{"id":9031,"date":"2014-08-29T09:56:16","date_gmt":"2014-08-29T09:56:16","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=9031"},"modified":"2015-12-04T19:07:28","modified_gmt":"2015-12-04T19:07:28","slug":"os-intocaveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=9031","title":{"rendered":"Os intoc\u00e1veis"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Jo\u00e3o Pedro Martins, Jornal i<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a title=\"Os intoc\u00e1veis\" href=\"http:\/\/www.ionline.pt\/iopiniao\/os-intocaveis-0\/pag\/-1\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19 size-full\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a title=\"Os intoc\u00e1veis\" href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/I-089.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro pdf\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><b style=\"color: #000000;\"><\/b><\/a><\/p>\n<div class=\"field field-name-field-deck field-type-text field-label-hidden\">\n<p>Portugal continua a ser um pa\u00eds de brandos costumes. Onde os ricos n\u00e3o pagam impostos. Onde o visto dourado permite a entrada de mafiosos e narcotraficantes<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/I-089.pdf\" target=\"_blank\"><span style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\"><!--more--><\/span><\/a><\/p>\n<p>O diplomata escoc\u00eas William Hamilton dizia que \u201cA verdade \u00e9 como uma tocha, quanto mais se agita mais brilha.\u201d Aos poucos, as pe\u00e7as do puzzle come\u00e7am a encaixar-se e alguns detalhes da megaburla do BES passam a ser do dom\u00ednio p\u00fablico. Agora fic\u00e1mos a saber que o Banco de Portugal e o governo (tamb\u00e9m de Portugal) s\u00f3 mexeram no BES e separaram o banco mau do banco bom, depois do ultimato imposto pelo Banco Central Europeu.<\/p>\n<p>Fic\u00e1mos a saber que o governador do BdP e o primeiro-ministro, que semanas antes iludiram os investidores quando falaram em solidez e almofada financeira do BES, continuariam a assobiar para o lado e nunca tomariam a iniciativa de fazer alguma coisa caso o BCE n\u00e3o tivesse dado um murro na mesa. Mais do que um banco bom, precisamos de um verdadeiro banco dos r\u00e9us.<\/p>\n<p>Na justi\u00e7a europeia, o direito \u00e0 vida \u00e9 um direito inviol\u00e1vel. Ponto final. Mas se Ricardo Salgado e os seus comparsas vivessem num pa\u00eds isl\u00e2mico h\u00e1 muito que teriam sido condenados pelo crime de \u00a0adult\u00e9rio financeiro e seriam apedrejados at\u00e9 \u00e0 morte. Em pa\u00edses onde a justi\u00e7a pode implicar a pena de morte, o governador do Banco de Portugal e o pr\u00f3prio primeiro-ministro, para l\u00e1 de se demitirem voluntariamente, poderiam ter de fazer contas \u00e0 vida e prepararem-se para uma sess\u00e3o de terapia da verdade ao ritmo da cadeira el\u00e9trica.<\/p>\n<p>Mas Portugal continua a ser um pa\u00eds de brandos costumes. Onde os ricos n\u00e3o pagam impostos. Onde o visto dourado permite a entrada de mafiosos e narcotraficantes. Onde ser estrangeiro implica um <em>voucher<\/em> fiscal para comprar uma mans\u00e3o no Algarve e beneficiar do n\u00e3o pagamento de impostos durante 10 anos, enquanto o contribuinte comum se esfor\u00e7a para pagar as presta\u00e7\u00f5es da casa e n\u00e3o consegue fugir ao pagamento do IMI. Onde qualquer multinacional ou milion\u00e1rio cria uma empresa-fantasma na zona franca da Madeira e usufrui de um b\u00f3nus fiscal, enquanto os pequenos contribuintes e os pequenos empres\u00e1rios n\u00e3o conseguem fugir aos impostos, nem encontram um banco que lhes ofere\u00e7a um perd\u00e3o de juros, nem uma autoridade tribut\u00e1ria que lhes conceda uma amnistia para os pecados fiscais, como aconteceu com o repatriamento de capitais de Ricardo Salgado e de outros ricos que n\u00e3o querem cumprir o seu dever de pagar impostos.<\/p>\n<p>Aqui todos se safam. Ningu\u00e9m vai preso. Ricardo Salgado, Jardim Gon\u00e7alves, Oliveira e Costa, Jo\u00e3o Rendeiro, s\u00e3o apenas alguns exemplos de banqueiros que jogaram com cartas viciadas, mas que continuam a viver principescamente sem que se fa\u00e7a justi\u00e7a. Casos que prescrevem. Dinheiro n\u00e3o rastreado em <em>offshores<\/em>. Patrim\u00f3nio blindado. No fim, eles ganham sempre.<\/p>\n<p>Veja-se o caso do filho do ex-primeiro-ministro que abandonou o pa\u00eds para ocupar o cargo de presidente da Comiss\u00e3o Europeia. O Banco de Portugal contratou o jovem quadro por convite, criando uma exce\u00e7\u00e3o ao concurso p\u00fablico. Nesta terra, o tr\u00e1fico de influ\u00eancias conta mais do que o m\u00e9rito profissional.<\/p>\n<p>Portugal est\u00e1 agrilhoado por uma elite corrupta que capturou a economia e o poder pol\u00edtico. O pa\u00eds est\u00e1 eticamente a apodrecer. O cheiro nauseabundo a injusti\u00e7a paira no ar. O odor de um cad\u00e1ver em decomposi\u00e7\u00e3o gera n\u00e1useas de desigualdade que se tornam dif\u00edceis de suportar.<\/p>\n<p>Eles n\u00e3o conseguem enganar todas as pessoas durante todo o tempo. Eles n\u00e3o podem ganhar sempre. Eles n\u00e3o podem roubar sempre. A justi\u00e7a tem de ser feita, nem que se tenha de rasgar algum colarinho branco.<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o Pedro Martins, Jornal i Portugal continua a ser um pa\u00eds de brandos costumes. Onde os ricos n\u00e3o pagam impostos. 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