{"id":8853,"date":"2014-07-17T10:37:19","date_gmt":"2014-07-17T10:37:19","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=8853"},"modified":"2015-12-04T19:11:46","modified_gmt":"2015-12-04T19:11:46","slug":"um-simples-auditor-nao-chega","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=8853","title":{"rendered":"Um simples auditor n\u00e3o chega"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Maria do C\u00e9u Ribeiro, Vis\u00e3o on line<\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/visao.sapo.pt\/um-simples-auditor-nao-chega=f789583\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/VisaoE287.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<div>\n<p>Necessita-se auditores contabilistas, fiscalistas, soci\u00f3logos, fil\u00f3sofos, crimin\u00f3logos, especialistas em IT e em investiga\u00e7\u00e3o forense.<br \/>\n...<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><span style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\"><!--more--><\/span><br \/>\n\u201cCinco princ\u00edpios [sobre a fraude]:<\/p>\n<ol>\n<li>A fraude foge aos controlos<\/li>\n<li>O erro \u00e9 a m\u00e3e da fraude<\/li>\n<li>O Homem nasce naturalmente mau, o auditor torna-o bom<\/li>\n<li>Por grandes que sejam os auditores, eles s\u00e3o o que n\u00f3s somos, e podem ser utilizados como todos os homens.<\/li>\n<li>\u00abNo meio est\u00e1 a virtude\u00bb\u201d (1)<\/li>\n<\/ol>\n<p>Muito haveria a escrever sobre cada um destes princ\u00edpios. Destaco o terceiro (que um qualquer auditor certamente acolher\u00e1 com um sorriso) e o quarto. \u201cSe o auditor torna bom o homem mau\u201d, tal s\u00f3 pode significar que h\u00e1 auditores maus e auditores bons. Os bons tornam os clientes bons, os maus ou o n\u00e3o recurso a auditoria justificariam os casos de fraude e seria tudo t\u00e3o f\u00e1cil de resolver.<br \/>\nA auditoria como meio de garantir a \u201cveracidade\u201d da informa\u00e7\u00e3o relatada surge pela primeira vez na Europa no s\u00e9culo XIX ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o industrial, tendo-se desenvolvido com o aparecimento das sociedades an\u00f3nimas e do mercado de capitais. Hoje \u00e9 sin\u00f3nimo de informa\u00e7\u00e3o cred\u00edvel ou pelo menos mais cred\u00edvel do que a n\u00e3o-auditada.<br \/>\nExiste uma opini\u00e3o enraizada por parte da opini\u00e3o p\u00fablica e da imprensa, entenda-se todos n\u00f3s, de que a auditoria desempenhou mal o seu papel quando uma determinada fraude n\u00e3o foi previamente descoberta ou comunicada pelo auditor. Diferen\u00e7a de expectativa associada aos objetivos, ao valor ou \u00e0 natureza da auditoria ou n\u00e3o, o que \u00e9 certo, \u00e9 que tais esc\u00e2ndalos levaram quase sempre \u00e0 demiss\u00e3o do auditor (ou consequ\u00eancias ainda mais graves, entre as quais, colapso e fal\u00eancia da auditora). A auditoria n\u00e3o est\u00e1 a responder \u00e0s expectativas da sociedade. Surge um esc\u00e2ndalo financeiro e questiona-se onde estavam os auditores, se emitiram uma opini\u00e3o \u201climpa\u201d, isto \u00e9, sem reservas. Seguran\u00e7a \u201caceit\u00e1vel\u201d contra a fraude? A mensagem \u00e9 quase sempre mal interpretada e \u201caceit\u00e1vel\u201d passa a \u201cabsoluta\u201d.<br \/>\nApesar da constante evolu\u00e7\u00e3o da auditoria com vista a adaptar-se \u00e0s necessidades dos utilizadores e da sociedade em geral, esta incutiu-lhe um papel de \u201cc\u00e3o de ca\u00e7a\u201d no \u00e2mbito da sua responsabilidade social em \u201ctornar o homem naturalmente mau, num homem bom\u201d.<br \/>\nA como interagir com o mercado e transmitir a uma pan\u00f3plia de utilizadores de informa\u00e7\u00e3o financeira a complexidade e dificuldade em cumprir com a tarefa de dete\u00e7\u00e3o de fraude por parte do auditor, a Uni\u00e3o Europeia responde na recentemente aprovada \u201creforma da auditoria\u201d com exig\u00eancias adicionais no relat\u00f3rio de auditoria, de per si j\u00e1 demasiado t\u00e9cnico e \u201cindecifr\u00e1vel\u201d para a maioria dos leitores, obrigando \u00e0 divulga\u00e7\u00e3o dos riscos de distor\u00e7\u00e3o material devido \u00e0 fraude, da resposta do auditor a esses riscos e \u00e0 inclus\u00e3o de como a auditoria foi considerada eficaz na dete\u00e7\u00e3o da fraude. Esta terminologia, que continua complexa e incompreens\u00edvel, n\u00e3o ir\u00e1, por certo, ajudar a sociedade a aceitar a nega\u00e7\u00e3o da responsabilidade prim\u00e1ria do auditor na dete\u00e7\u00e3o da fraude, nem elucidar os leitores para a dificuldade de garantir a plenitude do que quer que seja, para os contornos e o agu\u00e7ar das t\u00e9cnicas fraudulentas que escapam \u00e0 teia dos procedimentos de auditoria e dos controlos institu\u00eddos, at\u00e9 numa perspetiva de \u201cmaterialmente relevante\u201d atr\u00e1s da qual o auditor se refugia.<\/p>\n<p>\u201cOs auditores podem ser \u201cutilizados como todos os homens\u201d, h\u00e1 por isso que garantir a sua independ\u00eancia. Um auditor independente n\u00e3o cede a press\u00f5es e n\u00e3o h\u00e1 qualquer tipo de influ\u00eancia no conte\u00fado do relat\u00f3rio e na busca da \u201caceit\u00e1vel seguran\u00e7a\u201d sobre as demonstra\u00e7\u00f5es financeiras ou sobre os procedimentos de controlo interno, seja qual for o cliente e o seu peso no total da sua carteira. As institui\u00e7\u00f5es representantes dos auditores e as entidades reguladoras estabelecem, para isso, normas r\u00edgidas no controlo de qualidade efetuado, em especial no tocante \u00e0 independ\u00eancia do auditor.<br \/>\nNo sentido de refor\u00e7ar a credibilidade da informa\u00e7\u00e3o auditada, a mesma \u201creforma da auditoria\u201d na Uni\u00e3o Europeia tornou obrigat\u00f3ria a rota\u00e7\u00e3o dos auditores para as \u201csociedades de interesse p\u00fablico\u201d, assim como a proibi\u00e7\u00e3o quase total de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os \u201cdistintos da auditoria\u201d em diversas \u00e1reas aos clientes auditados. Um enfoque no princ\u00edpio da independ\u00eancia do auditor no sentido de evitar que \u201cpossa ser utilizado como qualquer outro homem\u201d.<br \/>\nMuito se tem escrito sobre a necessidade de cria\u00e7\u00e3o de equipas multidisciplinares de auditores e sujei\u00e7\u00e3o das \u201csociedades de interesse p\u00fablico\u201d a auditorias especializadas na dete\u00e7\u00e3o (e preven\u00e7\u00e3o) da fraude (Auditoria da Fraude). Esta \u201creforma\u201d foca-se essencialmente no princ\u00edpio da independ\u00eancia do auditor atrav\u00e9s de uma clara monitoriza\u00e7\u00e3o da elevada concentra\u00e7\u00e3o no mercado da auditoria, tentando torn\u00e1-lo mais concorrencial. A necess\u00e1ria complementaridade das v\u00e1rias \u00e1reas do saber que a auditoria cada vez mais necessita desde a auditoria \u00e0s ci\u00eancias forenses para a dete\u00e7\u00e3o da fraude continua a ser um desafio para a profiss\u00e3o.<br \/>\nNecessita-se auditores contabilistas, fiscalistas, soci\u00f3logos, fil\u00f3sofos, crimin\u00f3logos, especialistas em IT e em investiga\u00e7\u00e3o forense. Estar\u00e1 a sociedade interessada e capaz de os utilizar?<\/p>\n<p>(1) Pons, No\u00ebl &amp; Val\u00e9rie Berche. 2009. Arnaques. Le Manuel Anti-fraude. Paris: CNRS Editions. P\u00e1g. 126\/7)<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria do C\u00e9u Ribeiro, Vis\u00e3o on line, Necessita-se auditores contabilistas, fiscalistas, soci\u00f3logos, fil\u00f3sofos, crimin\u00f3logos, especialistas em IT e em investiga\u00e7\u00e3o forense. &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,123],"tags":[],"class_list":["post-8853","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-visao-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8853","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=8853"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8853\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14137,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8853\/revisions\/14137"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=8853"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=8853"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=8853"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}