{"id":7884,"date":"2014-04-04T10:24:30","date_gmt":"2014-04-04T10:24:30","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=7884"},"modified":"2015-12-04T19:07:32","modified_gmt":"2015-12-04T19:07:32","slug":"ler-o-crime-com-cuidado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=7884","title":{"rendered":"Ler o crime com cuidado"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Ant\u00f3nio Jo\u00e3o Maia, Jornal i<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a title=\"Ler o crime com cuidado\" href=\"http:\/\/www.ionline.pt\/iopiniao\/ler-crime-cuidado\/pag\/-1\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Ma(n)chete de Kiev\" alt=\"\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a title=\"Ler o crime com cuidado\" href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/I_068.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ler o crime com cuidado\" alt=\"\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<div>Os crimes mais expostos s\u00e3o ainda assim os mais violentos, como os assaltos a bombas de gasolina, a supermercados, a bancos, ou a caixas de multibanco<\/div>\n<div><!--more--><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Foi divulgado na semana passada o relat\u00f3rio de seguran\u00e7a interna relativo ao ano de 2013. Atrav\u00e9s desse documento foram apresentados e analisados os n\u00fameros registados dos crimes que chegaram ao conhecimento das autoridades durante o ano.<\/p>\n<p>De acordo com os dados disponibilizados, assinala-se um decr\u00e9scimo do n\u00famero total de crimes registados relativamente a 2012, apesar de nalgumas tipologias de crime, como a viol\u00eancia dom\u00e9stica ou os crimes ocorridos nas escolas, se ter verificado um acr\u00e9scimo.<\/p>\n<p>Nesta reflex\u00e3o procuramos focar o significado dos n\u00fameros do crime e as leituras que deles se podem fazer. \u00c9 que, perante eles, sobretudo quando se registam decr\u00e9scimos relativamente a anos anteriores, pode tornar-se tentador a produ\u00e7\u00e3o de discursos interpretativos que v\u00e3o no sentido de sustentarem melhorias de efic\u00e1cia na a\u00e7\u00e3o das inst\u00e2ncias formais de controlo, designadamente das for\u00e7as policiais, dos servi\u00e7os de seguran\u00e7a e da a\u00e7\u00e3o punitiva dos tribunais.<\/p>\n<p>Todavia e sem colocar em causa essa possibilidade explicativa, a verdade \u00e9 que os n\u00fameros oficiais do crime \u2013 as estat\u00edsticas criminais, como s\u00e3o vulgarmente conhecidos \u2013 n\u00e3o devem ser associados unicamente \u00e0 efici\u00eancia do desempenho daquelas institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Importa ler o crime com cuidado e a partir de outros \u00e2ngulos.<\/p>\n<p>Para l\u00e1 de poder ser um sinal revelador da efic\u00e1cia das institui\u00e7\u00f5es de controlo, a dimens\u00e3o do crime pode indiciar igualmente \u00edndices de sentimentos de maior ou menor inseguran\u00e7a na sociedade, mas pode ser tamb\u00e9m revelador de alguma desconfian\u00e7a relativamente \u00e0 efic\u00e1cia da a\u00e7\u00e3o dessas institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Pela natureza de atos marginais, que escapam \u2013 por contrariar \u2013 \u00e0s normas e \u00e0s regras do viver em sociedade, grande parte das pr\u00e1ticas criminosas tende a ocorrer em contextos de algum recato, o que as torna socialmente invis\u00edveis. Do ponto de vista do criminoso, o assalto a um autom\u00f3vel \u00e9 mais eficaz se ocorrer preferencialmente de noite, em locais mal iluminados ou a recato de olhares indesejados. O assalto a resid\u00eancia oferece menor risco de dete\u00e7\u00e3o se for praticado durante o dia, quando ningu\u00e9m est\u00e1 no seu interior. A viol\u00eancia dom\u00e9stica ocorre no interior da habita\u00e7\u00e3o, apenas entre autores e v\u00edtimas. E que dizer do crime econ\u00f3mico, como a corrup\u00e7\u00e3o ou a fraude, que \u00e9 conhecido precisamente como o crime de gabinete\u2026<\/p>\n<p>Os crimes mais expostos s\u00e3o ainda assim os mais violentos, como os assaltos a bombas de gasolina, a supermercados, a bancos, ou a caixas de multibanco. E ser\u00e1 precisamente por este facto que este tipo de crimes, a par do homic\u00eddio, \u00e9 provavelmente o que apresenta n\u00fameros mais pr\u00f3ximos da realidade das ocorr\u00eancias. Os outros, por n\u00e3o deixarem v\u00edtimas diretas da sua ocorr\u00eancia (por exemplo a corrup\u00e7\u00e3o), por n\u00e3o apresentarem testemunhas ou porque simplesmente as v\u00edtimas n\u00e3o apresentam den\u00fancia \u00e0s autoridades (por serem, por exemplo, familiares do autor, por entenderem que o caso n\u00e3o o justifica, ou que lhes pare\u00e7a imposs\u00edvel a identifica\u00e7\u00e3o e puni\u00e7\u00e3o do autor, ou ainda por percepcionarem alguma inefic\u00e1cia na a\u00e7\u00e3o das entidades de controlo e puni\u00e7\u00e3o) acabam por n\u00e3o aparecer retratados em nenhuma estat\u00edstica. Pior do que isso, n\u00e3o permitem qualquer tratamento policial de repress\u00e3o ou controlo, o que se traduz desde logo em perversos sentimentos de impunidade para os seus autores.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros do crime escondem sempre uma dimens\u00e3o de \u201ccifras negras\u201d que n\u00e3o pode, nem deve, ser ignorada quando se faz a interpreta\u00e7\u00e3o do fen\u00f3meno.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Jo\u00e3o Maia, Jornal i Os crimes mais expostos s\u00e3o ainda assim os mais violentos, como os assaltos a bombas de gasolina, a supermercados, a bancos, ou a caixas de multibanco<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,124],"tags":[],"class_list":["post-7884","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-i"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7884","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7884"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7884\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7915,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7884\/revisions\/7915"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7884"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7884"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7884"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}