{"id":7339,"date":"2014-01-31T10:40:06","date_gmt":"2014-01-31T10:40:06","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=7339"},"modified":"2015-12-04T19:07:33","modified_gmt":"2015-12-04T19:07:33","slug":"um-voto-diferente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=7339","title":{"rendered":"Um voto diferente"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Jo\u00e3o Pedro Martins, Jornal i<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a title=\"Um governo fora da lei\" href=\"http:\/\/www.ionline.pt\/iopiniao\/voto-diferente\/pag\/-1\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Um voto diferente\" alt=\"\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a title=\"Um voto diferente\" href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/I_059.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" alt=\"\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>Um pa\u00eds que inventou a Via Verde para os autom\u00f3veis tem de ser capaz de construir uma auto-estrada democr\u00e1tica que ligue os eleitores \u00e0 vida pol\u00edtica<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Estou em campanha eleitoral e preciso do seu voto.<\/p>\n<p>As pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es europeias realizam-se 40 anos ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o de Abril e 25 anos depois da queda do muro de Berlim.<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es legislativas, a absten\u00e7\u00e3o foi a grande vencedora. Do universo de 9,6 milh\u00f5es de eleitores, apenas 41,97% comparecerem nas urnas. Se somarmos os votos brancos e nulos, verificamos que 44,34% dos eleitores decidiram n\u00e3o escolher nenhum partido. Isto significa que o partido que venceu as elei\u00e7\u00f5es com 38,66% dos votos, apenas mereceu a confian\u00e7a de 22,43% dos eleitores.<\/p>\n<p>Uma an\u00e1lise aos \u00faltimos escrut\u00ednios eleitorais permite-nos concluir que aqueles que nos governam n\u00e3o representam a maioria dos eleitores. Este indicador revela que provavelmente a democracia atravessa uma crise de identidade e de legitimidade. Na pr\u00e1tica, o atual modelo eleitoral \u00e9 uma fraude viral do sistema democr\u00e1tico porque traduz a incapacidade dos pol\u00edticos em tornar o voto num verdadeiro direito universal e simplificado para o cidad\u00e3o.<\/p>\n<p>Se at\u00e9 os nossos impostos deixaram de ser pagos exclusivamente nos servi\u00e7os de Finan\u00e7as, qual \u00e9 a justifica\u00e7\u00e3o para que um eleitor residente no Minho e que est\u00e1 de f\u00e9rias no Algarve tenha de percorrer o pa\u00eds para exercer o seu direito de cidadania, quando existem centenas de mesas de voto no local onde se encontra?<\/p>\n<p>Os milh\u00f5es de euros que o er\u00e1rio p\u00fablico gasta em cada elei\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o suficientes para implementar e consolidar o \u201cvoto eletr\u00f3nico\u201d ou o \u201cvoto em mobilidade\u201d, tornando a participa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica num prazer, em vez de um sacrif\u00edcio?<\/p>\n<p>O secretismo do voto n\u00e3o \u00e9 garantido da mesma forma no Algarve como no Minho? A tecnologia e a organiza\u00e7\u00e3o log\u00edstica que garantem a seguran\u00e7a da informa\u00e7\u00e3o quando se entrega a declara\u00e7\u00e3o eletr\u00f3nica do IRS ou se efetua um pagamento online n\u00e3o poderiam ser replicadas e adaptadas para o contexto eleitoral?<\/p>\n<p>Em Junho de 2007, um referendo federal realizado na Su\u00ed\u00e7a mobilizou 17% dos eleitores atrav\u00e9s do e-voto. Em Portugal, a \u00fanica alternativa ao voto presencial continua a ser a absten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um pa\u00eds que inventou a Via Verde para os autom\u00f3veis tem de ser capaz de construir uma autoestrada democr\u00e1tica que ligue os eleitores \u00e0 vida pol\u00edtica. A este ritmo crescente de degradante desertifica\u00e7\u00e3o eleitoral, a democracia corre o risco de se tornar um fen\u00f3meno populista.<\/p>\n<p>A absten\u00e7\u00e3o n\u00e3o representa apenas o div\u00f3rcio dos eleitores dos eleitos, demonstra tamb\u00e9m a incapacidade dos pol\u00edticos para apresentarem solu\u00e7\u00f5es cred\u00edveis para os problemas das pessoas. Se aqueles que nos representam n\u00e3o conseguem transformar o ato eleitoral numa festa participativa, ser\u00e1 que conseguem mobilizar o pa\u00eds para aumentar a produtividade, criar riqueza e reduzir as desigualdades sociais?<\/p>\n<p>Talvez seja necess\u00e1rio recuperar o velho conceito de <i>Ekklesia<\/i>, a principal assembleia popular da democracia ateniense na Gr\u00e9cia Antiga. Esta forma simples de democracia representativa e de proximidade abria as portas para que todos os cidad\u00e3os pudessem votar e ser eleitos.<\/p>\n<p>As elei\u00e7\u00f5es s\u00e3o o \u00fanico momento em que o rico e o pobre, o idoso e o jovem, o homem e a mulher contam rigorosamente o mesmo.<\/p>\n<p>Este conceito de igualdade n\u00e3o pode ser negligenciado. Um pa\u00eds de abstencionistas \u00e9 uma na\u00e7\u00e3o sem futuro. A Hist\u00f3ria n\u00e3o se lembrar\u00e1 deles.<\/p>\n<p>Conto consigo para subscrever uma peti\u00e7\u00e3o para a implementa\u00e7\u00e3o do voto eletr\u00f3nico e do voto em mobilidade.<\/p>\n<p>Afinal, n\u00e3o podemos deixar que os maus pol\u00edticos continuem a ser eleitos pelos bons cidad\u00e3os que ficam em casa no dia das elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o Pedro Martins, Jornal i Um pa\u00eds que inventou a Via Verde para os autom\u00f3veis tem de ser capaz de construir uma auto-estrada democr\u00e1tica que ligue os eleitores \u00e0 vida pol\u00edtica<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,124],"tags":[],"class_list":["post-7339","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-i"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7339","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7339"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7339\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7362,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7339\/revisions\/7362"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7339"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7339"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7339"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}