{"id":895,"date":"2008-12-24T00:00:00","date_gmt":"2008-12-24T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=895"},"modified":"2015-12-04T19:20:26","modified_gmt":"2015-12-04T19:20:26","slug":"mais-leis-nao-obrigado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=895","title":{"rendered":"Mais leis? N\u00e3o, obrigado."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Fernando Costa Lima, Vis\u00e3o on line<\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\" href=\"http:\/\/aeiou.visao.pt\/mais-leis-nao-obrigado=f497135\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" alt=\"\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2010\/01\/VisaoE002.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" alt=\"\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os recentes acontecimentos nos mercados financeiros internacionais t\u00eam levantado muitas quest\u00f5es, com especial destaque para o papel da regula\u00e7\u00e3o financeira e dos reguladores.<br \/>\nSempre que surge uma crise mais grave ou um esc\u00e2ndalo financeiro com maior peso, assistimos sempre \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de uma comiss\u00e3o de inqu\u00e9rito, que procura o competente bode expiat\u00f3rio e que, quase sem excep\u00e7\u00e3o, prop\u00f5e pelo menos mais uma lei que vai evitar todos os problemas futuros.<br \/>\nAssim foi com o BCCI, o Barings, a Enron para nomear apenas os mais medi\u00e1ticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><!--more-->\u00a0Um dos exemplos mais recentes, na sequ\u00eancia do caso Enron, \u00e9 a lei Sarbanes-Oxley (Public Company Accounting Reform and Investor Protection Act of 2002) cujo principal objectivo era \"melhorar a independ\u00eancia dos auditores, a fixa\u00e7\u00e3o da responsabilidade na prepara\u00e7\u00e3o das demonstra\u00e7\u00f5es financeiras e melhorar os padr\u00f5es dos relat\u00f3rios dos conselhos de administra\u00e7\u00e3o de todas as sociedades abertas americanas\". Esta lei deu inclusivamente origem a uma nova institui\u00e7\u00e3o para fiscalizar a sua aplica\u00e7\u00e3o (Public Company Accounting Oversight Board).<br \/>\nEsta lei resolveu de facto os problemas que procurou afrontar ou foi mais um peso burocr\u00e1tico (e um custo) sobre os 99,99% de empresas e pessoas honestas que tiveram de passar a cumprir as suas pesadas exig\u00eancias?<br \/>\nO CEO da Sun Microsystems, Scott McNealy, chamou a esta lei, que procura evitar futuras Enrons e outros maus comportamentos empresariais, um desastre. Disse ainda que consome tanto tempo e \u00e9 t\u00e3o burocr\u00e1tica que \u00e9 como atirar \"baldes de areia para cima das engrenagens da economia de mercado\" (In Usa Today, 19 de Outubro de 2003).<br \/>\nA lei Sarbanes-Oxley n\u00e3o evitou a recente crise do subprime e muito sinceramente, n\u00e3o acredito que lei alguma, s\u00f3 por si, venha a evitar situa\u00e7\u00f5es como a que vivemos actualmente. H\u00e1 sempre formas de as pessoas desonestas encontrarem buracos nas leis.<br \/>\nEnt\u00e3o podemos perguntar: a defesa dos interesses dos investidores e a estabilidade dos mercados financeiros exigem mais leis, exigem mais regula\u00e7\u00e3o? Vamos procurar uma resposta pontual a cada problema que surge?<br \/>\nOu precisamos de uma forma diferente de fazer regula\u00e7\u00e3o, de uma forma diferente de olhar a supervis\u00e3o dos mercados e dos seus agentes?<br \/>\nEm 22 de Junho de 1999, o site BBC News, a prop\u00f3sito do caso Barings, citava o editor da Futures and Options Week, Neil Wilson: \"Pode acontecer outra vez porque os incentivos s\u00e3o os mesmos, se n\u00e3o maiores. Os ganhos s\u00e3o muito grandes e isso \u00e9 uma tenta\u00e7\u00e3o para as pessoas.\"<br \/>\nNuma confer\u00eancia sobre a Uni\u00e3o Monet\u00e1ria Europeia, Linda Davies, a famosa escritora de \"novelas financeiras\" dizia: \"No mundo financeiro, risco, retorno e desastre s\u00e3o ciclos que se repetem todas as gera\u00e7\u00f5es. A gan\u00e2ncia, o atrevimento e as flutua\u00e7\u00f5es sist\u00e9micas deram-nos a \"bolha\" da South Sea, o Barings, Bre-X, a Mania das Tulipas, para nomear apenas alguns dos milhares de exemplos dispon\u00edveis. (...) A natureza humana n\u00e3o mudou, mas o espa\u00e7o para a destrui\u00e7\u00e3o financeira aumentou dramaticamente com a interdepend\u00eancia dos mercados financeiros guiada pela tecnologia, com o tamanho crescente das transac\u00e7\u00f5es e com o advento dos mercados de derivados. Banqueiros que contratam g\u00e9nios famintos de dinheiro n\u00e3o deviam mostrar surpresa ou espanto quando alguns deles aparecem com formas brilhantes, criativas e ilegais de fazer dinheiro.\"<br \/>\nTudo isto para concluirmos que na ess\u00eancia dos problemas est\u00e1 quase sempre a exist\u00eancia de conflitos de interesses mal resolvidos e acima de tudo, a maioria das vezes, mal acompanhados, mal controlados, mal vigiados.<br \/>\nA t\u00edtulo de exemplo:<br \/>\n* No caso Enron, os executivos de topo receberam 744 milh\u00f5es de d\u00f3lares em remunera\u00e7\u00f5es e ac\u00e7\u00f5es no ano anterior ao da fal\u00eancia e os auditores recebiam mais em fees de consultoria do que em fees de auditoria, na presen\u00e7a clara de conflitos de interesses mal resolvidos e mal vigiado;<br \/>\n* No caso actual do subprime, os conflitos de interesses mal acompanhados estavam l\u00e1, j\u00e1 que as enormes compensa\u00e7\u00f5es recebidas pelos executivos dos principais bancos de investimento levaram-nos a correr riscos excessivos, nomeadamente em termos de sobreendividamento. Como escreveu Shawn Tully \"...uma parte desproporcionada dos lucros vai para os executivos e traders quando o ano \u00e9 bom - ou antes, quando a empresa tem sorte - deixando os accionistas com muito menos patrim\u00f3nio quando os mercados se afundam.\" (\"What\u00b4s wrong with Wall Street and how to fix it\", Fortune, 14 de Abril de 2008)<br \/>\nEm conclus\u00e3o, penso que n\u00e3o s\u00e3o mais leis, mais regulamentos e mais exig\u00eancias de relat\u00f3rios e montanhas de informa\u00e7\u00e3o a enviar aos reguladores que v\u00e3o evitar os desastres. Os reguladores devem procurar, isso sim, as zonas e os focos potenciais de conflitos de interesses e, com a autoridade e os poderes que lhes est\u00e3o conferidos, obrigar a implanta\u00e7\u00e3o de medidas e mecanismos de resolu\u00e7\u00e3o e acompanhamento eficazes desses conflitos de interesses.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fernando Costa Lima, Vis\u00e3o on line, Os recentes acontecimentos nos mercados financeiros internacionais t\u00eam levantado muitas quest\u00f5es, com especial destaque para o papel da regula\u00e7\u00e3o financeira e dos reguladores. 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