{"id":9005,"date":"2014-08-22T10:33:24","date_gmt":"2014-08-22T10:33:24","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=9005"},"modified":"2015-12-04T19:07:28","modified_gmt":"2015-12-04T19:07:28","slug":"o-elo-perdido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=9005","title":{"rendered":"O elo perdido"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Ant\u00f3nio Jo\u00e3o Maia, Jornal i<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a title=\"O elo perdido\" href=\"http:\/\/www.ionline.pt\/iopiniao\/elo-perdido\/pag\/-1\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19 size-full\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a title=\"O elo perdido\" href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/I_088.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro pdf\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><b style=\"color: #000000;\"><\/b><\/a><\/p>\n<div class=\"field field-name-field-deck field-type-text field-label-hidden\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"field field-name-field-deck field-type-text field-label-hidden\">\u00c9 este sentimento de utilidade ao pr\u00f3ximo que, a par do lucro, n\u00e3o se pode perder, nem deve ser subvertido<\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n<\/div>\n<p>A recente crise banc\u00e1ria, cujos contornos s\u00e3o ainda pouco conhecidos, revela uma vez mais, tanto em Portugal como um pouco por todo o mundo ocidental, que o sistema econ\u00f3mico e financeiro \u00e9 uma enorme e complexa rede de vasos comunicantes, que tende a expandir-se em momentos de crescimento econ\u00f3mico, mas que se revela vulner\u00e1vel e exposto a desequil\u00edbrios, como um fr\u00e1gil castelo de cartas, quando sopram as brisas da desconfian\u00e7a e os ventos da recess\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que os \u00edndices e os padr\u00f5es m\u00e9dios de qualidade de vida associados a todo esse desenvolvimento econ\u00f3mico e financeiro, nunca foram t\u00e3o elevados como no presente! Mas tamb\u00e9m \u00e9 verdade que as assimetrias entre ricos e pobres \u2013 entre os que t\u00eam e os que n\u00e3o t\u00eam acesso a esses padr\u00f5es de bem-estar \u2013 parecem ser cada vez mais evidentes\u2026<\/p>\n<p>Este modelo de desenvolvimento econ\u00f3mico, esta \u201ceconomia de casino\u201d, como alguns lhe chamam, em que, como jogadores compulsivos, se aposta tudo \u2013 o que se tem e at\u00e9 o que n\u00e3o se tem \u2013 na roleta que est\u00e1 a dar, permite, em caso de desfecho positivo, alcan\u00e7ar bons dividendos aos apostadores. Por\u00e9m, quando as expectativas n\u00e3o se concretizam \u2013 quando a jogada n\u00e3o corre de fei\u00e7\u00e3o \u2013, a aposta traduz-se em perdas, as quais, alegadamente para manuten\u00e7\u00e3o do sistema \u2013 esta esp\u00e9cie de jogo \u2013 e da sua credibilidade, t\u00eam sido supridas com o aux\u00edlio do Estado, ou seja com o esfor\u00e7o de toda a sociedade. O modelo parece ter esquecido, ou pelo menos negligenciado, um elemento fundamental de qualquer estrutura de coes\u00e3o social, econ\u00f3mica e cultural, que \u00e9 o bem comum, o interesse geral, a coopera\u00e7\u00e3o positiva, o dever servir a todos.<\/p>\n<p>O elo perdido, como lhe chamo, parece ter dado lugar unicamente ao lucro\u2026<\/p>\n<p>O lucro n\u00e3o pode nem deve ser diabolizado. Ele \u00e9 a for\u00e7a motivadora que impele os investidores na procura de novos produtos e mercados, para a satisfa\u00e7\u00e3o de novas necessidades colectivas, para a melhoria dos \u00edndices de qualidade de vida e de bem-estar das pessoas. E \u00e9 justamente esta no\u00e7\u00e3o de promo\u00e7\u00e3o do bem-estar coletivo que as for\u00e7as do desenvolvimento econ\u00f3mico n\u00e3o podem nunca perder de vista. Se a focagem se fizer s\u00f3 em fun\u00e7\u00e3o do lucro \u2013 e parece ter sido neste paradigma que a economia ocidental acabou por cair, e que a crise tem vindo a por a nu \u2013, perde-se a no\u00e7\u00e3o do interesse geral, entra-se numa l\u00f3gica de cegueira, os valores \u00e9ticos s\u00e3o negligenciados, e, sobretudo quando as coisas correm menos bem, a sociedade no seu todo reduz os \u00edndices de confian\u00e7a social e as pessoas tendem a sentir-se defraudadas, como vimos em \u201csociedade, regras, ego\u00edsmo e fraude\u201d - <a href=\"http:\/\/www.ionline.pt\/iopiniao\/sociedade-regras-egoismo-fraude\/pag\/-1\">http:\/\/www.ionline.pt\/iopiniao\/sociedade-regras-egoismo-fraude\/pag\/-1<\/a>.<\/p>\n<p>Ocorre-me a este prop\u00f3sito uma est\u00f3ria que aconteceu com colegas de profiss\u00e3o que t\u00eam estado em miss\u00e3o em Timor. Certo dia, querendo realizar uma grelhada, cruzaram-se na praia com uma mulher que vendia alguns peixes acabados de pescar e perguntaram-lhe qual o pre\u00e7o dos peixes. Ela mostrou alguma reserva e questionou se desejavam adquirir a totalidade dos peixes. Ao verificar que era esse o prop\u00f3sito, questionou-se sobre a impossibilidade de vender peixes a outras pessoas igualmente interessadas, o que deixou os meus colegas perplexos e a necessitar de outra argumenta\u00e7\u00e3o para a convencer a vender-lhes todos os peixes, o que fez com alguns sinais de contragosto\u2026<\/p>\n<p>\u00c9 este sentimento de utilidade ao pr\u00f3ximo que, a par do lucro, n\u00e3o se pode perder, nem deve ser subvertido. O exemplo da peixeira de Timor \u00e9 revelador desse lado humano da economia\u2026<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Jo\u00e3o Maia, Jornal i &nbsp; \u00c9 este sentimento de utilidade ao pr\u00f3ximo que, a par do lucro, n\u00e3o se pode perder, nem deve ser subvertido<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,124],"tags":[],"class_list":["post-9005","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-i"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9005","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=9005"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9005\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9025,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9005\/revisions\/9025"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=9005"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=9005"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=9005"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}