remunerar\u00e1 a CGD, pelo capital envolvido e prazo decorrido, a uma taxa entre 6 e 8% ao ano.<br \/>\n4. Tenha-se presente que uma op\u00e7\u00e3o de compra d\u00e1 ao seu detentor o direito, mas n\u00e3o a obriga\u00e7\u00e3o, de comprar um determinado activo a um pre\u00e7o (de exerc\u00edcio) definido \u00e0 partida. Portanto, no futuro, caso a cota\u00e7\u00e3o das ac\u00e7\u00f5es venha a subir acima dos 4,75 Euros, o empres\u00e1rio tender\u00e1 a exercer a dita op\u00e7\u00e3o, recomprando as ac\u00e7\u00f5es; caso a cota\u00e7\u00e3o baixe, n\u00e3o o far\u00e1 e a menos-valia resultante ser\u00e1 suportada pela CGD. Repare-se no gr\u00e1fico seguinte, cujas zonas sombreadas representam, para o horizonte temporal de um ano e valores por ac\u00e7\u00e3o, as possibilidades de perda (eixo vertical, abaixo de zero) e de ganho desta institui\u00e7\u00e3o. Como se constata visualmente, as perdas potenciais s\u00e3o de longe superiores aos hipot\u00e9ticos ganhos (que ser\u00e3o sempre limitados). Da\u00ed o n\u00e3o se ter conseguido perceber onde est\u00e1 o equil\u00edbrio das contrapartidas do neg\u00f3cio.<br \/>\n5. Rapidamente o assunto deixou de ser not\u00edcia. Tanto quanto \u00e9 do conhecimento p\u00fablico, n\u00e3o foram assacadas quaisquer responsabilidades \u00e0 administra\u00e7\u00e3o da CGD. Como \"accionista\" desta institui\u00e7\u00e3o - categoria que \u00e9 justificada pela minha cidadania portuguesa - senti-me defraudado; como cidad\u00e3o, considerei-me negativamente discriminado face ao empres\u00e1rio Manuel Fino, por n\u00e3o me ter sido dada a oportunidade de ser contraparte num neg\u00f3cio financeiramente t\u00e3o vantajoso.<br \/>\n6. Eis quando, j\u00e1 dilu\u00edda a amarga sensa\u00e7\u00e3o de sentirmos que a \"coisa p\u00fablica\" est\u00e1 a saque, o Di\u00e1rio Econ\u00f3mico de 16 de Julho volta ao assunto, titulando a p\u00e1gina inteira que \"Neg\u00f3cio da Caixa com Manuel Fino j\u00e1 rende 34 milh\u00f5es\". O texto da pe\u00e7a jornal\u00edstica segue de perto o teor do t\u00edtulo, deixando latente uma defesa sem questionamento da referida opera\u00e7\u00e3o. Segundo os autores que assinaram a pe\u00e7a, \"a opera\u00e7\u00e3o, que suscitou enorme pol\u00e9mica e cr\u00edticas sobre o eventual favorecimento ao empres\u00e1rio, permite ao banco p\u00fablico acumular uma mais-valia potencial de 33,5 milh\u00f5es de euros\". Como acima referi e pode ser visualizado no gr\u00e1fico, a manter-se o actual pre\u00e7o das ac\u00e7\u00f5es (cerca de 5,27 \u20ac) a mais-valia n\u00e3o \u00e9 da CGD, mas sim do empres\u00e1rio, por via da dita op\u00e7\u00e3o de compra. Aquela apenas receber\u00e1 o juro acordado.<br \/>\n7. Pode avaliar-se esta pe\u00e7a de duas perspectivas distintas. A primeira, considera que os seus dois autores n\u00e3o sabem do que est\u00e3o a falar. O que \u00e9 pouco prov\u00e1vel, dado tratar-se de um reputado jornal da \"especialidade\". A segunda, e mais veros\u00edmil em minha opini\u00e3o, olha esta pe\u00e7a como consubstanciando uma \"lavagem\" deliberada e ostensiva da opera\u00e7\u00e3o e da responsabilidade de quem a subscreveu.<br \/>\n8. S\u00e3o pe\u00e7as deste teor que me deixam muito c\u00e9ptico em rela\u00e7\u00e3o ao nosso futuro colectivo. Elas contribuem para fomentar a minha sensa\u00e7\u00e3o de que os \"media\" em vez de serem meio para despertar a consci\u00eancia social para a corrup\u00e7\u00e3o, que se vai instalando a todos os n\u00edveis da sociedade, se v\u00e3o tornando em aut\u00eanticas m\u00e1quinas de \"lavagem\" de reputa\u00e7\u00f5es, contribuindo para a opacidade necess\u00e1ria \u00e0 propaga\u00e7\u00e3o dessa mesma corrup\u00e7\u00e3o.<br \/>\n9. Num pa\u00eds onde a Justi\u00e7a n\u00e3o funciona, se o contrapoder eticamente respons\u00e1vel que se esperaria dos \"media\" deixar de existir, tender\u00e1 a acontecer o mesmo que nas cidades do velho oeste americano, imortalizadas nos \"westerns\" da minha inf\u00e2ncia: os bandidos aparecer\u00e3o em for\u00e7a e tudo ser\u00e1 submetido \u00e0 respectiva vontade. Com uma diferen\u00e7a. N\u00e3o haver\u00e1 \"xerife justiceiro\" que nos venha salvar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, Vis\u00e3o on line, 1. Supostamente, o neg\u00f3cio n\u00e3o era para ser conhecido pela opini\u00e3o p\u00fablica. Mas uma fuga de informa\u00e7\u00e3o trouxe-o em Fevereiro para a capa dos jornais. 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