{"id":7275,"date":"2014-01-24T10:30:31","date_gmt":"2014-01-24T10:30:31","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=7275"},"modified":"2015-12-04T19:07:33","modified_gmt":"2015-12-04T19:07:33","slug":"nos-os-portugueses","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=7275","title":{"rendered":"N\u00f3s, os portugueses"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Ant\u00f3nio Jo\u00e3o Maia, Jornal i<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a title=\"Um governo fora da lei\" href=\"http:\/\/www.ionline.pt\/iopiniao\/nos-os-portugueses\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"N\u00f3s, os portugueses\" alt=\"\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a title=\"N\u00f3s, os portugueses\" href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/I_058.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Problemas estruturais da economia portuguesa\" alt=\"\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>Temos as mesmas potencialidades e fraquezas. Por\u00e9m, o nosso padr\u00e3o cultural n\u00e3o deixa muito espa\u00e7o para revelarmos o potencial natural de cada indiv\u00edduo<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>As not\u00edcias, mais ou menos frequentes, de distin\u00e7\u00e3o do valor e do m\u00e9rito dos portugueses por esse mundo fora s\u00e3o sempre ocasi\u00f5es que nos deixam cheios de orgulho nacional\u2026<\/p>\n<p>Foi o que aconteceu recentemente com a entrega da \u201cbola de ouro\u201d \u2013 trofeu que distingue anualmente o melhor jogador de futebol do mundo \u2013 a Cristiano Ronaldo. Ao \u201cnosso\u201d Cristiano Ronaldo, como orgulhosamente muitos afirmam, evidenciando que, enquanto portugueses, a distin\u00e7\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m sua\u2026 Este trofeu tinha sido j\u00e1 atribu\u00eddo anteriormente ao mesmo jogador (2008), ao Luis Figo (2000) e, em 1965, a Eus\u00e9bio, provocando invariavelmente as mesmas rea\u00e7\u00f5es\u2026 Ainda no futebol, uma refer\u00eancia a Jos\u00e9 Mourinho, pela forma como, al\u00e9m-fronteiras se tem destacado entre os melhores treinadores do mundo.<\/p>\n<p>No \u00e2mbito da psicologia e das neuroci\u00eancias, encontramos nomes como Ant\u00f3nio Dam\u00e1sio, recentemente distinguido com o pr\u00e9mio Grawemeyer 2014, ou Rui Costa, distinguido pelo Conselho Europeu de Investiga\u00e7\u00e3o com um financiamento de dois milh\u00f5es de euros, ambos com investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica realizada nos Estados Unidos. Na gest\u00e3o, o nome de Ant\u00f3nio Horta-Os\u00f3rio, Presidente do Lloyds Bank, um dos maiores grupos banc\u00e1rios do mundo, sedeado em Inglaterra, ou, na cultura, Jos\u00e9 Saramago, Pr\u00e9mio Nobel da literatura em 1998, que, por uma questi\u00fancula politica ligada \u00e0 edi\u00e7\u00e3o de uma das suas obras, optou por viver os \u00faltimos anos de vida em Lanzarote.<\/p>\n<p>S\u00e3o apenas alguns dos muitos exemplos que temos, nas mais diversas \u00e1reas, de portugueses bem-sucedidos, com provas dadas ao n\u00edvel do que de melhor se faz no mundo. Estes nossos compatriotas apresentam invariavelmente um outro tra\u00e7o comum, que \u00e9 o de terem singrado al\u00e9m-fronteiras. E este pormenor suscita uma quest\u00e3o: ser\u00e3o eles pessoas de outra dimens\u00e3o, com capacidades acima da m\u00e9dia dos demais portugueses, ou simplesmente o \u00eaxito das suas carreiras foi e tem sido possibilitado precisamente porque encontraram noutros pa\u00edses, noutras culturas as oportunidades que o permitiram?<\/p>\n<p>Julgo que, sem descurar a possibilidade de exist\u00eancia de tra\u00e7os de personalidade que ajudem a explicar os seus \u00eaxitos, o elemento mais importante seja precisamente o do contexto cultural onde se apresentem e explorem as oportunidades para se mostrar valor e m\u00e9rito. E estas oportunidades n\u00e3o s\u00e3o iguais em todas as culturas.<\/p>\n<p>Se h\u00e1 coisa que a antropologia afirma \u00e9 a de que n\u00e3o existem sociedades perfeitas, nem sociedades melhores ou piores. H\u00e1 sim modelos de organiza\u00e7\u00e3o social e cultural distintos, que resultam da sedimenta\u00e7\u00e3o milenar das formas de adapta\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o dos humanos a um determinado contexto espacial.<\/p>\n<p>N\u00f3s, os portugueses, n\u00e3o somos diferentes dos outros seres humanos. Temos as mesmas potencialidades e fraquezas. Por\u00e9m o nosso padr\u00e3o cultural n\u00e3o deixa muito espa\u00e7o para revelarmos o potencial natural de cada indiv\u00edduo, sobretudo quando se trata de inova\u00e7\u00e3o. Somos tendencialmente autocr\u00edticos, sobretudo relativamente a coisas novas, que coloquem ou possam colocar em causa a l\u00f3gica de realidade existente, o \u201csim, mas\u2026\u201d. Este contexto cr\u00edtico, que na maior parte das vezes n\u00e3o \u00e9 frontal, \u00e9 perverso, inibe-nos da exposi\u00e7\u00e3o perante os outros, empurra-nos para o conformismo com a realidade existente, tolhe-nos sem que a consigamos questionar, empurra-nos para a apatia e para a circularidade das ideias, dos discursos e das pr\u00e1ticas, retira-nos o espa\u00e7o necess\u00e1rio para mostrarmos e darmos asas a novas formas de ler e modelar o mundo\u2026<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Jo\u00e3o Maia, Jornal i Temos as mesmas potencialidades e fraquezas. 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