{"id":918,"date":"2009-07-09T00:00:00","date_gmt":"2009-07-09T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=918"},"modified":"2015-12-04T19:20:20","modified_gmt":"2015-12-04T19:20:20","slug":"a-fraude-como-um-acto-de-egoismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=918","title":{"rendered":"A fraude como um acto de ego\u00edsmo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Ant\u00f3nio Jo\u00e3o Maia, <\/strong><\/span><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Vis\u00e3o on line<\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/aeiou.visao.pt\/a-fraude-como-um-acto-de-egoismo=f515847\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2010\/01\/VisaoE025.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>Em certo sentido podemos aceitar que os modelos de organiza\u00e7\u00e3o e funcionamento das Sociedades Humanas se posicionam algures num ponto interm\u00e9dio de uma linha cujos extremos s\u00e3o, a um lado, formas de relacionamento interpessoal marcadas pelo ego\u00edsmo e unicamente pela defesa dos interesses pessoais de cada sujeito face aos que o rodeiam, e, a outro lado, por formas de relacionamento interpessoal altru\u00edstas, em que os sujeitos se inter-relacionam de uma forma pac\u00edfica, sempre animados por uma l\u00f3gica de colocar acima de tudo o denominado bem comum.<!--more--><br \/>\nApesar de nunca se posicionarem exactamente nos extremos, \u00e9 evidente que os modelos de organiza\u00e7\u00e3o social que se conhecem se aproximam mais de um ou de outro extremo, ou, o que \u00e9 mais comum, \u00e9, ao longo do seu processo hist\u00f3rico-evolutivo, irem-se aproximando ora de um ora de outro. Se por vezes os contextos de relacionamento social parecem aproximar-se predominantemente do ego\u00edsmo, em que as pessoas quase deixam de se respeitar umas \u00e0s outras, vivendo quase numa l\u00f3gica de \"salve-se quem puder\", noutros momentos esses contextos parecem deixar adivinhar rela\u00e7\u00f5es sociais baseadas numa s\u00e3 e franca solidariedade social. Apesar desta descri\u00e7\u00e3o assim fria e simplista, \u00e9 claro que nem todos os sujeitos de uma qualquer sociedade s\u00e3o ego\u00edstas ou altru\u00edstas em todas as situa\u00e7\u00f5es das suas vidas. H\u00e1, isso sim, situa\u00e7\u00f5es em que num mesmo intervalo de tempo, uma grande maioria das rela\u00e7\u00f5es sociais estabelecidas pelos sujeitos parece aproximar-se mais de um extremo do que do outro.<br \/>\nOs factores que em regras comandam estas oscila\u00e7\u00f5es s\u00e3o, por um lado, os valores cultivados pela pr\u00f3pria Sociedade e a forma como eles s\u00e3o propagados pelos sujeitos, nomeadamente como s\u00e3o incutidos nos novos membros (atrav\u00e9s dos denominados processos de socializa\u00e7\u00e3o), e as san\u00e7\u00f5es aplicadas aqueles cuja actua\u00e7\u00e3o contrarie as normas que a Sociedade estabelece com base em tais valores. Assim se num determinado intervalo de tempo e numa determinada Sociedade, os valores prevalecentes forem fortes, os sujeitos estiverem bem socializados (fortemente integrados na sociedade por acreditarem em tais valores) e os prevaricadores (aqueles que desrespeitam as normas - e os valores em que elas se baseiam) forem sancionados de forma considerada justa, o modelo de funcionamento desta Sociedade tender\u00e1 provavelmente a estar mais pr\u00f3ximo do que se disse ser o altru\u00edsmo, ou seja mais em favor dos interesses comuns. Ao inv\u00e9s, se os valores forem fracos, por se encontrarem por exemplo em muta\u00e7\u00e3o (situa\u00e7\u00e3o que, como refere E. Durkheim no seu modelo te\u00f3rico de \"anomia\", deixa os sujeitos em situa\u00e7\u00e3o de alguma ang\u00fastia \"an\u00f3mica\", por desconhecerem quais os padr\u00f5es de actua\u00e7\u00e3o prevalecentes), ou se, independentemente de serem mais ou menos fortes, esses valores n\u00e3o estiverem convenientemente apreendidos e interiorizados pelos sujeitos (porque por exemplo o sistema de socializa\u00e7\u00e3o tem falhado na sua fun\u00e7\u00e3o), ou ainda porque o sistema sancionat\u00f3rio d\u00ea mostras de tamb\u00e9m ele estar em falha (por n\u00e3o aplicar as respectivas san\u00e7\u00f5es aos sujeitos que d\u00e3o sinais de ter desrespeitado as normas), os sujeitos (nomeadamente aqueles que ainda acreditam nos valores e cumpram as normas) podem ser mais facilmente tentados a aproximar-se no p\u00f3lo ego\u00edsta, ou seja a nortearem, de forma crescente, as suas rela\u00e7\u00f5es sociais unicamente em fun\u00e7\u00e3o dos seus interesses pessoais, independentemente de estes concordarem ou serem contr\u00e1rios aos interesses colectivos.<br \/>\nEm nosso entender este parece ser, pelo menos em parte, um dos factores explicativos para a situa\u00e7\u00e3o que presentemente parece subsistir em termos da ocorr\u00eancia de situa\u00e7\u00f5es de Fraude, sejam elas de que natureza forem. Quando, por exemplo, um cidad\u00e3o tem a percep\u00e7\u00e3o de estar diante de uma franca possibilidade de n\u00e3o pagar a totalidade dos impostos que, de acordo com a taxa legal, deveria pagar, e, em fun\u00e7\u00e3o dessa percep\u00e7\u00e3o, decide n\u00e3o declarar todos os seus rendimentos, reduzindo assim o montante dos impostos a pagar e incrementando, atrav\u00e9s deste processo, a qualidade das suas F\u00e9rias, esquecendo que, ao contr\u00e1rio, se efectuasse esse pagamento (como seria socialmente expect\u00e1vel), a Sociedade no seu todo beneficiaria por exemplo de obras de melhoria num tro\u00e7o de uma estrada municipal, ou de um parque infantil no jardim de um bairro, est\u00e1 a tomar a sua decis\u00e3o tendo como base os seus interesses pessoais, que colocou acima dos interesses colectivos.<br \/>\nNeste contexto e sem colocar de parte que possamos estar efectivamente a atravessar um profundo processo de altera\u00e7\u00e3o de valores sociais (em resultado dessa aut\u00eantica revolu\u00e7\u00e3o chamada globaliza\u00e7\u00e3o), ou que as frequentes convuls\u00f5es vividas no seio do sistema de ensino possam reduzir a efic\u00e1cia da sua fun\u00e7\u00e3o socializadora (a este aspecto podemos ainda acrescentar alguma turbul\u00eancia no seio de uma das mais fortes institui\u00e7\u00f5es de uma qualquer sociedade, que \u00e9 a fam\u00edlia), parece que o sentimento de impunidade reinante (que v\u00e1rios estudos sociol\u00f3gicos nacionais e internacionais demonstram existir) pode ajudar a explicar os sinais crescentes de ocorr\u00eancia de Fraudes, algumas delas de dimens\u00e3o consider\u00e1vel. Em nosso entender e como j\u00e1 tivemos oportunidade de afirmar noutros textos anteriores, \u00e9 importante que o sistema de justi\u00e7a seja eficaz na aplica\u00e7\u00e3o de san\u00e7\u00f5es \u00e0s situa\u00e7\u00f5es confirmadas de Fraude (bem assim como de outras infrac\u00e7\u00f5es de natureza econ\u00f3mica e financeira, como o caso flagrante e t\u00e3o badalado do crime de Corrup\u00e7\u00e3o) e em complemento que essas san\u00e7\u00f5es sejam ajustadamente divulgadas atrav\u00e9s da opini\u00e3o p\u00fablica, por forma a que o sentimento de impunidade se reduza e, atrav\u00e9s dessa redu\u00e7\u00e3o, os futuros potenciais prevaricadores mais dificilmente se decidam pela pr\u00e1tica de actos de natureza semelhante, sempre que a oportunidade para tal se lhes depare.<br \/>\nFinalizo com uma passagem de um filme de banda desenhada que ficou famoso h\u00e1 uns anos atr\u00e1s e cujo t\u00edtulo \u00e9 \"SHREK\". Trata-se de um filme em torno da constru\u00e7\u00e3o de uma rela\u00e7\u00e3o de amizade entre um \"Ogre\", que vivia s\u00f3 num p\u00e2ntano, e um \"Burro\", que ali chegou verdadeiramente interessado em arranjar um amigo. A chegada deste \"Burro\" foi uma verdadeira dor de cabe\u00e7a para o \"Ogre\" e para a solid\u00e3o que este insistia em querer manter. De entre as primeiras palavras que o \"Ogre\" dirigiu ao \"Burro\" encontram-se as seguintes:<br \/>\n\"N\u00e3o Burro! N\u00e3o h\u00e1 n\u00f3s!\"<br \/>\n\"H\u00e1 apenas Eu e o meu p\u00e2ntano!\"<br \/>\n\u00c9 tempo de definir estrat\u00e9gias, criar mecanismos e implementar m\u00e9todos que evitem que a Sociedade se aproxime vertiginosamente de se transformar numa esp\u00e9cie de p\u00e2ntano onde sobressaem apenas os \"Ogres\", e onde os que respeitam as regras sintam ser cada vez mais \"Burros\".<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Jo\u00e3o Maia, Vis\u00e3o on line, Em certo sentido podemos aceitar que os modelos de organiza\u00e7\u00e3o e funcionamento das Sociedades Humanas se posicionam algures num ponto interm\u00e9dio de uma linha cujos extremos s\u00e3o, a um lado, formas de relacionamento interpessoal marcadas pelo ego\u00edsmo e unicamente pela defesa dos interesses pessoais de cada sujeito face aos&hellip; <a href=\"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=918\">Ler mais&#8230;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,123],"tags":[],"class_list":["post-918","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-visao-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/918","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=918"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/918\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8142,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/918\/revisions\/8142"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=918"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=918"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=918"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}