{"id":8758,"date":"2014-06-19T09:18:28","date_gmt":"2014-06-19T09:18:28","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=8758"},"modified":"2015-12-04T19:11:47","modified_gmt":"2015-12-04T19:11:47","slug":"a-saudezinha-portuguesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=8758","title":{"rendered":"A saudezinha portuguesa"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Pedro Santos Moura, Vis\u00e3o on line<\/strong><\/span>,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/visao.sapo.pt\/a-saudezinha-portuguesa=f785642\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/VisaoE283.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<div>\n<p>Est\u00f3rias sobre fraudes na sa\u00fade de que toda a gente j\u00e1 ouviu falar mas de que ningu\u00e9m tem a certeza<br \/>\n...<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><span style=\"font-size: 0.75rem; line-height: 1.25rem;\"><!--more--><\/span><\/p>\n<p>Muitas vezes se ouve falar sobre a excelente qualidade do sistema nacional de sa\u00fade (SNS) portugu\u00eas. Olhar-se para indicadores de qualidade de sa\u00fade de hoje e de \u00e0 40 anos atr\u00e1s mostram a enorme evolu\u00e7\u00e3o que aconteceu. Devemos, enquanto pa\u00eds, orgulharmo-nos de estarmos no \u2018pelot\u00e3o da frente\u2019 da sa\u00fade a n\u00edvel internacional.<\/p>\n<p>Mas, de uma maneira muito portuguesa, parece-me que come\u00e7amos, tamb\u00e9m nesta \u00e1rea, a viver mais do que j\u00e1 foi do que daquilo que pode vir a ser. \u00c9 t\u00edpico da nossa cultura que quando chegados a uma certa posi\u00e7\u00e3o de qualidade e\/ou de conforto (pessoal, social, profissional, etc.) a nossa hist\u00f3ria pare subitamente, passando a entoar rotineiramente e para quem queira ouvir a lenga-lenga sobre os enormes sucessos que tivemos e que nos trouxeram at\u00e9 aqui, tentando assim justificar a nossa perman\u00eancia nesse posto\/posi\u00e7\u00e3o perante n\u00f3s e todos os outros (afinal de contas, \u00e9 uma boa posi\u00e7\u00e3o). \u00c9 uma estrat\u00e9gia de cristaliza\u00e7\u00e3o do passado para o futuro, n\u00e3o uma estrat\u00e9gia de futuro. Deixamos de ambicionar e pensar no que poder\u00edamos fazer a partir do ponto onde estamos.<\/p>\n<p>Sou um partid\u00e1rio de um forte SNS p\u00fablico. O setor privado tem os seus pontos fortes, mas considero que o acesso \u00e0 sa\u00fade com qualidade deve ser universal e n\u00e3o discriminat\u00f3rio a partir da capacidade financeira de cada um. E isso est\u00e1 a acontecer cada vez mais (infelizmente tal como na educa\u00e7\u00e3o e na justi\u00e7a).<\/p>\n<p>De um ponto de vista sist\u00e9mico (e simplista), o SNS tem como objetivo garantir a melhor qualidade de vida poss\u00edvel aos cidad\u00e3os, utilizando para tal recursos humanos e materiais o mais eficaz e eficientemente poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Preocupa-me sentir, pelos sinais que vou recebendo, que o SNS est\u00e1 numa posi\u00e7\u00e3o de in\u00e9rcia, repleta de enormes h\u00e1bitos e v\u00edcios organizacionais e corporativos, que limitam a possibilidade de, a partir do excelente ponto onde estamos, conseguirmos evoluir ainda mais.<\/p>\n<p>Para concretizar esta minha perspetiva, deixo o relato de um caso que me contaram e que me parece paradigm\u00e1tico de um conjunto de defici\u00eancias que, enquanto cidad\u00e3o, muito gostaria de ver resolvidas. Esta est\u00f3ria foi-me contada por uma pessoa conhecida que trabalha no setor da sa\u00fade e que tem um conhecimento interno dos setores p\u00fablico e privado da sa\u00fade.<\/p>\n<p>O caso \u00e9 simples de contar. Num dos maiores hospitais p\u00fablicos de Lisboa, o servi\u00e7o de cirurgia pratica, por dia e por sala dispon\u00edvel, 1 cirurgia de uma dada especialidade (n\u00e3o interessa qual para aqui). Segundo a pessoa que me contou a est\u00f3ria, no setor privado, com as mesmas condi\u00e7\u00f5es, s\u00e3o geralmente praticadas 3 cirurgias da mesma especialidade por sala. Ou seja, um r\u00e1cio de produtividade de 1 para 3 entre p\u00fablico e privado. H\u00e1 certamente muitos \u2018profissionais\u2019 que conseguiriam, com um discurso exemplarmente articulado, apresentar raz\u00f5es v\u00e1lidas (provavelmente pouco baseadas em factos) para esta discrep\u00e2ncia.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o preocupante (que gostaria de ver os \u2018profissionais\u2019 explicar) \u00e9 que este r\u00e1cio tem este valor (1 para 3) durante os dias \u00fateis, no hor\u00e1rio normal de trabalho. Segundo a minha fonte, durante os fins de semana a est\u00f3ria \u00e9 outra. No sector p\u00fablico existe um programa chamado SIGIC, que pretende reduzir as listas de espera de cirurgia, e que \u00e9 usado sobretudo aos fins de semana. O SIGIC \u2018paga \u00e0 pe\u00e7a\u2019, ou seja, ao contr\u00e1rio do regime remunerat\u00f3rio fixo associado ao trabalho normal, os profissionais de sa\u00fade que efetuam cirurgias no \u00e2mbito deste programa recebem tanto mais quantas mais cirurgias forem efetuadas, pr\u00e1tica comum no setor privado (sobretudo ao n\u00edvel da classe m\u00e9dica). E misteriosamente, durante os \u2018per\u00edodos SIGIC\u2019 (geralmente fins de semana), o tal r\u00e1cio de 1 para 3 cirurgias entre p\u00fablico e privado durante os dias \u00fateis tende, maravilhosamente, a equilibrar-se.<\/p>\n<p>Esta est\u00f3ria choca-me naturalmente. Mas sobretudo levanta-me muitas quest\u00f5es. Os profissionais de sa\u00fade trabalham melhor quando t\u00eam sal\u00e1rio indexado a objetivos? Parece que sim. Os profissionais de sa\u00fade no setor p\u00fablico tendem a \u2018empurrar\u2019 cirurgias para o SIGIC (ou para o setor privado)? H\u00e1 diferen\u00e7as ao n\u00edvel de recursos materiais e humanos dispon\u00edveis entre o setor p\u00fablico e o privado que prejudiquem a produtividade do primeiro? Seria poss\u00edvel ter o mesmo grau de produtividade nos per\u00edodos \u2018normais\u2019 e nos per\u00edodos \u2018SIGIC\u2019 dos servi\u00e7os de cirurgia do setor p\u00fablico? Para al\u00e9m dos profissionais de sa\u00fade, o que pensam (e fazem) os servi\u00e7os de gest\u00e3o hospitalar, desde os diretores de servi\u00e7o aos administradores sobre estas discrep\u00e2ncias? Existem (e se sim quais s\u00e3o) as barreiras organizacionais \u00e0 melhoria destes indicadores?<\/p>\n<p>Talvez mais importante que todas estas quest\u00f5es (e porque escrevo aqui sob a \u00e9gide do Observat\u00f3rio de Gest\u00e3o e Economia da Fraude) existem dados de produtividade destes servi\u00e7os dispon\u00edveis (por exemplo, n\u00famero de cirurgias por institui\u00e7\u00e3o \/ \u2019SIGIC\u2019 ou n\u00e3o \/ especialidade \/ hora-dia \/ profissionais da sa\u00fade) que permitam comprovar esta est\u00f3ria?<\/p>\n<p>A existirem, gostava muito de ver estes dados para saber se estamos (ou n\u00e3o) perante uma enorme fraude praticada aos olhos (e consci\u00eancia) de muita gente, que lesa o Estado e sobretudo cidad\u00e3os necessitados destes cuidados de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Mesmo que toda esta est\u00f3ria seja inven\u00e7\u00e3o de um amigo aparvalhado, julgo que seria muito \u00fatil a exist\u00eancia e divulga\u00e7\u00e3o destes dados, pois a transpar\u00eancia \u00e9 o pior amigo da fraude.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pedro Santos Moura, Vis\u00e3o on line, Est\u00f3rias sobre fraudes na sa\u00fade de que toda a gente j\u00e1 ouviu falar mas de que ningu\u00e9m tem a certeza &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,123],"tags":[],"class_list":["post-8758","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-visao-online"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8758","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=8758"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8758\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8760,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8758\/revisions\/8760"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=8758"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=8758"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=8758"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}