{"id":8920,"date":"2014-08-03T10:34:43","date_gmt":"2014-08-03T10:34:43","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=8920"},"modified":"2015-12-04T19:07:28","modified_gmt":"2015-12-04T19:07:28","slug":"crescimento-economico-insustentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=8920","title":{"rendered":"Crescimento econ\u00f3mico (in)sustentado"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>\u00d3scar Afonso, Jornal i<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a title=\"Crescimento econ\u00f3mico (in)sustentado\" href=\"http:\/\/www.ionline.pt\/iopiniao\/crescimento-economico-insustentado\/pag\/-1\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19 size-full\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a title=\"Crescimento econ\u00f3mico (in)sustentado\" href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/I_085.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2032\" title=\"Ficheiro pdf\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><b style=\"color: #000000;\"><\/b><\/a><\/p>\n<div class=\"field field-name-field-deck field-type-text field-label-hidden\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"field field-name-field-deck field-type-text field-label-hidden\">\n<div class=\"field-items\">\n<div class=\"field-item even\">\n<div class=\"field field-name-field-deck field-type-text field-label-hidden\">\n<div class=\"field-items\">\n<div class=\"field-item even\">Incomoda-me ouvir pol\u00edticos e comentadores exclusivamente imbu\u00eddos do contexto de curto prazo afirmarem que a solu\u00e7\u00e3o para a crise passa por um aumento do consumo<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n<\/div>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 10.0pt 0cm;\"><span style=\"font-size: 11.5pt; font-family: 'Calibri','sans-serif'; color: black;\">Por defini\u00e7\u00e3o, crescimento econ\u00f3mico de uma economia reflecte o aumento sustentado da quantidade de bens e servi\u00e7os produzidos e \u00e9 esse aumento que assegura a melhoria permanente do padr\u00e3o da vida dos seus habitantes. Igualmente por defini\u00e7\u00e3o, em Economia distingue-se estabiliza\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica de curto prazo e crescimento econ\u00f3mico de longo prazo. No curto prazo, o andamento da quantidade de bens e servi\u00e7os produzidos tamb\u00e9m reflecte o andamento do ciclo e, por isso, n\u00e3o \u00e9 necessariamente sustentado. Basta, por exemplo, que decorra de um aumento do consumo p\u00fablico por motivos puramente eleitorais ou que resulte de mau consumo privado. Para ser sustentado, no longo prazo, deve sim decorrer do crescimento da produ\u00e7\u00e3o motivada pelo andamento dos factores de produ\u00e7\u00e3o (e do seu emprego ao n\u00edvel natural) e da tecnologia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 10.0pt 0cm;\"><span style=\"font-size: 11.5pt; font-family: 'Calibri','sans-serif'; color: black;\">Posto isto, incomoda-me ver e ouvir pol\u00edticos e comentadores exclusivamente imbu\u00eddos do contexto de curto prazo afirmarem que a solu\u00e7\u00e3o para a crise passa por um aumento do consumo\/gasto p\u00fablico porque, supostamente, gera crescimento econ\u00f3mico. \u00c9 verdade que gera, mas tamb\u00e9m \u00e9 verdade que, decorrendo de gastos \u201c<i>\u00e0 la<\/i> Portuguesa\u201d em rotundas, SCUTs, PPPs, BPN, entre outros, esse crescimento econ\u00f3mico \u00e9 artificial, insustent\u00e1vel e mau. Para al\u00e9m de contribuir para um maior d\u00e9fice externo, naturalmente de evitar pelas raz\u00f5es obvias, por este caminho haver\u00e1 tamb\u00e9m maior d\u00e9fice p\u00fablico (e maior d\u00edvida p\u00fablica), cuja correc\u00e7\u00e3o requer, no momento seguinte, menor gasto p\u00fablico ou mais impostos. E, j\u00e1 agora, mais impostos significam menos recursos para, por exemplo, investimento.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 10.0pt 0cm;\"><span style=\"font-size: 11.5pt; font-family: 'Calibri','sans-serif'; color: black;\">N\u00e3o tenho qualquer d\u00favida que assim \u00e9, mas para quem duvida proponho o seguinte exerc\u00edcio: recolha, como eu fiz, dados para a taxa de crescimento e para o peso do gasto p\u00fablico no produto, em Portugal, e confronte o andamento das duas s\u00e9ries. Como poder\u00e1 ver para o per\u00edodo 1986-2013, em m\u00e9dia e com tudo mais constante, um aumento de 1 ponto percentual no peso do gasto p\u00fablico no produto provocou uma diminui\u00e7\u00e3o da taxa de crescimento econ\u00f3mico em 0,87 pontos percentuais. D\u00e1 que pensar, n\u00e3o!<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 10.0pt 0cm;\"><span style=\"font-size: 11.5pt; font-family: 'Calibri','sans-serif'; color: black;\">N\u00e3o entendo ent\u00e3o como se continua a defender que a chave para o crescimento est\u00e1 no puro aumento da despesa p\u00fablica. Ser\u00e1 por ignor\u00e2ncia? Ou ser\u00e1 por interesse pessoal? Nos \u00faltimos 27 anos, de 1986 at\u00e9 hoje, apenas em 8 anos (1986, 1987, 1994, 2006, 2007, 2010, 2011 e 2012) o peso do gasto p\u00fablico no produto diminuiu. Por mais que se diga o contr\u00e1rio, mais cedo do que tarde, esta estrat\u00e9gia baseada em mau consumo acaba, como vimos, por revelar-se fatal.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 10.0pt 0cm;\"><span style=\"font-size: 11.5pt; font-family: 'Calibri','sans-serif'; color: black;\">Com esta cr\u00f3nica gostaria de contribuir para que, de uma vez por todas, se entenda que o crescimento econ\u00f3mico sustentado decorre do aumento permanente da quantidade e qualidade dos factores de produ\u00e7\u00e3o, e da melhoria das institui\u00e7\u00f5es. Sendo o trabalho e o capital os factores de produ\u00e7\u00e3o determinantes, as fontes de crescimento econ\u00f3mico sustentado s\u00e3o ent\u00e3o a melhoria da taxa de natalidade, que contribui tamb\u00e9m para o alargamento do mercado e para a sobreviv\u00eancia do estado na\u00e7\u00e3o, e tamb\u00e9m a acumula\u00e7\u00e3o, via investimento, de capital humano (educa\u00e7\u00e3o), de capital f\u00edsico e de conhecimento tecnol\u00f3gico. O investimento requer recursos e, por conseguinte, exige poupan\u00e7a. A par desse comportamento dos factores, o crescimento econ\u00f3mico sustentado requer tamb\u00e9m uma melhoria permanente das institui\u00e7\u00f5es, o que exige reformas estruturais; em particular, (i) leis adequadas a n\u00edvel fiscal, a n\u00edvel de direitos de propriedade e de manuten\u00e7\u00e3o da ordem, (ii) bem como apropriados servi\u00e7os governamentais, aspectos culturais, geogr\u00e1ficos e sociais, e (iii) ainda uma pol\u00edtica de apoio ao empreendedorismo e de redu\u00e7\u00e3o da rigidez de regulamentos. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; margin: 0cm 0cm 10.0pt 0cm;\"><span style=\"font-size: 11.5pt; font-family: 'Calibri','sans-serif'; color: black;\">Repito: o gasto p\u00fablico contribui para o crescimento econ\u00f3mico apenas quando auxilia nestes <i>itens<\/i> e apenas nesse contexto, a produtividade do trabalho aumentar\u00e1 e os decorrentes aumentos salariais melhorar\u00e3o sustentadamente o poder de compra das popula\u00e7\u00f5es. Importa ainda real\u00e7ar o papel do investimento directo estrangeiro, em complemento do sempre escasso investimento dom\u00e9stico, e a aposta na especializa\u00e7\u00e3o de acordo com as vantagens comparativas.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00d3scar Afonso, Jornal i &nbsp; Incomoda-me ouvir pol\u00edticos e comentadores exclusivamente imbu\u00eddos do contexto de curto prazo afirmarem que a solu\u00e7\u00e3o para a crise passa por um aumento do consumo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,124],"tags":[],"class_list":["post-8920","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-i"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8920","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=8920"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8920\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8939,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8920\/revisions\/8939"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=8920"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=8920"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=8920"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}