{"id":7676,"date":"2014-02-28T10:19:31","date_gmt":"2014-02-28T10:19:31","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=7676"},"modified":"2015-12-04T19:07:32","modified_gmt":"2015-12-04T19:07:32","slug":"mascarados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=7676","title":{"rendered":"Mascarados"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Ant\u00f3nio Jo\u00e3o Maia, Jornal i<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a title=\"Mascarados\" href=\"http:\/\/www.ionline.pt\/iopiniao\/mascarados\/pag\/-1\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Economia, pol\u00edtica e conflito de interesses\" alt=\"\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a title=\"Mascarados\" href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/I_063.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Problemas estruturais da economia portuguesa\" alt=\"\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>As m\u00e1scaras definem e sustentam o lugar de cada um na sociedade e ditam as regras do jogo da viv\u00eancia e das rela\u00e7\u00f5es entre as pessoas<\/div>\n<div><!--more--><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No Carnaval as pessoas n\u00e3o se mascaram, desmascaram-se.<\/p>\n<p>\u00c9 o que, em tom descontra\u00eddo, costumo comentar entre amigos por estas alturas do calend\u00e1rio, quando se assinala, como na pr\u00f3xima ter\u00e7a feira, a celebra\u00e7\u00e3o do Carnaval.<\/p>\n<p>Embora a maior parte de n\u00f3s n\u00e3o tenha no\u00e7\u00e3o desta dimens\u00e3o, a verdade \u00e9 que passamos as nossas vidas a usar m\u00e1scaras, que vamos trocando \u2013 porque foi assim que nos ensinaram, na fam\u00edlia, na religi\u00e3o, na escola, nos amigos e no local de trabalho, enfim, um pouco por todo o lado \u2013 em fun\u00e7\u00e3o dos diversos contextos em que nos encontramos, e que se v\u00e3o sucedendo uns aos outros.<\/p>\n<p>Quantas vezes nos apetece vestir uma determinada pe\u00e7a de vestu\u00e1rio \u2013 para utilizar um exemplo simples \u2013 mas, porque vamos para um evento com determinadas caracter\u00edsticas \u2013 uma festa de casamento, por exemplo \u2013 temos de usar aquela que as circunst\u00e2ncias nos dizem ser a mais adequada, embora saibamos nos vai deixar menos \u00e0 vontade, menos confort\u00e1veis, enfim, no limite, menos felizes\u2026; Quantas vezes nos apetece dizer \u201c<i>N\u00e3o, porque\u2026<\/i>\u201d, mas, porque as expectativas e as circunst\u00e2ncias do contexto onde nos encontramos o aconselham, o que nos sai pela boca \u00e9 um \u201c<i>Sim, claro<\/i>\u201d; Quantas vezes nos apetece, ao acordar pela manh\u00e3, um passeio \u00e0 beira-mar para desfrutar a brisa marinha e os raios de Sol primaveril, mas temos de \u201c<i>mergulhar na multid\u00e3o que se arrasta na chuva dissolvente<\/i>\u201d \u2013 como dizem os Xutos e Pontap\u00e9s \u2013 para irmos trabalhar\u2026; Quantas vezes, ao repreendermos o nosso filho por uma traquinice que fez \u2013 bem sabendo que, quando foi a nossa vez, tanto gozo nos deu fazer algo semelhante \u2013, estamos, sem dar conta, a contribuir para a constru\u00e7\u00e3o das suas pr\u00f3prias m\u00e1scaras.<\/p>\n<p>Enfim, quantas vezes agimos em fun\u00e7\u00e3o da sociedade, das pessoas que nos rodeiam e com quem partilhamos a nossa exist\u00eancia, as quais, pelas mais diversas formas e processos, nos v\u00e3o indicando de forma permanente o que esperam de n\u00f3s.<\/p>\n<p>Todavia, estas m\u00e1scaras, como lhes chamo, s\u00e3o um dos pre\u00e7os a pagar por vivermos em sociedade. Elas criam uma esp\u00e9cie de teatro em que cada ator vai apreendendo e utilizando o papel mais adequado para desempenhar em cada ato da sua vida. E todos os atores \u2013 grande parte deles sem consci\u00eancia desta condi\u00e7\u00e3o \u2013 funcionam neste registo. As m\u00e1scaras definem e sustentam o lugar de cada um na sociedade e ditam as regras do jogo da viv\u00eancia e das rela\u00e7\u00f5es entre as pessoas.<\/p>\n<p>De outra forma, se cada um agisse unicamente em fun\u00e7\u00e3o dos seus impulsos, das suas vontades, muito provavelmente a sociedade n\u00e3o existia. Em seu lugar ter\u00edamos muito provavelmente grupos de seres que viviam numa esp\u00e9cie de caos an\u00e1rquico, sem grandes la\u00e7os de relacionamento uns com os outros\u2026<\/p>\n<p>Neste contexto, rituais como o do Carnaval s\u00e3o importantes. S\u00e3o espa\u00e7os privilegiados para afrouxar o peso da m\u00e1scara sem censura. S\u00e3o pontos de liberta\u00e7\u00e3o das tens\u00f5es criadas em cada um pelo \u201c<i>baile de m\u00e1scaras<\/i>\u201d.<\/p>\n<p>Os autores das fraudes tamb\u00e9m dan\u00e7am este bailado. Todavia eles conseguem desenvolver um perfil que lhes permite, com facilidade e por vezes com grande mestria, mostrar a quem os rodeia, sobretudo \u00e0s suas v\u00edtimas, uma m\u00e1scara coerente com as expectativas, embora por detr\u00e1s dela estejam efectivamente a desempenhar um outro papel, a ter prop\u00f3sitos diferentes dos que evidenciam atrav\u00e9s da m\u00e1scara que mostram.<\/p>\n<p>Por isso se diz, quando descobertos, que lhes \u201c<i>caiu a m\u00e1scara<\/i>\u201d<i>.<\/i><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Jo\u00e3o Maia, Jornal i As m\u00e1scaras definem e sustentam o lugar de cada um na sociedade e ditam as regras do jogo da viv\u00eancia e das rela\u00e7\u00f5es entre as pessoas<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,124],"tags":[],"class_list":["post-7676","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-i"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7676","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7676"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7676\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7710,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7676\/revisions\/7710"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7676"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7676"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7676"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}