{"id":909,"date":"2009-05-07T00:00:00","date_gmt":"2009-05-07T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=909"},"modified":"2015-12-04T19:20:22","modified_gmt":"2015-12-04T19:20:22","slug":"a-importancia-da-formacao-tecnica-especifica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=909","title":{"rendered":"A Import\u00e2ncia da Forma\u00e7\u00e3o T\u00e9cnica Espec\u00edfica"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Ant\u00f3nio Jo\u00e3o Maia, <span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Vis\u00e3o on line<\/strong><\/span><\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/aeiou.visao.pt\/a-importancia-da-formacao-tecnica-especifica=f507525\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2010\/01\/VisaoE016.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>No \u00faltimo artigo que h\u00e1 poucas semanas publiquei neste mesmo espa\u00e7o, referi-me \u00e0 quest\u00e3o da morosidade dos processos judiciais como um dos principais factores que parece respons\u00e1vel pela imagem negativa que o sistema de Justi\u00e7a tem suscitado junto da popula\u00e7\u00e3o portuguesa (ver artigo \"A M\u00e1quina do Tempo\").<!--more--><br \/>\nAp\u00f3s a leitura daquele texto, muitos dir\u00e3o, com inteira raz\u00e3o, acrescente-se, que \u00e9 f\u00e1cil afirmar que, por um lado, a sociedade portuguesa no geral tem um problema de confian\u00e7a na Justi\u00e7a e, por outro lado, que esse problema em muito se deve \u00e0 pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o Justi\u00e7a, nomeadamente devido \u00e0 morosidade com que produz resultados dos casos que lhe s\u00e3o apresentados. Mais dif\u00edcil por\u00e9m, dir\u00e3o os mesmos, entre os quais me conto, ser\u00e1 propor pistas que possam tornar-se solu\u00e7\u00f5es tendentes \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o, ou pelo menos \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da dimens\u00e3o do problema. \u00c9 este exerc\u00edcio que hoje me proponho fazer.<br \/>\nAssim, ao longo das linhas que se seguem, procuro focar um dos diversos t\u00f3picos que, em meu entender, pode, se devidamente implementado, melhorar a qualidade e a efic\u00e1cia de todo o sistema de Justi\u00e7a portugu\u00eas. Refiro-me concretamente \u00e0 import\u00e2ncia da forma\u00e7\u00e3o T\u00e9cnica Espec\u00edfica, que cada vez mais se tem vindo a revelar de primordial import\u00e2ncia, tanto ao n\u00edvel dos departamentos de detec\u00e7\u00e3o e investiga\u00e7\u00e3o dos factos com contornos de suspei\u00e7\u00e3o de ilicitude, como depois nos n\u00edveis subsequentes, de avalia\u00e7\u00e3o e tomada de decis\u00e3o sobre o sentido desses mesmos factos (de serem l\u00edcitos ou il\u00edcitos). Acrescente-se que consideramos como departamentos de detec\u00e7\u00e3o e investiga\u00e7\u00e3o, tanto os que fazem parte de organismos de car\u00e1cter privado (como por exemplo os Departamentos de Auditoria e Inspec\u00e7\u00e3o dos Bancos, das Seguradoras, de entre outras) como os de car\u00e1cter p\u00fablico (Servi\u00e7os de Inspec\u00e7\u00e3o dos diversos Minist\u00e9rios, e naturalmente as Pol\u00edcias de Investiga\u00e7\u00e3o Criminal e o Minist\u00e9rio P\u00fablico, para o caso da Investiga\u00e7\u00e3o Criminal). Do mesmo modo, ao n\u00edvel dos departamentos de avalia\u00e7\u00e3o de decis\u00e3o, consideramos os de dimens\u00e3o privada (por exemplo para os problemas de car\u00e1cter disciplinar, os mecanismos pr\u00f3prios de cada institui\u00e7\u00e3o de tomada de decis\u00e3o hier\u00e1rquica interna) e tamb\u00e9m os de dimens\u00e3o p\u00fablica (quer o Minist\u00e9rio P\u00fablico, quer o Juiz, para as decis\u00f5es Absolut\u00f3rias, Acusat\u00f3rias e de Julgamento, relativamente a factos cuja resolu\u00e7\u00e3o tenha de dirimir-se ao n\u00edvel do Tribunal).<br \/>\nO desenvolvimento econ\u00f3mico, alicer\u00e7ado no desenvolvimento tecnol\u00f3gico, tem conduzido as sociedades para novos territ\u00f3rios de trabalho e sobretudo para novos espa\u00e7os de viv\u00eancia e de relacionamento entre as pessoas. A todo este movimento evolutivo, que decorre a um ritmo exponencial, e relativamente a cada um destes novos territ\u00f3rios, t\u00eam, a Lei e o Direito, como \u00e9 pr\u00f3prio da sua natureza, procurado definir o que s\u00e3o os comportamentos apropriados e, em complemento natural, quais as san\u00e7\u00f5es que devem ser aplicadas a todos aqueles que de alguma forma caiam em situa\u00e7\u00e3o de desrespeito dessa ordem legitimada pela Lei e pelo Direito.<br \/>\nSer\u00e1 sobretudo nas situa\u00e7\u00f5es de suspei\u00e7\u00e3o ou de evidente desrespeito por essa \"ordem legitimada\", que os mecanismos de despiste e controlo s\u00e3o chamados a averiguar o alcance e a dimens\u00e3o de cada situa\u00e7\u00e3o em concreto, para que, depois e com base no trabalho produzido pelas inst\u00e2ncias investigat\u00f3rias, as diversas inst\u00e2ncias subsequentes tomem as decis\u00f5es mais ajustadas face a cada caso concreto que lhes seja apresentado. Primeiramente os departamentos de despiste e controlo procedem \u00e0 recolha de todos os elementos objectivos que permitam reconstruir, tanto quanto poss\u00edvel, os factos sob suspeita e as respectivas circunst\u00e2ncias em que ocorreram. Depois deste trabalho realizado, uma de duas conclus\u00f5es t\u00eam de ser obrigatoriamente verificadas. Ou os elementos recolhidos demonstram n\u00e3o ter ocorrido qualquer il\u00edcito, ou, ao contr\u00e1rio, eles demonstram a ocorr\u00eancia de uma situa\u00e7\u00e3o il\u00edcita, ou seja de uma situa\u00e7\u00e3o que contraria essa ordem leg\u00edtima. No primeiro caso, os \u00f3rg\u00e3os pr\u00f3prios (privados ou p\u00fablicos, em fun\u00e7\u00e3o da natureza do il\u00edcito, como se afirmou) decidem pelo simples arquivamento do caso. Na segunda situa\u00e7\u00e3o, esses mesmos \u00f3rg\u00e3os devem decidir-se pela prossecu\u00e7\u00e3o do procedimento, no sentido de ser efectuado o julgamento e a aplica\u00e7\u00e3o ao prevaricador da san\u00e7\u00e3o correspondente.<br \/>\nUm processo judicial pode ser comparado a uma parede que se vai construindo pedra sobre pedra, em que as \u00faltimas pedras a ser colocados ficar\u00e3o tanto mais bem equilibradas, seguras e fixas, quanto mais fortemente agarradas se encontrarem as pedras anteriormente colocadas e que lhe servem de base. Da mesma forma, o processo de tomada de decis\u00e3o ao n\u00edvel de Julgamento tender\u00e1 a ser tanto mais justo, quanto mais informado e esclarecido tenha sido o trabalho realizado pelos departamentos de despiste e controlo e complementarmente, quanto melhor o decisor for capaz de compreender todas essas informa\u00e7\u00f5es e esclarecimentos, ou seja todo o contexto em que os factos sucederam.<br \/>\nEsta constata\u00e7\u00e3o \u00e9 \u00f3bvia, e todo o sistema de Justi\u00e7a foi e est\u00e1 alicer\u00e7ado em torno dela, ou seja, n\u00e3o se podem aplicar san\u00e7\u00f5es sem se conhecerem bem (de forma objectiva) os factos correspondentes a um il\u00edcito e os contextos em que eles ocorreram. O problema derivar\u00e1, como dissemos no in\u00edcio, da pr\u00f3pria evolu\u00e7\u00e3o da sociedade, que de forma crescente, tem criado novos territ\u00f3rios de relacionamento social, com regras novas muito pr\u00f3prias, que muitas vezes apenas s\u00e3o conhecidas e controladas (porque vivenciadas) por aqueles que habitam tais territ\u00f3rios.<br \/>\nAo n\u00edvel por exemplo da fraude econ\u00f3mica ou da criminalidade econ\u00f3mica, como queiramos chamar-lhe, a maioria das situa\u00e7\u00f5es suspeitas implica dissimula\u00e7\u00f5es contabil\u00edsticas, com recurso a \"engenharias financeiras\" mais ou menos elaboradas, movimenta\u00e7\u00f5es de verbas entre diversas contas banc\u00e1rias, entradas e sa\u00eddas de mercadorias, e tantos outros expedientes. Quando posteriormente estas situa\u00e7\u00f5es se revelam suspeitas e t\u00eam de ser devidamente esclarecidas (pelos departamentos de despiste e controlo), para l\u00e1 dos conhecimentos pr\u00f3prios de condu\u00e7\u00e3o de um processo de investiga\u00e7\u00e3o, os investigadores carecem tamb\u00e9m de se encontrarem previamente munidos de um conjunto de conhecimentos contabil\u00edsticos, de organiza\u00e7\u00e3o de empresas, de movimenta\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria, de compra e venda de mercadorias, do controlo de entradas de mat\u00e9rias primas e sa\u00eddas de produtos, etc., para, por um lado, conseguirem perceber os factos que v\u00e3o investigar e, por outro lado, para perceberem as explica\u00e7\u00f5es dos sujeitos (incluindo as dos suspeitos) directamente envolvidos nos factos que investigam, sob pena de incorrerem na possibilidade muito concreta de n\u00e3o conseguirem perceber o procedimento que procuram reconstruir. Esta situa\u00e7\u00e3o implica necessariamente que, para l\u00e1 da forma\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria acerca das formas de condu\u00e7\u00e3o de um qualquer processo de investiga\u00e7\u00e3o, aos investigadores seja tamb\u00e9m e em complemento proporcionada uma forma\u00e7\u00e3o T\u00e9cnica Espec\u00edfica adequada ao desempenho das suas fun\u00e7\u00f5es em determinados contextos espec\u00edficos.<br \/>\nEstou em crer que este problema n\u00e3o ser\u00e1 t\u00e3o evidente ao n\u00edvel dos departamentos de controlo e despiste das entidades privadas, uma vez que o seu universo de trabalho tem os mesmos limites das organiza\u00e7\u00f5es em que se inserem e, neste sentido, os aspectos T\u00e9cnicos em utiliza\u00e7\u00e3o na institui\u00e7\u00e3o s\u00e3o espec\u00edficos da actividade que \u00e9 afinal a raz\u00e3o de ser da pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o e por essa raz\u00e3o encontram-se difundidos de forma mais ou menos partilhada por todos os departamentos que dela fazem parte.<br \/>\nOutra realidade diferente \u00e9 a que encontramos ao n\u00edvel dos departamentos de controlo e despiste em termos das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas (designadamente do Minist\u00e9rio P\u00fablico, das pol\u00edcias de Investiga\u00e7\u00e3o Criminal e dos Departamentos ministeriais de Inspec\u00e7\u00e3o), que em abstracto podem confrontar-se, e confrontam-se, com investiga\u00e7\u00f5es de factos ocorridos em contextos muito dispares. Um mesmo Magistrado ou Inspector pode ter por exemplo em m\u00e3os uma investiga\u00e7\u00e3o de um caso de corrup\u00e7\u00e3o relacionado com a adjudica\u00e7\u00e3o de uma empreitada de obra p\u00fablica para constru\u00e7\u00e3o de um tro\u00e7o de auto-estrada (que ocorre num determinado tipo de contexto e em concord\u00e2ncia com regras muito pr\u00f3prias existentes para o efeito - as regras de condu\u00e7\u00e3o de um concurso para adjudica\u00e7\u00e3o de obras p\u00fablicas), uma segunda de um caso de Peculato, de um funcion\u00e1rio de um determinado servi\u00e7o p\u00fablico que desviou em seu favor uma determinada verba pertencente ao seu servi\u00e7o, e uma terceira investiga\u00e7\u00e3o, pelo crime de Participa\u00e7\u00e3o Econ\u00f3mica e Neg\u00f3cio, que envolve um funcion\u00e1rio de um departamento do Estado e um conjunto de empresas pertencentes a um familiar seu, e \u00e0 qual frequentemente esse departamento adquire bens e servi\u00e7os. Tratam-se de situa\u00e7\u00f5es que decorrem em contextos pr\u00f3prios, todos distintos uns dos outros, mas requerendo que os respons\u00e1veis pela investiga\u00e7\u00e3o tenham a adequada forma\u00e7\u00e3o T\u00e9cnica Espec\u00edfica que lhes permita perceber todos esses diferentes contextos em que est\u00e3o a trabalhar. Caso contr\u00e1rio e apesar de poderem ser brilhantes em termos de defini\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias de investiga\u00e7\u00e3o, estou certo de que mais tarde ou mais cedo, tanto os sujeitos que ter\u00e3o de ser abordados (nomeadamente os suspeitos da pr\u00e1tica de il\u00edcitos), como os pr\u00f3prios investigadores, ir\u00e3o perceber que n\u00e3o partilham a mesma linguagem (a do contexto em que ocorreram os factos sob investiga\u00e7\u00e3o), o que poder\u00e1 deixar os primeiros numa posi\u00e7\u00e3o de alguma sobranceria face ao investigador, e este numa posi\u00e7\u00e3o um tanto ou quanto desconfort\u00e1vel, capaz inclusivamente de lhe retirar alguma convic\u00e7\u00e3o ou at\u00e9 de lhe criar sentimentos de desmotiva\u00e7\u00e3o para prosseguir o seu trabalho.<br \/>\nEste mesmo problema coloca-se depois aos n\u00edveis subsequentes que t\u00eam de tomar decis\u00f5es sobre as conclus\u00f5es apuradas pela investiga\u00e7\u00e3o. Como \u00e9 por exemplo poss\u00edvel estar-se em condi\u00e7\u00f5es de aplicar a san\u00e7\u00e3o correspondente ao autor de uma fraude praticada atrav\u00e9s de uma dissimula\u00e7\u00e3o contabil\u00edstica, se pouco ou nada se percebe de contabilidade? Mais, como \u00e9 que nestas circunst\u00e2ncias e no limite, o decisor consegue assegurar em consci\u00eancia, que aplicou a san\u00e7\u00e3o mais adequada e justa para aquele caso, se na sua ess\u00eancia n\u00e3o o conseguiu perceber?<br \/>\nEste parece-me ser sem sobra de d\u00favida uma aspecto que urge melhorar na nossa m\u00e1quina da Justi\u00e7a. Importa que cada vez mais esta m\u00e1quina procure caminhos que permitam que aqueles que a servem (os Investigadores dos Departamentos ministeriais e das Pol\u00edcias de Investiga\u00e7\u00e3o Criminal, enquanto investigadores, os Procuradores do Minist\u00e9rio P\u00fablico, enquanto decisores de investiga\u00e7\u00e3o e de acusa\u00e7\u00e3o, e os Juizes, enquanto decisores de julgamento) tenham uma forma\u00e7\u00e3o T\u00e9cnica Espec\u00edfica que os habilitem a falar a mesma linguagem que \u00e9 utilizada nos contextos sobre os quais s\u00e3o chamados a pronunciar-se.<br \/>\nN\u00e3o estamos por\u00e9m aqui a reclamar que todos estes funcion\u00e1rios sejam uma esp\u00e9cie de super-homens que tenham de ter forma\u00e7\u00e3o aprofundada sobre todos os aspectos da vida de uma sociedade, nomeadamente nos contextos da actualidade, em que, como vimos no in\u00edcio deste texto, constantemente se originam novos espa\u00e7os de viv\u00eancia social, alguns deles com contextos T\u00e9cnicos muito pr\u00f3prios. Pretender tal, seria querer o imposs\u00edvel.<br \/>\nA mensagem que aqui se pretende deixar vai num outro sentido. Estes funcion\u00e1rios devem ter uma forma\u00e7\u00e3o comum de base, que os habilite a executar as fun\u00e7\u00f5es que o sistema de Justi\u00e7a h\u00e1-de reclamar deles no seu futuro profissional (os Investigadores devem ser formados para Investigar, e os Decisores - Procuradores do Minist\u00e9rio P\u00fablico e Ju\u00edzes - para tomar decis\u00f5es). Por\u00e9m a um processo de forma\u00e7\u00e3o comum de base, h\u00e1-de juntar-se uma forma\u00e7\u00e3o T\u00e9cnica Espec\u00edfica apropriada, destinada agora apenas ao grupo daqueles que venham a desempenhar fun\u00e7\u00f5es na \u00e1rea espec\u00edfica em que a posse dessa forma\u00e7\u00e3o seja requerida, para evitar os problemas apontados anteriormente. Sugere-se pois que cada n\u00edvel funcional da m\u00e1quina da Justi\u00e7a tenham um processo de forma\u00e7\u00e3o inicial com duas fases. Uma comum a todos os futuros funcion\u00e1rios que venham a desempenhar uma mesma fun\u00e7\u00e3o, e uma segunda, de car\u00e1cter T\u00e9cnico Espec\u00edfico, com diversos e distintos planos de forma\u00e7\u00e3o, destinados cada um deles a cada um dos grupos que venham a exercer fun\u00e7\u00f5es nas respectivas \u00e1reas distintas da m\u00e1quina da Justi\u00e7a. Estamos claramente a falar de forma\u00e7\u00e3o T\u00e9cnica adequada ao bom desempenho profissional em cada uma das \u00e1reas da administra\u00e7\u00e3o da Justi\u00e7a.<br \/>\nPor outro lado, questionar-se-\u00e1, como identificar essas \u00e1reas distintas e como procurar, em rela\u00e7\u00e3o a cada uma delas, os conhecimentos T\u00e9cnicos adequados que importa que os profissionais da m\u00e1quina da Justi\u00e7a conhe\u00e7am? Em meu entender, a resposta passar\u00e1 pelo estabelecimento de protocolos de coopera\u00e7\u00e3o institucional entre os departamentos formativos da Justi\u00e7a e os T\u00e9cnicos (Associa\u00e7\u00f5es Profissionais e Patronais, etc.) que d\u00e3o corpo a cada uma dessas \u00e1reas, que naturalmente ter\u00e3o todo o interesse nesta coopera\u00e7\u00e3o, uma vez que ela ser\u00e1 sempre percepcionada como uma forte aposta que esses T\u00e9cnicos fazem na credibiliza\u00e7\u00e3o das actividades que desenvolvem nessa mesma \u00e1rea.<br \/>\nSem pretender colocar nada nem ningu\u00e9m em causa, e sem ter sequer forma\u00e7\u00e3o na \u00e1rea do Direito, atrevo-me, ainda assim e na minha qualidade de Antrop\u00f3logo, a trazer a estas linhas uma refer\u00eancia \u00e0 no\u00e7\u00e3o do \"homem m\u00e9dio\", \u00e0 qual os decisores da Justi\u00e7a devem recorrer no momento da tomada da decis\u00e3o, para afirmar que esta perspectiva de aplica\u00e7\u00e3o da lei com recurso e por refer\u00eancia a uma esp\u00e9cie de figura m\u00edtica ou desfocada (desumanizada), me parece estar cada vez mais desfasada da realidade. Essa imagem do \"homem m\u00e9dio\", a que os decisores do Direito portugu\u00eas devem recorrer, \u00e9 a de um homem abstracto, sem alma, sem problemas, sem linguagem, sem capacidade de comunicar. Trata-se de um homem amorfo ou, se quisermos, de um \"n\u00e3o - homem\". O \"homem m\u00e9dio\" a que os funcion\u00e1rios decisores do aparelho da Justi\u00e7a recorrem para comparar com o homem concreto associado ao caso que trabalham, n\u00e3o existe. Por mais que tentem procur\u00e1-lo, \u00e0 sua frente h\u00e3o-de ter sempre apenas e s\u00f3 um ser humano concreto, de carne e osso, com sentimentos, com alma, com problemas, capaz de comunicar atrav\u00e9s de uma linguagem pr\u00f3pria, que n\u00e3o pode (nem deve) ser ignorada. Em vez de o ignorar, o funcion\u00e1rio decisor deve sim consider\u00e1-lo como ele \u00e9, tentando compreend\u00ea-lo no seu mundo pr\u00f3prio, com os seus defeitos e as suas virtudes, comunicando com ele atrav\u00e9s da linguagem que ele fala. Ser\u00e1 apenas e s\u00f3 nesse contexto que me parece ser poss\u00edvel uma tomada de decis\u00e3o mais ajustada a cada caso concreto.<br \/>\nParafraseando uma vez mais o ex Presidente da Rep\u00fablica Dr. Jorge Sampaio, no discurso de abertura do ano judicial proferido em Janeiro de 2004, \"o tema da forma\u00e7\u00e3o (...) \u00e9 nuclear da reforma de atitudes e de procedimentos, sem o qual n\u00e3o h\u00e1 leis que valham \u00e0 crise da justi\u00e7a. (...) Na forma\u00e7\u00e3o importa considerar que passou o tempo de todos sabermos de tudo. (...) A especializa\u00e7\u00e3o de saberes e de experi\u00eancias passou a ser uma exig\u00eancia da qualidade e da efic\u00e1cia de todas as jurisdi\u00e7\u00f5es\"<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Jo\u00e3o Maia, Vis\u00e3o on line, No \u00faltimo artigo que h\u00e1 poucas semanas publiquei neste mesmo espa\u00e7o, referi-me \u00e0 quest\u00e3o da morosidade dos processos judiciais como um dos principais factores que parece respons\u00e1vel pela imagem negativa que o sistema de Justi\u00e7a tem suscitado junto da popula\u00e7\u00e3o portuguesa (ver artigo &#8220;A M\u00e1quina do Tempo&#8221;).<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,123],"tags":[],"class_list":["post-909","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-visao-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/909","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=909"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/909\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8127,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/909\/revisions\/8127"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=909"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=909"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=909"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}