{"id":7967,"date":"2014-04-18T09:52:02","date_gmt":"2014-04-18T09:52:02","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=7967"},"modified":"2015-12-04T19:07:31","modified_gmt":"2015-12-04T19:07:31","slug":"o-processo-de-ajustamento-aceite","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=7967","title":{"rendered":"O processo de ajustamento aceite"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>\u00d3scar Afonso, Jornal i<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a title=\"O processo de ajustamento aceite\" href=\"http:\/\/www.ionline.pt\/iopiniao\/processo-ajustamento-aceite\/pag\/-1\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Ma(n)chete de Kiev\" alt=\"\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a title=\"O processo de ajustamento aceite\" href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/I_070.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ler o crime com cuidado\" alt=\"\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>Infelizmente, creio que uma vez assinado o programa de assist\u00eancia deixou de ser poss\u00edvel pensar em alternativa poss\u00edvel de ajustamento<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div><!--more--><\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No ano de 2009 sucederam-se decis\u00f5es pol\u00edticas que, desafiando toda a racionalidade econ\u00f3mica, arrastaram o d\u00e9fice p\u00fablico para um caminho perigoso e conduziram definitivamente o pa\u00eds para a bancarrota. Nessa sequ\u00eancia, o governo demission\u00e1rio, sem parecer compreender o que se passou, negociou com a troika (Comiss\u00e3o Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monet\u00e1rio Internacional) um acordo que imp\u00f4s uma alternativa de ajustamento baseada em pol\u00edticas restritivas e que condicionou a governa\u00e7\u00e3o futura.<\/p>\n<p>Pode dizer-se que Portugal teve a honra de ter sido governado com os \u201cp\u00e9s\u201d, por personalidades que, ainda hoje, se sup\u00f5e deuses da pol\u00edtica e da raz\u00e3o, quando simplesmente desprezaram a generalidade dos portugueses, considerando-nos como simples \u201cral\u00e9\u201d, e que, pelas declara\u00e7\u00f5es que fazem, continuam a n\u00e3o perceber o que \u00e9 governar para todos.<\/p>\n<p>Esquecem-se que a correc\u00e7\u00e3o dos desiquil\u00edbrios que deixaram e particularmente da correc\u00e7\u00e3o do d\u00e9fice externo e do d\u00e9fice p\u00fablico era imposs\u00edvel sem dor. Esquecem-se que, j\u00e1 no fim do seu ciclo, come\u00e7aram a martirizaram a popula\u00e7\u00e3o com uma recess\u00e3o dur\u00edssima \u2013 recorde-se que foi em 2009 que o PIB real caiu 3% \u2013 e com as medidas de forte conten\u00e7\u00e3o or\u00e7amental aplicadas a partir de 2010.<\/p>\n<p>Esquecem-se que, com o resultado das pol\u00edticas que primeiro conduziram e das que depois aceitaram, negociando e assinando o programa de assist\u00eancia com a troika, obrigaram o governo actual a aceitar o agravamento da austeridade, traduzida em mais impostos e menos despesa p\u00fablica. Tal implicou naturalmente uma redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica do consumo interno e do investimento, e um aumento significativo do desemprego.<\/p>\n<p>Neste contexto, a degrada\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica, financeira, social e pol\u00edtica num contexto geral de decad\u00eancia e humilha\u00e7\u00e3o nacional n\u00e3o pode ser culpa de quem teve de implementar o programa de assist\u00eancia. \u00c9 culpa de quem nos conduziu \u00e0 sua necessidade e o negociou. Quando muito culpe-se o governo actual por n\u00e3o distinguir o bem do mal gerido, os bons dos maus, e a implementa\u00e7\u00e3o de medidas cegas, transversais e iguais para todos.<\/p>\n<p>Infelizmente, creio que uma vez assinado o programa de assist\u00eancia deixou de ser poss\u00edvel pensar em alternativa poss\u00edvel de ajustamento. Choca-me particularmente que quem o assinou, assumindo-o, ainda hoje tenha \u201ca lata\u201d de afirmar que pensa o contr\u00e1rio, fazendo de n\u00f3s \u201cburros\u201d.<\/p>\n<p>Mas ser\u00e1 a alternativa assumida errada? De acordo com economistas influentes, como Alberto Alesina, essa \u00e9 a melhor alternativa porque cortes significativos na despesa s\u00e3o seguidos de per\u00edodos de forte crescimento. Al\u00e9m disso, um <i>stock<\/i> de d\u00edvida p\u00fablica expressivo retira recursos da economia face ao pagamento de juros, e assim afecta negativamente o investimento e a taxa de crescimento da economia.<\/p>\n<p>Assumiu o compromisso, acredita-se que mais cedo do que tarde o ajustamento reconduzir\u00e1 Portugal ao caminho da prosperidade e que a utilidade dos sacrif\u00edcios acabar\u00e1 por ser reconhecida. Um sinal \u00e9 a evolu\u00e7\u00e3o das taxas de juro da d\u00edvida p\u00fablica que acabam de atingir m\u00ednimos hist\u00f3ricos impens\u00e1veis. Se tudo continuar a correr bem, conclu\u00eddo o per\u00edodo de ajustamento, a troika deixar\u00e1 de nos visitar e a obten\u00e7\u00e3o de financiamento externo depender\u00e1 ent\u00e3o da boa vontade dos mercados que, naturalmente, nos obrigar\u00e3o a manter a disciplina econ\u00f3mica e financeira conseguida. Al\u00e9m disso, na mesma linha, o Tratado Or\u00e7amental Europeu de 2012 parece proteger-nos igualmente de pol\u00edticos irrespons\u00e1veis.<\/p>\n<p>Espero, portanto, que finalmente, por culpa de alguns, deixemos de estar condenados a ciclicamente estar sujeitos a um processo de humilha\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00d3scar Afonso, Jornal i Infelizmente, creio que uma vez assinado o programa de assist\u00eancia deixou de ser poss\u00edvel pensar em alternativa poss\u00edvel de ajustamento<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,124],"tags":[],"class_list":["post-7967","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-i"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7967","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7967"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7967\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7992,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7967\/revisions\/7992"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7967"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7967"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7967"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}