{"id":7020,"date":"2013-12-20T16:24:28","date_gmt":"2013-12-20T16:24:28","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=7020"},"modified":"2015-12-04T19:07:34","modified_gmt":"2015-12-04T19:07:34","slug":"carne-fresca-levaram-o-pai-natal-ficaram-as-renas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=7020","title":{"rendered":"Carne fresca &#8211; Levaram o Pai Natal, ficaram as renas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong>Jo\u00e3o Pedro Martins,\u00a0Jornal i<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a title=\"Carne fresca - Levaram o Pai Nata, ficaram as renas\" href=\"http:\/\/www.ionline.pt\/iopiniao\/carne-fresca-levaram-pai-natal-ficaram-renas\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" alt=\"\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a title=\"Carne fresca - Levaram o Pai Natal, ficaram as renas\" href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/I_053.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" alt=\"\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>Homens, mulheres e crian\u00e7as s\u00e3o escravizados em Portugal.Escondem-se das estat\u00edsticas e vivem no sil\u00eancio da dor<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>H\u00e1 nove milh\u00f5es de escravos que atravessam as fronteiras ou que s\u00e3o traficados no seu pr\u00f3prio pa\u00eds.<\/p>\n<p>O tr\u00e1fico de pessoas \u00e9 o neg\u00f3cio ilegal que mais floresce no mundo do crime organizado e que gera rendimentos superiores ao contrabando de armas e de pedras preciosas, sendo apenas superado pelo tr\u00e1fico de droga.<\/p>\n<p>Estas pessoas s\u00e3o m\u00e1rtires da fraude e levadas contra a sua vontade. Muitos s\u00e3o vendidos e exportados como mercadoria para se tornarem escravos. Uns s\u00e3o explorados no mercado do sexo, na mendicidade das grandes cidades ou na remo\u00e7\u00e3o e com\u00e9rcio de \u00f3rg\u00e3os que alimentam de carne fresca as cl\u00ednicas <i>gourmet<\/i>. H\u00e1 crian\u00e7as que s\u00e3o leiloadas para ado\u00e7\u00e3o, outras que s\u00e3o transformadas em noivas-infantis ou que simplesmente se escondem no sil\u00eancio da escurid\u00e3o das f\u00e1bricas de suor na \u00c1sia. H\u00e1 aqueles que s\u00e3o distribu\u00eddos para circos itinerantes, para trabalhos agr\u00edcolas nos montes alentejanos ou para simples servid\u00e3o dom\u00e9stica.<\/p>\n<p>As v\u00edtimas s\u00e3o coagidas e sofrem repetidos abusos f\u00edsicos e emocionais. Experimentam o medo, a tortura e a chantagem, muitas vezes com amea\u00e7as \u00e0 fam\u00edlia. Os lucros anuais deste neg\u00f3cio hediondo ultrapassa 30 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n<p>Quase duzentos anos depois do tr\u00e1fico de escravos negros ter sido abolido no imp\u00e9rio ingl\u00eas, ap\u00f3s a campanha de 26 anos que William Wilbeforce promoveu na C\u00e2mara dos Lordes. Depois do sonho de Martin Luther King ter levado milhares de negros a marchar pelo direito de voto e pela n\u00e3o discrimina\u00e7\u00e3o racial no trabalho, pela justi\u00e7a econ\u00f3mica, a luta contra a pobreza e outros direitos civis que estavam interditos a\u0300 comunidade negra norte-americana. Depois de Nelson Mandela ter passado 27 anos isolado num c\u00e1rcere e derrubado o regime do <i>apartheid<\/i>. E depois de entrarmos no s\u00e9culo XXI, Portugal continua a ser um destino e um ponto de passagem do tr\u00e1fico de seres humanos.<\/p>\n<p>Homens, mulheres e crian\u00e7as s\u00e3o escravizados em Portugal. Escondem-se das estat\u00edsticas e vivem no sil\u00eancio da dor. Chegam do leste da Europa para as vindimas e a apanha da azeitona e acabam sem documentos e sem futuro. Vivem na mendicidade das grandes cidades. Embarcam em avi\u00f5es provenientes do Brasil e veem atr\u00e1s do sonho de uma vida melhor, mas que se transforma em pesadelo na noite das casas de alterne ou das estradas sem luz.<\/p>\n<p>Os novos escravos s\u00e3o tamb\u00e9m os idosos que passam fome e foram empurrados para a mendicidade por n\u00e3o terem dinheiro para pagar medicamentos. S\u00e3o as mulheres que foram obrigadas a vender o corpo para alimentarem os filhos, depois de terem ficado sem emprego nas f\u00e1bricas que fecharam, enquanto os patr\u00f5es abriram novos neg\u00f3cios que beneficiaram de incentivos fiscais.<\/p>\n<p>O economista Paul Collier escreveu que \u201cuma pequena minoria dos banqueiros est\u00e1 a viver \u00e0 conta dos lucros dos dep\u00f3sitos de dinheiro corrupto. Temos uma palavra para definir as pessoas que vivem atrav\u00e9s dos ganhos imorais de outros: proxenetas. Os banqueiros proxenetas n\u00e3o s\u00e3o melhores do que qualquer outro tipo de chulos.\u201d<\/p>\n<p>Os pol\u00edticos que prometeram a redu\u00e7\u00e3o de impostos e a cria\u00e7\u00e3o de novos postos de trabalho, e que fizeram precisamente o contr\u00e1rio, s\u00e3o governantes proxenetas. Enquanto esta esc\u00f3ria existir no governo e deixar o pa\u00eds ser colonizado por capital sujo proveniente de generais corruptos de Angola e de mafiosos russos, n\u00e3o os conseguimos distinguir dos chulos que t\u00eam mulheres de minissaia a vender o corpo numa rua ou num bordel.<\/p>\n<p>Para muitas fam\u00edlias levaram o pai Natal e deixaram as renas para continuarem a puxar o tren\u00f3.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o Pedro Martins,\u00a0Jornal i Homens, mulheres e crian\u00e7as s\u00e3o escravizados em Portugal.Escondem-se das estat\u00edsticas e vivem no sil\u00eancio da dor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,124],"tags":[],"class_list":["post-7020","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-i"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7020","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7020"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7020\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7040,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7020\/revisions\/7040"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7020"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7020"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7020"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}