{"id":916,"date":"2009-06-25T00:00:00","date_gmt":"2009-06-25T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=916"},"modified":"2015-12-04T19:20:20","modified_gmt":"2015-12-04T19:20:20","slug":"a-falacia-do-ensino-publico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=916","title":{"rendered":"A fal\u00e1cia do ensino p\u00fablico"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, <span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Vis\u00e3o on line<\/strong><\/span><\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/aeiou.visao.pt\/a-falacia-do-ensino-publico=f514246\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2010\/01\/VisaoE023.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>\"Se est\u00e1 escrito 'Tamanho \u00fanico', \u00e9 porque n\u00e3o serve a ningu\u00e9m.\" Uma das 'leis' de Murphy<br \/>\n1. Um pouco de conversa amena, para descontrair, enquanto nos \u00edamos acomodando no meu gabinete de trabalho. A visita \u00e9 minha orientanda e vinha para discutir a Introdu\u00e7\u00e3o do projecto de investiga\u00e7\u00e3o que se prop\u00f5e desenvolver no \u00e2mbito do seu doutoramento. \u00c0 medida que os meus olhos percorriam as linhas do texto que me entregara, o resto do corpo ia-se contraindo, enquanto a tens\u00e3o interior aumentava. <!--more-->As ideias que ela procurou colocar no papel n\u00e3o flu\u00edam, cada dois par\u00e1grafos eram separados por um abismo, havia frases soltas que n\u00e3o desaguavam num fim. A minha tens\u00e3o n\u00e3o era causada pelo inusitado da situa\u00e7\u00e3o, pois, infelizmente, as dificuldades dos orientandos na express\u00e3o escrita tornou-se uma regra. Era, sim, pela antecipa\u00e7\u00e3o do sacrif\u00edcio que me espera ao longo dos pr\u00f3ximos anos, em que boa parte do meu esfor\u00e7o de \"orienta\u00e7\u00e3o\" ir\u00e1 ser direccionado para tornar o portugu\u00eas da disserta\u00e7\u00e3o pass\u00edvel de ser lido pelo futuro j\u00fari das provas de doutoramento. \u00c0s vezes, em conversa com colegas que se debatem com o mesmo problema, costumo dizer que at\u00e9 nem me importava que os orientandos me contassem a \"hist\u00f3ria errada\", isto \u00e9, que n\u00e3o discutissem objectivamente o problema, desde que eu percebesse que existe uma \"hist\u00f3ria\" nas folhas que me entregam para ler. N\u00e3o o conseguem fazer. No caso em an\u00e1lise, a reuni\u00e3o que devia ter durado uma hora prolongou-se por duas. E durante esse tempo, a partir do trabalho que me havia entregue, fui procurando explicar-lhe o \"abc\" da escrita de um texto. Sei, por experi\u00eancia de outros casos similares, que dentro de duas semanas ela vai voltar \u00e0 carga e o que me vai trazer n\u00e3o ser\u00e1 muito diferente. N\u00e3o se consegue que algu\u00e9m que tem tantas dificuldades em escrever as consiga ultrapassar nesse per\u00edodo de tempo. Na despedida, antes de lhe desejar uma boa viagem de regresso a casa, ainda tive oportunidade de lhe perguntar como \u00e9 que iam as coisas na escola de ensino superior onde lecciona.<br \/>\n2. Hor\u00e1rio nobre, canal de TV p\u00fablica, o entrevistado \u00e9 presidente de uma das maiores empresas portuguesas. \u00c0s perguntas da jornalista, respondia com rapidez, mas com ideias simples e bem estruturadas. Tinha nascido em Mo\u00e7ambique, viera para Portugal com a descoloniza\u00e7\u00e3o, mas quase de imediato seguira para Inglaterra onde fizera todos os seus estudos e iniciara a carreira profissional. Voltara a Portugal para integrar a administra\u00e7\u00e3o da dita empresa, que passara depois a presidir. \u00c9 mu\u00e7ulmano e a sua esposa crist\u00e3. Instado a explicar como \u00e9 que as diferen\u00e7as religiosas eram acomodadas no seio da fam\u00edlia, referiu que n\u00e3o causavam qualquer tipo de atrito, ajuntando, para mostrar que assim era, que os seus jovens filhos frequentavam um conceituado col\u00e9gio privado perten\u00e7a de uma ordem religiosa cat\u00f3lica.<br \/>\n3. Foi minha aluna e mora relativamente perto, na mesma localidade. Encontramo-nos h\u00e1 dias, por acaso, e tivemos oportunidade de conversar um pouco. \u00c9 funcion\u00e1ria p\u00fablica, tem dois filhos, o mais velho ir\u00e1 ingressar no ensino b\u00e1sico no pr\u00f3ximo ano-lectivo. Por tal motivo, disse-me, nos \u00faltimos meses tem dedicado algum do seu tempo a inteirar-se das alternativas dispon\u00edveis ao n\u00edvel de col\u00e9gios onde possa inscrever o filho. Apesar do esfor\u00e7o financeiro que isso acarretar\u00e1 para o seu or\u00e7amento familiar, a escola p\u00fablica est\u00e1 fora de causa, pois n\u00e3o lhe oferece garantias de qualidade de ensino. E ajuntou, expressando-se em termos que reflectem a sua forma\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica de base, que assumia esse esfor\u00e7o como um investimento que a longo prazo tenderia a proporcionar frutos. Despedimo-nos com a promessa m\u00fatua de nos mantermos em contacto.<br \/>\n4. Tr\u00eas encontros distintos, uma mesma ideia impl\u00edcita: o sistema de ensino p\u00fablico n\u00e3o est\u00e1 a proporcionar uma educa\u00e7\u00e3o de qualidade.<br \/>\n5. Tenho consci\u00eancia de que sou mais um a \"mandar uns bitaites\" sobre a educa\u00e7\u00e3o em Portugal. Um risco enorme, quando n\u00e3o sou perito em \"ci\u00eancias da educa\u00e7\u00e3o\", nem t\u00e3o pouco domino o \"eduqu\u00eas\". Sou docente numa universidade p\u00fablica, isto \u00e9, membro desse sistema de ensino que agora analiso, e acredito que o mercado pode fornecer em cada momento indica\u00e7\u00e3o sobre a qualidade dos produtos, onde incluo a \"educa\u00e7\u00e3o escolar\".<br \/>\n6. Como docente, apesar de ter o privil\u00e9gio de leccionar numa Institui\u00e7\u00e3o que recebe em cada ano a nata dos alunos que escolheram a \u00e1rea da Economia e da Gest\u00e3o, aquilo que sinto no meu dia-a-dia - e que afecta o meu pr\u00f3prio desempenho como professor - \u00e9 que a respectiva qualidade acad\u00e9mica \u00e0 data da entrada na universidade \u00e9 deficiente e tem vindo a degradar-se com o passar dos anos. Esta percep\u00e7\u00e3o, que muitos dos meus colegas partilhar\u00e3o, pode ser ilustrada, no que \u00e0 minha \u00e1rea de ensino respeita, por refer\u00eancia a dois dom\u00ednios principais: i) a dificuldade que t\u00eam em dominar a l\u00edngua portuguesa, na sua forma escrita e, muitas vezes, at\u00e9 oral. Como quem n\u00e3o escreve bem n\u00e3o consegue transmitir o que sabe e, pior ainda, tende a n\u00e3o perceber correctamente o que l\u00ea, o aproveitamento dos alunos ressente-se de tal facto; ii) a dificuldade que demonstram em ultrapassar os \"desafios\" que lhes colocamos, mesmo quando estes s\u00e3o incipientes. Nota-se, a este n\u00edvel, uma falta end\u00e9mica de empenho pessoal, que os leva a desistirem perante a m\u00ednima dificuldade - \"n\u00e3o consigo\" \u00e9 a resposta imediata -, e a acomodarem-se na mediania que lhes garante que \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de tempo at\u00e9 que o diploma de curso lhes v\u00e1 parar \u00e0s m\u00e3os. Num contexto como este, a tend\u00eancia \u00e9 para que o grau de exig\u00eancia do ensino evolua no mesmo sentido desse empenho, pois o aluno mediano \u00e9 o \"farol\" que guia o docente.<br \/>\n7. Acredito que mercados minimamente eficientes podem fornecer importante informa\u00e7\u00e3o sobre a qualidade dos produtos e aquilo que vejo \u00e9 sintom\u00e1tico do estado actual do ensino p\u00fablico pr\u00e9-universit\u00e1rio em Portugal. Que ila\u00e7\u00e3o tirar sobre a qualidade do produto da empresa A, que em virtude de subsidia\u00e7\u00e3o estatal \u00e9 disponibilizado \"gratuitamente\", mas que o consumidor pretere em favor do mesmo tipo de produto produzido pela empresa B, que \u00e9 vendido a um pre\u00e7o consider\u00e1vel? Tem de se concluir que o produto de A n\u00e3o \u00e9 de qualidade ou, com menor probabilidade, que essa qualidade n\u00e3o \u00e9 percebida pelo consumidor. Nesta ilustra\u00e7\u00e3o, substitua-se empresa A por \"ensino p\u00fablico\" e tem-se explica\u00e7\u00e3o para o facto de cada vez maior n\u00famero de fam\u00edlias tender, pelo menos no n\u00edvel de ensino referido, a optar pelo sector privado. E, tanto quanto me apercebo, a prefer\u00eancia por este tipo de ensino s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 massiva porque, infelizmente, a fam\u00edlia portuguesa de rendimento mediano, depois de paga a presta\u00e7\u00e3o mensal da casa e do carro, mal fica com dinheiro para comer. No entanto, j\u00e1 nem \u00e9 preciso ir olhar aos administradores das empresas, pois fam\u00edlias de recursos bem mais modestos, como \u00e9 o caso da minha ex-aluna acima mencionado, est\u00e3o crescentemente a fazer escolhas educativas que acreditam ser investimentos que ir\u00e3o frutificar no futuro atrav\u00e9s de mais e melhores oportunidades profissionais para os seus filhos. Mas, infelizmente, a fraca qualidade do \"produto\" n\u00e3o \u00e9 apan\u00e1gio \u00fanico do ensino pr\u00e9-universit\u00e1rio, embora seja a este n\u00edvel, at\u00e9 pela repercuss\u00f5es que tem no seguinte, que os danos de forma\u00e7\u00e3o tendem a ser mais gravosos. Basta, dentro de uma determinada \u00e1rea cient\u00edfica, olhar \u00e0 denominada \"empregabilidade\" dos rec\u00e9m-diplomados pelas universidades e institutos, isto \u00e9, ao tempo que aqueles demoram em m\u00e9dia at\u00e9 conseguirem um emprego no sector privado, para se ter a percep\u00e7\u00e3o de como o mercado, tamb\u00e9m neste dom\u00ednio, tende a separar o \"trigo do joio\", dando informa\u00e7\u00e3o sobre a qualidade reconhecida ao ensino ministrado por cada institui\u00e7\u00e3o.<br \/>\n8. A men\u00e7\u00e3o que fa\u00e7o ao \"sector privado\" no final do par\u00e1grafo anterior \u00e9 deliberada. Pretende diferenciar o empregador privado do p\u00fablico (o Estado). Este tende a n\u00e3o ser eficiente na contrata\u00e7\u00e3o de recursos humanos, por for\u00e7a da adop\u00e7\u00e3o de uma pretensa \"igualdade objectiva\" que acaba por se revelar uma not\u00f3ria fonte de injusti\u00e7a. Com efeito, como se pode classificar o comportamento do Estado quando, num qualquer concurso p\u00fablico para admiss\u00e3o de pessoal, tributa com igual pondera\u00e7\u00e3o dois candidatos com m\u00e9dia final de curso de, por exemplo, 15 valores, quando um vem de uma universidade exigente e com reconhecida boa qualidade de ensino e o outro vem de uma institui\u00e7\u00e3o com, digamos, \"menos boa\" qualidade? Em minha opini\u00e3o, reside aqui, nesta (deliberada) incapacidade de contratar por parte do Estado, uma (entre outras igualmente ponderosas) das raz\u00f5es que ajudam a explicar a fraca qualidade do ensino p\u00fablico. A t\u00edtulo mais ou menos aned\u00f3tico, \u00e9 corrente dizer-se que \"ensina \u2026 quem n\u00e3o sabe fazer mais nada\". No entanto, esta frase, que nos faz sorrir pelo caricato que traduz, espelha aquilo que ao longo de d\u00e9cadas veio acontecendo em Portugal. O sistema de ensino estava - hoje est\u00e1 menos, pelo decr\u00e9scimo no n\u00famero de alunos - aberto para acolher todos aqueles que, por uma ou outra raz\u00e3o, n\u00e3o encontravam emprego noutro lado. Bastava ter uma licenciatura, independentemente da respectiva qualidade. Pode argumentar-se que em termos sociais, ao proporcionar emprego a quem dele precisava, o papel desempenhado pelo sistema foi importante. Pois foi, mas a que custo para a qualidade do ensino, com que consequ\u00eancias para o pa\u00eds. Se h\u00e1 muitos professores que o s\u00e3o por voca\u00e7\u00e3o e produzem bom trabalho, outros h\u00e1 (demasiados) que, por falta dela, por deficiente forma\u00e7\u00e3o de base, por incapacidade para actuar serena e ponderadamente em ambientes de tens\u00e3o, s\u00e3o uma das causas do muito que de mau o sistema de ensino p\u00fablico hoje oferece. Pense-se, por exemplo, se algu\u00e9m que tem defici\u00eancias ao n\u00edvel do uso da l\u00edngua-m\u00e3e pode ser o formador indicado para crian\u00e7as e jovens que est\u00e3o a familiarizar-se com o uso de tal ferramenta.<br \/>\n9. Mas outras raz\u00f5es existem. O sistema de ensino p\u00fablico pr\u00e9-universit\u00e1rio foi, ao longo das \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas, o terreno por excel\u00eancia de todas as experimenta\u00e7\u00f5es, onde se acolheram todas as \"teorias\" educativas que, mais ou menos explicitamente, se propunham formar o \"Homem novo\", o cidad\u00e3o do futuro de uma sociedade tendencialmente igualit\u00e1ria. Associadas vieram propostas \"revolucion\u00e1rias\". Desde a ideia do que o estudo tem de ser \"l\u00fadico\", passando pela recusa da avalia\u00e7\u00e3o dos alunos como meio de aferir o sistema e diferenciar quem trabalha (alunos e docentes) de quem o n\u00e3o faz, terminando na proibi\u00e7\u00e3o de turmas e ou escolas de n\u00edvel, que impusessem diferentes ritmos consoante as capacidades demonstradas pelos alunos. Tudo ajudou a moldar o sistema actual. Evitou-se \"traumatizar\" os meninos e meninas, mantendo-os num \"mundo rosa\" onde a recompensa \u00e9 independente do esfor\u00e7o de cada um, e onde aquilo que se lhes exige \u00e9 muito pouco. Isto explicar\u00e1, penso, o car\u00e1cter \"amorfo\" dos alunos que chegam \u00e0 universidade, n\u00e3o treinados para trabalhar, incapazes de despender um m\u00ednimo de esfor\u00e7o na resolu\u00e7\u00e3o de um \"desafio\". Se o objectivo de tais \"teorias\" e ideias era atingir a igualdade (dentro da escola), o sucesso \u00e9 \u00f3bvio. S\u00f3 \u00e9 pena que se tenha nivelado por baixo, pela mediocridade. Quantas vidas acad\u00e9micas (e profissionais) que poderiam ter sido brilhantes foram sacrificadas em nome de tal objectivo \u2026<br \/>\n10. A sociedade ficou, necessariamente, mais pobre e, no que parece ser um paradoxo, tamb\u00e9m mais desigual em termos de oportunidades. E o pior \u00e9 que o aumento da desigualdade n\u00e3o resulta do (desej\u00e1vel) empenho e m\u00e9rito pessoal de cada cidad\u00e3o - em que os que mais se esfor\u00e7assem na sua forma\u00e7\u00e3o tenderiam a conseguir melhores oportunidades profissionais -, mas sobretudo do rendimento dos respectivos progenitores na altura de decidirem em que escola os matricular. As novas elites de hoje - pol\u00edticas, intelectuais e profissionais - s\u00e3o, em grande parte, constitu\u00eddas por aqueles que tiveram oportunidade de frequentar uma boa escola privada desde os seus mais tenros anos. E se a isto se juntou uma boa universidade estrangeira, ent\u00e3o foi ouro sobre azul. Tal como na c\u00e9lebre f\u00e1bula de George Orwell, \"Animal Farm\", h\u00e1 uns que s\u00e3o mais iguais do que outros.<br \/>\n11. Estou muito pessimista. A probabilidade de que este estado de coisas se inverta e a escola p\u00fablica pr\u00e9-universit\u00e1ria possa, num horizonte temporal razo\u00e1vel, dar uma efectiva contribui\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento do pa\u00eds \u00e9 muito reduzida. As \"for\u00e7as de bloqueio\" s\u00e3o m\u00faltiplas e fortes, como temos visto pelas ondas de choque que t\u00eam abalado o sistema de ensino na sequ\u00eancia das ins\u00edpidas reformas encetadas pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o. Ficou o aviso. Quem pretender afrontar os interesses instalados vai \"comprar uma briga feia\". Neste contexto, qual o incentivo dos pol\u00edticos para encetarem reformas? Nenhum, at\u00e9 porque, a acreditar em informa\u00e7\u00e3o que corre no dom\u00ednio p\u00fablico, a generalidade deles tem (ou teve) os seus descendentes em escolas privadas. Juntam-se, neste aspecto, \u00e0s restantes elites e, tamb\u00e9m, \u00e0queles que, n\u00e3o podendo ser considerados como tal, mas dizendo-se ac\u00e9rrimos defensores do actual \"status quo\" na escola p\u00fablica, na hora da verdade, quando t\u00eam que optar, acham que ela n\u00e3o serve para os seus.<br \/>\n12. Em termos aleg\u00f3ricos, a situa\u00e7\u00e3o pode, pois, resumir-se do seguinte modo: o pa\u00eds \u00e9 um barco navegando no mar alteroso da concorr\u00eancia internacional, o sistema de ensino p\u00fablico um buraco no respectivo casco, e n\u00e3o h\u00e1 incentivo da parte das elites para o remendar. Em nome de um politicamente correcto \"igualitarismo\" - quem \u00e9 que n\u00e3o subscreve a ideia de uma sociedade mais justa e equitativa? -, que se ancora no evitar deixar uns quantos para tr\u00e1s, arrisca-se o naufr\u00e1gio do barco e de todos os que nele navegam. H\u00e1 outras formas - tem de haver! - de tornar a sociedade mais justa sem ser por via do cercear das capacidades dos mais capazes. Continuar a insistir na fal\u00e1cia do tratamento indiferenciado dos alunos na escola p\u00fablica como meio de mudar a sociedade faz lembrar a orquestra do Titanic, tocando enquanto o barco se afundava. Com uma diferen\u00e7a, claro. Tal insist\u00eancia \u00e9, em si mesma, uma das causas do naufr\u00e1gio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira, Vis\u00e3o on line, &#8220;Se est\u00e1 escrito &#8216;Tamanho \u00fanico&#8217;, \u00e9 porque n\u00e3o serve a ningu\u00e9m.&#8221; Uma das &#8216;leis&#8217; de Murphy 1. Um pouco de conversa amena, para descontrair, enquanto nos \u00edamos acomodando no meu gabinete de trabalho. 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