{"id":908,"date":"2009-04-30T00:00:00","date_gmt":"2009-04-30T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=908"},"modified":"2015-12-04T19:20:23","modified_gmt":"2015-12-04T19:20:23","slug":"a-corrupcao-e-os-portugueses","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=908","title":{"rendered":"A corrup\u00e7\u00e3o e os portugueses"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Carlos Pimenta, <span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Vis\u00e3o on line<\/strong><\/span><\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/aeiou.visao.pt\/a-corrupcao-e-os-portugueses=f506495\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2010\/01\/VisaoE015.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>1. De todas as formas de fraude, a corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 a mais abordada nos notici\u00e1rios, a mais sentida pelos cidad\u00e3os, provavelmente a mais estudada. As informa\u00e7\u00f5es quantificadas internacionais confirmam que \u00e9 uma das mais frequentemente detectadas tendo um elevado custo mediano (cerca de meio milh\u00e3o de d\u00f3lares nos EUA).<!--more--><br \/>\nO que cada um de n\u00f3s entende por corrup\u00e7\u00e3o (assumido espontaneamente, sem uma reflex\u00e3o precisa e uma cr\u00edtica das evid\u00eancias), provavelmente capta apenas uma parte daquela realidade complexa. Admitindo que os comportamentos \u00e9ticos s\u00e3o, ainda, o \"normal\" nas sociedades organizadas, \"a corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 uma pr\u00e1tica ou comportamento desviante\" que ser\u00e1 diferente conforme se tome como coordenadas de refer\u00eancia as normas legais, as normas \u00e9ticas, as pr\u00e1ticas econ\u00f3micas equitativas, a aceitabilidade social, a cidadania partilhada, ou outra. Frequentemente associada \u00e0 ideia de que \"o poder corrompe\", surge, para muitos, como espec\u00edfico das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, mas esse mesmo comportamento desviante tamb\u00e9m surge nas institui\u00e7\u00f5es privadas.<br \/>\nAbarca o suborno (doa\u00e7\u00e3o\/recep\u00e7\u00e3o a priori para influenciar um acto), as gratifica\u00e7\u00f5es ilegais (similar ao anterior, mas a posteriori, como recompensa), a extors\u00e3o (exig\u00eancia indevida de uma pagamento para a realiza\u00e7\u00e3o de um acto), e o \"conflito de interesses\" (realiza\u00e7\u00e3o de um acto prejudicial \u00e0 institui\u00e7\u00e3o a que pertence para obter vantagens noutra a que, inconfessadamente, est\u00e1 associado). Habitualmente considera-se que as fases do acto de corrup\u00e7\u00e3o se verificam em momentos pr\u00f3ximos (ex. pedido, seguido de favor, seguido de pagamento), mas as \"portas girat\u00f3rias\" entre as institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e as empresas (passagens de indiv\u00edduos de umas para as outras, ora num sentido, ora noutro) podem criar hiatos de anos entre os favores e os pagamentos. Tamb\u00e9m os conluios, as barreiras nacionais \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o policial, as famigeradas offshores, as redes internacionais de \"cidad\u00e3os acima de qualquer suspeita\", as organiza\u00e7\u00f5es secretas e o crime econ\u00f3mico organizado proliferam as ramifica\u00e7\u00f5es ora subterr\u00e2neas ora legais, e o branqueamento de capitais.<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 mais aceit\u00e1vel considerar a corrup\u00e7\u00e3o como uma \"criminalidade sem v\u00edtima\". Ela atinge o \"cidad\u00e3o-contribuinte\", o \"cidad\u00e3o-consumidor\", o \"cidad\u00e3o-ecol\u00f3gico\", o \"cidad\u00e3o-democrata\", enfim, o cidad\u00e3o. A corrup\u00e7\u00e3o est\u00e1 associada \u00e0 criminalidade transnacional. Todas as \"actividades sombra\" ilegais (do tr\u00e1fico de armas \u00e0 droga, do contrabando \u00e0 prostitui\u00e7\u00e3o, por exemplo) exigem a corrup\u00e7\u00e3o para existirem e expandirem-se.<br \/>\nA Su\u00ed\u00e7a \u00e9 um dos cinco pa\u00edses que tem um \u00edndice de percep\u00e7\u00e3o de (n\u00e3o) corrup\u00e7\u00e3o igual ou superior a nove, mas mesmo assim um investigador (Phlippe L\u00e9vi) refere a grande dificuldade em a debelar nesse pa\u00eds: \"as empresas hesitam em assumir medidas anti-corrup\u00e7\u00e3o porque receiam - com raz\u00e3o, como o demonstram v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es - perder neg\u00f3cios em favor de concorrentes menos escrupulosos\". Segundo algumas opini\u00f5es a diferen\u00e7a entre os diversos pa\u00edses \u00e9 mais de forma de operar do que de n\u00edvel de corrup\u00e7\u00e3o.<br \/>\n2. Um antigo t\u00e9cnico da IBM (Hofstede) criou cinco indicadores quantificados de \"psicologia social\" utiliz\u00e1veis para estudar semelhan\u00e7as e diferen\u00e7as entre pa\u00edses, para interpretar comportamentos econ\u00f3micos e sociais. Diversos estudos mostram que um maior \u00edndice de n\u00e3o-aceita\u00e7\u00e3o do risco \u00e9 favor\u00e1vel \u00e0 incerteza e \u00e0 ambiguidade e Portugal t\u00eam-no elevado. Simultaneamente um menor n\u00edvel de individualismo favorece a corrup\u00e7\u00e3o e Portugal t\u00eam-no muito baixo.<br \/>\nA corrup\u00e7\u00e3o prolifera. \u00c9 um imperativo cient\u00edfico e pol\u00edtico estud\u00e1-la no nosso Pa\u00eds.<br \/>\nHoje esse trabalho est\u00e1 muito facilitado. O livro recentemente publicado A corrup\u00e7\u00e3o e os Portugueses: Atitudes - Pr\u00e1ticas - Valores, coordenado e organizado por Lu\u00eds de Sousa e Jo\u00e3o Tri\u00e3es, fornece-nos uma an\u00e1lise muito rigorosa sobre as percep\u00e7\u00f5es sociais da corrup\u00e7\u00e3o, sobre a rela\u00e7\u00e3o desta com a democracia em Portugal.<br \/>\nResultado de alguns anos de trabalho, estamos perante um estudo muito preciso e rigoroso, com uma metodologia cient\u00edfica sistematicamente exercida e reflectida, com uma quantifica\u00e7\u00e3o criteriosamente aplicada que nos permite compreender muito melhor a realidade nacional e local a que cada um de n\u00f3s pertence.<br \/>\nTantas s\u00e3o as informa\u00e7\u00f5es contidas neste livro, tantas s\u00e3o as reflex\u00f5es que nos proporciona, tantos s\u00e3o os desafios que nos lan\u00e7a, que seria uma incompreens\u00edvel ousadia nossa apresentarmos aqui qualquer s\u00edntese.<br \/>\nLeiam-no, por favor, porque \u00e9 um livro fundamental para todo o cidad\u00e3o.<br \/>\nAntes de o lermos somos culturalmente muito mais pobres.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Pimenta, Vis\u00e3o on line, 1. De todas as formas de fraude, a corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 a mais abordada nos notici\u00e1rios, a mais sentida pelos cidad\u00e3os, provavelmente a mais estudada. 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