{"id":897,"date":"2009-01-15T00:00:00","date_gmt":"2009-01-15T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=897"},"modified":"2018-04-30T17:06:07","modified_gmt":"2018-04-30T17:06:07","slug":"a-crise-ainda-a-crise-novamente-a-crise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=897","title":{"rendered":"A Crise. Ainda a Crise. Novamente a Crise&#8230;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Ant\u00f3nio Jo\u00e3o Maia, Vis\u00e3o on line<\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/aeiou.visao.pt\/a-crise-ainda-a-crise-novamente-a-crise=f497132\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2010\/01\/VisaoE004.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p>Falar da crise \u00e9 j\u00e1 de certa forma um lugar comum. Efectivamente nos \u00faltimos meses tudo o que se tem dito e escrito em termos de opini\u00e3o p\u00fablica tem tido sempre como denominador comum o problema da crise econ\u00f3mica que o mundo vive no presente.<!--more--><br \/>\nEsta crise que \u00e9 ainda s\u00f3 econ\u00f3mica, mas que amea\u00e7a poder vir a ser tamb\u00e9m social, corresponde ao desenlace natural e incontorn\u00e1vel do processo de globaliza\u00e7\u00e3o que se iniciou nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo passado. Ela corresponde, no essencial, \u00e0 ruptura dos modelos econ\u00f3mico e social - e porventura cultural - tal qual os conhecemos, sendo ao mesmo tempo a ponte para novos arranjos geom\u00e9tricos na org\u00e2nica e no funcionamento das referidas estruturas. Arriscamos mesmo a antecipar que as novas geometrias econ\u00f3mica, social e cultural que parecem desenhar-se funcionar\u00e3o numa l\u00f3gica de \"vasos comunicantes\", em que tudo encontra uma correspond\u00eancia directa com tudo, num sistema uno e global, que estar\u00e1 permanentemente em processo de reequil\u00edbrio, em resultado das ac\u00e7\u00f5es naturais que passar\u00e3o a ser exercidas sobre cada uma das suas componentes. Digamos que o novo modelo que se avizinha encontra uma correspond\u00eancia directa com os conceitos de \"mundo plano\", de que fala Friedman (ver Thomas L. Friedman, 2005, \"O Mundo \u00e9 Plano - Uma Breve Hist\u00f3ria do S\u00e9culo XXI\", Edi\u00e7\u00e3o Actual Editora, Lisboa), de \"sociedade em rede\", de que fala Castells (ver Manuel Castells, 2002, \"A Sociedade em Rede - a Era da Informa\u00e7\u00e3o: Economia, Sociedade e Cultura - Vol.1\", Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian, Lisboa), e de \"cidad\u00e3o com consci\u00eancia planet\u00e1ria\" ou \"condi\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria\" de que fala Edgar Morin (ver Edgar Morin \"Os sete Saberes Necess\u00e1rios \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o do Futuro\", in http:\/\/www.agal-gz.org\/portugaliza\/num07\/setesaberes.pdf).<br \/>\nEnquanto territ\u00f3rio de mudan\u00e7a, que nos leva de um modelo em final de vida para uma nova ordem, a crise \u00e9 interpretada de formas distintas: Primeiramente e em som mais aud\u00edvel, surgem os profetas da desgra\u00e7a, que, agarrados \u00e0 seguran\u00e7a natural proporcionada pelo conhecimento que possuem do modelo ainda vigente, pintam com as cores mais negras o horizonte, que verdadeiramente desconhecem, mas que, por anunciar altera\u00e7\u00f5es, instala nos esp\u00edritos naturais n\u00edveis de d\u00favida, de incerteza e at\u00e9 de ansiedade. Fazem-no porventura numa tentativa \u00faltima de evitar o inevit\u00e1vel rumo dos acontecimentos. Outros por\u00e9m s\u00e3o capazes de ver estes mesmos momentos de crise como janelas de oportunidade para a inova\u00e7\u00e3o. Estes, cujas vozes se v\u00e3o tornando gradualmente mais fortes, s\u00e3o os que percebem que o processo evolutivo \u00e9 incontorn\u00e1vel, e que aqueles que se mostrarem preparados para participar e aceitar as mudan\u00e7as ser\u00e3o provavelmente os que em melhores condi\u00e7\u00f5es ficar\u00e3o para singrar na nova ordem emergente.<br \/>\nRelativamente ao modelo cujo fim parece agora anunciar-se, esta crise tem revelado que muitas das suas formas de funcionamento n\u00e3o eram afinal t\u00e3o claras como se apresentavam ou como se fazia crer. Efectivamente e em rela\u00e7\u00e3o ao funcionamento da economia, a crise tem posto a nu todo um conjunto de situa\u00e7\u00f5es mais ou menos fraudulentas que, em condi\u00e7\u00f5es de funcionamento normal, n\u00e3o se revelaram nunca. Em termos nacionais e internacionais, a crise tem vindo a revelar que algumas das mais prestigiadas institui\u00e7\u00f5es da alta finan\u00e7a funcionavam ao mais alto n\u00edvel com algumas facetas menos claras e que, a confirmarem-se, em nada prestigiam os respectivos corpos gerentes e, por consequ\u00eancia directa, as pr\u00f3prias institui\u00e7\u00f5es em causa. A este n\u00edvel recordemos apenas a grande situa\u00e7\u00e3o fraudulenta que mais recentemente veio ao conhecimento da opini\u00e3o p\u00fablica mundial - o denominado caso Madoff, que tem tido repercuss\u00f5es um pouco por todo o sistema econ\u00f3mico - \u00e0 qual poder\u00e3o vir a juntar-se outras, que o anunciado aprofundamento da crise poder\u00e1 entretanto vir a revelar . . .<br \/>\n\u00c9 evidente, a hist\u00f3ria tem-no demonstrado, que n\u00e3o existem formas de organiza\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica, social e cultural perfeitas (O que \u00e9 uma economia perfeita?; O que \u00e9 uma sociedade perfeita?; O que \u00e9 uma cultura perfeita?). \u00c9 o pr\u00f3prio processo evolutivo dos modelos econ\u00f3mico e social que tem permitido por a nu essas ditas \"imperfei\u00e7\u00f5es\", que s\u00f3 ganham esta dimens\u00e3o e este ep\u00edteto, como lhes temos vindo a chamar, a partir do momento em que um novo paradigma organizacional emerge e passa a ser comparado com os que o antecederam.<br \/>\nEm nosso entender, o simples facto de a crise estar a revelar algumas \"imperfei\u00e7\u00f5es\" em zonas at\u00e9 agora insuspeitas no quadro de funcionamento do modelo econ\u00f3mico que ainda julgamos existir, corresponde na pr\u00e1tica a uma forte evid\u00eancia de que o modelo est\u00e1 j\u00e1 em processo de altera\u00e7\u00e3o.<br \/>\nSem sabermos ainda exactamente qual ser\u00e1 a geometria que os modelos econ\u00f3mico e social em gesta\u00e7\u00e3o revelar\u00e3o, alguns conceitos come\u00e7am j\u00e1 a ganhar alguma import\u00e2ncia nesses futuros quadros. Um desses conceitos \u00e9 o de \"Qualidade Total\", de que fala Cristina Mendon\u00e7a (ver Maria Cristina Mendon\u00e7a, 2000, \"A Reforma e a Qualidade nos Servi\u00e7os P\u00fablicos\", in \"Forum 2000 - Reformar a Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica: Um Imperativo\", ISCSP, Lisboa, 113 - 117), referindo precisamente que a \"qualidade\" \u00e9 uma necessidade imprescind\u00edvel nas sociedades actuais, n\u00e3o nos termos como tem sido tradicionalmente equacionada - cria\u00e7\u00e3o e sustenta\u00e7\u00e3o de uma imagem institucional que, as mais das vezes por quest\u00f5es concorrenciais, se passa estrategicamente para o mercado, independentemente de corresponder \u00e0 realidade interna da pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o -, mas agora numa perspectiva totalmente inovadora e \"global\". A \"Qualidade Global\" deve nascer no seio da institui\u00e7\u00e3o, no seu todo, devendo ser um dos factores da cultura organizacional e por isso dever\u00e1 envolver todas as pessoas que exercem fun\u00e7\u00f5es na organiza\u00e7\u00e3o. S\u00f3 em contextos organizacionais em que todos os funcion\u00e1rios se sintam verdadeiramente envolvidos num trabalho de qualidade que \u00e9 prestado pela organiza\u00e7\u00e3o (p\u00fablica ou privada) de que fazem parte, permite criar condi\u00e7\u00f5es para que os servi\u00e7os prestados por essa institui\u00e7\u00e3o tenham efectivamente a qualidade requerida e necess\u00e1ria para poder entrar nos mercados (globais) de uma forma verdadeiramente concorrencial. S\u00f3 atrav\u00e9s de elevados \u00edndices de \"qualidade global\" parece ser poss\u00edvel ganhar a necess\u00e1ria e imprescind\u00edvel confian\u00e7a dos mercados.<br \/>\nQuem n\u00e3o conseguir entender esta prem\u00eancia, nomeadamente na economia global de \"vasos comunicantes\", como lhes chamamos, dificilmente conseguir\u00e1 sobreviver no modelo econ\u00f3mico que agora emerge. E \u00e9 por isso que \u00e9 importante que as institui\u00e7\u00f5es (p\u00fablicas ou privadas) constituam mecanismos internos que por um lado lhes permitam garantir elevados \u00edndices de \"qualidade global\" e, por outro lado, lhes permitam despistar eventuais problemas de fraude que possam ainda assim eclodir no seu interior.<br \/>\nAs universidades, na sua fun\u00e7\u00e3o de cadinho das tend\u00eancias vanguardistas do desenvolvimento tecnol\u00f3gico e humano, parecem ter j\u00e1 percebido as necessidades de mudan\u00e7a e os rumos que essa mudan\u00e7a seguir\u00e1. \u00c9 neste contexto que parece muito positiva a tend\u00eancia que actualmente se tem registado no mundo acad\u00e9mico no sentido de criar cursos de forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica destinados a profissionais que se dediquem ao conhecimento, ao estudo e \u00e0 detec\u00e7\u00e3o de eventuais situa\u00e7\u00f5es de fraude. Importa agora que os respons\u00e1veis pelas institui\u00e7\u00f5es verdadeiramente interessadas em posicionar-se em concord\u00e2ncia com os contextos econ\u00f3micos e sociais emergentes consigam alcan\u00e7ar a import\u00e2ncia que possa revestir a aposta na \"qualidade global\" dos servi\u00e7os que prestam, potenciando assim o aumento dos \u00edndices de confian\u00e7a que os seus futuros potenciais clientes necessitam sentir existir.<br \/>\nPara finalizar e apesar dos discursos sombrios acerca do evoluir do cen\u00e1rio de crise para o ano j\u00e1 em curso, a todos se deseja um excelente 2009 e que, no que depender de cada um de n\u00f3s, olhemos para a crise como uma janela de novas oportunidades!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Jo\u00e3o Maia, Vis\u00e3o on line, Falar da crise \u00e9 j\u00e1 de certa forma um lugar comum. 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