{"id":6779,"date":"2013-11-29T09:43:19","date_gmt":"2013-11-29T09:43:19","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=6779"},"modified":"2015-12-04T19:07:35","modified_gmt":"2015-12-04T19:07:35","slug":"carta-do-grao-mestre-da-troika-ao-aprendiz-portugues","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=6779","title":{"rendered":"Carta do gr\u00e3o-mestre da troika ao aprendiz portugu\u00eas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong><strong>Jo\u00e3o Pedro Martins<\/strong>,\u00a0Jornal i<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/www.ionline.pt\/iopiniao\/carta-grao-mestre-da-troika-ao-aprendiz-portugues\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" alt=\"\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/I_Fraude50.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" alt=\"\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>Concentra-te em levar as pequenas editoras \u00e0 fal\u00eancia e n\u00e3o permitas que escritores profanos escravizem os leitores com pensamentos impuros<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n<\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<p>Meu caro Aprendiz,<\/p>\n<p>Fizeste bem em n\u00e3o responder ao velho republicano na reserva. Enquanto se divertem a esgrimir argumentos acerca da tua improv\u00e1vel demiss\u00e3o, poder\u00e1s negociar com as elites profanas, longe dos olhares indiscretos, e manter os teus ex-ministros operacionais em para\u00edsos fiscais. Lembra-te de que a distra\u00e7\u00e3o \u00e9 a nossa melhor arma para captar a mente dos opositores.<\/p>\n<p>Quando era aprendiz como tu, por pouco ca\u00eda na armadilha do Inimigo ao ignorar as multid\u00f5es enfurecidas, como os policias que quase assaltaram o Parlamento. Aprendi que os c\u00e3es esfomeados devoram os pr\u00f3prios donos.<\/p>\n<p>Percebeste a analogia? Nunca deixes o povo a morrer \u00e0 fome. Esporadicamente eles precisam de ossos para serem confundidos com a miragem de um peda\u00e7o de carne fresca. Enquanto se mantiverem entretidos com o esqueleto do lombo de um bovino, deixam de ladrar e esquecem as correntes que os mant\u00eam agrilhoados sob o jugo da austeridade.<\/p>\n<p>At\u00e9 podem usar linguagem profana, como <i>fraude<\/i> e <i>corrup\u00e7\u00e3o<\/i>, para caracterizaram as nossas sublimes virtudes. Mas enquanto lambem os ossos deixam de farejar o perfume da tua presen\u00e7a.<\/p>\n<p>Alimenta-lhes a fome de poder com cargos na administra\u00e7\u00e3o de empresas p\u00fablicas, nos bancos e na c\u00fapula dos sindicatos. Quando o povo festejar as suas conquistas futebol\u00edsticas, aplica-lhes mais uma dose de impostos e sacrif\u00edcios extraordin\u00e1rios, e ouvir\u00e1s apenas o sil\u00eancio daqueles que outrora nos perseguiram.<\/p>\n<p>Enquanto acalentarem o desejo inocente da lux\u00faria, tens o caminho livre para os doutrinares. Mas n\u00e3o fiques convencido de que a tua miss\u00e3o \u00e9 um mar de rosas. Os espinhos do Inimigo podem estar onde menos se espera. H\u00e1 sempre algu\u00e9m que n\u00e3o se rende. A resist\u00eancia \u00e9 um carater\u00edstica dos profanos que venderam a alma ao Inimigo.<\/p>\n<p>N\u00e3o os deixes escrever. Concentra-te em levar as pequenas editoras \u00e0 fal\u00eancia e n\u00e3o permitas que escritores profanos escravizem os leitores com pensamentos impuros. Depois de se aliaram ao Inimigo at\u00e9 podem n\u00e3o se vender, mas pelo menos assim ficar\u00e3o impedidos de comprar. E sem dinheiro, bem podem prantear na mis\u00e9ria.<\/p>\n<p>N\u00e3o deixes que o povo pense que o abandon\u00e1mos. Uma vez conscientes das suas fraquezas, as multid\u00f5es podem deixar de ser um gigante adormecido e acordar para nossa desgra\u00e7a.<\/p>\n<p>A tua miss\u00e3o \u00e9 confundi-los. Faz\u00ea-los acreditar que n\u00e3o t\u00eam alternativa. Mas n\u00e3o os deixes entrar em depress\u00e3o. Essa \u00e9 a estrat\u00e9gia do Inimigo para os receber de bra\u00e7os abertos, como o Pai na par\u00e1bola do Filho Pr\u00f3digo. Deixa-os mendigar \u00e0s nossas Portas. Sossega-os com promessas v\u00e3s acerca do futuro. Um pouco de otimismo nunca lhes fez mal, mas recorda-lhes que n\u00e3o t\u00eam Seguro contra todos os riscos.<\/p>\n<p>Agora uma conselho s\u00e1bio que jamais dever\u00e1s esquecer. Nunca saias em defesa do primeiro-ministro do teu pa\u00eds. Tu podes sempre tirar o Coelho da cartola e troc\u00e1-lo por outro animal de estima\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma das abomin\u00e1veis armas do Inimigo \u00e9 a capacidade de perdoar, mas essa \u00e9 tamb\u00e9m a fraqueza do povo. Sempre que descobrem um raio de luz de esperan\u00e7a, esquecem-se do passado como uma esponja que branqueia as n\u00f3doas da sujidade.<\/p>\n<p>Mas n\u00f3s n\u00e3o somos como eles. Os teus erros e defeitos est\u00e3o todos anotados, sublinhados e organizados por categorias e graus de imperfei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O m\u00e9todo e a disciplina \u00e9 o que distingue um ser puro e iluminado, como tu, de um pobre profano.<\/p>\n<p>Na Irmandade, como na pol\u00edtica, os amigos t\u00eam sempre um lugar ao sol.<\/p>\n<p>Com amizade,<\/p>\n<p>O teu gr\u00e3o-mestre da troika<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o Pedro Martins,\u00a0Jornal i Concentra-te em levar as pequenas editoras \u00e0 fal\u00eancia e n\u00e3o permitas que escritores profanos escravizem os leitores com pensamentos impuros<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,124],"tags":[],"class_list":["post-6779","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-i"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6779","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6779"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6779\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6829,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6779\/revisions\/6829"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6779"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6779"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6779"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}