{"id":8699,"date":"2014-06-06T09:10:28","date_gmt":"2014-06-06T09:10:28","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=8699"},"modified":"2015-12-04T19:07:30","modified_gmt":"2015-12-04T19:07:30","slug":"o-contabilista-um-drama-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=8699","title":{"rendered":"O contabilista. Um drama"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira,\u00a0Jornal i<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a title=\"O contabilista. Um drama\" href=\"http:\/\/www.ionline.pt\/iopiniao\/contabilista-drama\/pag\/-1\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Ma(n)chete de Kiev\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a title=\"O contabilista. Um drama\" href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/I_077.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ler o crime com cuidado\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/>Os jornalistas que entrevistaram Ricardo Salgado, por sua vez, ficaram emocionados com a trama, esmagados pelo desempenho do actor<\/a><\/p>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div class=\"field field-name-field-deck field-type-text field-label-hidden\"><!--more--><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>[O contabilista]<\/em><\/p>\n<p>A imagem que a sociedade em geral ret\u00e9m do contabilista n\u00e3o \u00e9 muito positiva. Um autor, cujo nome n\u00e3o retive, escrevia que o contabilista tem um papel t\u00e3o secund\u00e1rio que at\u00e9 a arte o discrimina. Dava como exemplo o cinema, onde j\u00e1 se tinham feito filmes tendo por protagonistas todo o tipo de her\u00f3is e bandidos, mesmo filmes cuja estrela era um c\u00e3o, um cavalo ou um outro qualquer animal mais ou menos simp\u00e1tico, mas que a um contabilista nunca havia sido dado o protagonismo de ser a estrela de uma produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Lembrei-me desta falta end\u00e9mica de reconhecimento do contabilista quando o Dr. Ricardo Esp\u00edrito Santo Salgado (RESS), dign\u00edssimo presidente do Banco Esp\u00edrito Santo (BES) e de mais umas quantas empresas, decidiu produzir um argumento \u201cficcional\u201d em entrevista ao <em>Jornal de Neg\u00f3cios<\/em> (22.5.2014) e, pasme-se, atribuir o estrelato ao contabilista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>[A fic\u00e7\u00e3o]<\/em><\/p>\n<p>Argumento fabuloso, embora simples. Explicado pelo seu autor, puxava para o dram\u00e1tico. O contabilista, tendo \u201dperdido o p\u00e9 no meio da crise\u201d (sic), \u201cesquecera-se\u201d de registar no balan\u00e7o de 2012 da empresa, a Esp\u00edrito Santo International (ESI), uma d\u00edvida no montante de 1,2 mil milh\u00f5es de euros numa altura em que o dito balan\u00e7o estava t\u00e3o fr\u00e1gil que qualquer \u201cresponsabilidade\u201d adicional, por mais insignificante que fosse, corria o risco de o transformar em \u201clixo\u201d. Os administradores (quase duas dezenas) e o revisor de contas (\u201ccomissaire aux comptes\u201d), \u201cdistra\u00eddos\u201d, n\u00e3o se aperceberam que faltava no balan\u00e7o da empresa uma d\u00edvida que representava cerca de um ter\u00e7o (!) da totalidade dos ativos. O tempo foi passando e todos viviam felizes. Os administradores porque com um balan\u00e7o mais \u201cdourado\u201d conseguiam continuar a contrair endividamento a taxas de juro razo\u00e1veis; o contabilista, porque a sua felicidade, certamente, se alimentava da felicidade que via na face dos primeiros. Mas o momento da desgra\u00e7a chegou [<em>n\u00e3o se ouve mas antecipa-se uma m\u00fasica de fundo soturna<\/em>]. O Banco de Portugal mandou fazer uma auditoria independente \u00e0s contas da ESI e o \u201cesquecimento\u201d foi facilmente detectado. Segundo RESS, autor e narrador da \u201cfic\u00e7\u00e3o\u201d, o contabilista assumiu o seu \u201cerro\u201d e demitiu-se [<em>n\u00e3o se v\u00ea, mas intui-se que parte para o desterro, amargurado<\/em>]. Os administradores, confrontados com a situa\u00e7\u00e3o, decidiram expiar a culpa pela \u201comiss\u00e3o\u201d. O presidente [RESS], \u00e0 moda antiga, foi o capit\u00e3o que enfrentou a imprensa, sequiosa de detalhes e em busca de um esc\u00e2ndalo. Calmo, colocou os holofotes no desempenho do contabilista, \u201chumildemente\u201d secundarizando a actua\u00e7\u00e3o da administra\u00e7\u00e3o [<em>t\u00e3o convincente foi que quase se conseguia escutar o ro\u00e7agar das suas asinhas de anjos umas contra as outras<\/em>]. A audi\u00eancia fica prostrada pela actua\u00e7\u00e3o [<em>os acordes pungentes da banda sonora que se intuem em fundo ajudando ao efeito<\/em>].<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>[O esquecimento] <\/em><\/p>\n<p>Os jornalistas que o entrevistaram, por sua vez, ficaram emocionados com a trama, esmagados pelo desempenho do actor. Nem se lembraram de perguntar a RESS como foi poss\u00edvel \u201cesquecerem\u201d o registo de uma d\u00edvida (responsabilidade) daquele montante, e se n\u00e3o era coincid\u00eancia a mais que esse \u201cesquecimento\u201d tivesse coincidido temporalmente com a extrema fragilidade do balan\u00e7o da ESI.<\/p>\n<p>\u201cDetalhes!\u201d, dir-se-\u00e1. \u00c9 verdade, detalhes, mas que retiram emo\u00e7\u00e3o \u00e0 hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>[O verdadeiro drama]<\/em><\/p>\n<p>Como leitor, a hist\u00f3ria \u201cdivertiu-me\u201d. Teve at\u00e9 o seu qu\u00ea de formativo, ilustrando em concreto o que significa ter \u201cboa imprensa\u201d, e mostrando que mesmo um sisudo banqueiro pode ser um actor de primeira \u00e1gua, capaz de um desempenho magistral a partir de uma hist\u00f3ria \u201csem p\u00e9s nem cabe\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>Como depositante e aforrador, aterrorizou-me. Pensar que o sistema financeiro acolhe no seu seio administradores que n\u00e3o conhecem o montante do endividamento das empresas que \u201cadministram\u201d, e \u201ccontabilistas\u201d que podem perder \u201co p\u00e9 no meio da crise\u201d e esquecerem-se de registar as d\u00edvidas contra\u00eddas \u2026 causa calafrios. Este \u00e9 o verdadeiro drama.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Moreira,\u00a0Jornal i Os jornalistas que entrevistaram Ricardo Salgado, por sua vez, ficaram emocionados com a trama, esmagados pelo desempenho do actor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,124],"tags":[],"class_list":["post-8699","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-i"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8699","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=8699"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8699\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8737,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8699\/revisions\/8737"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=8699"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=8699"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=8699"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}