{"id":6622,"date":"2013-11-22T16:51:03","date_gmt":"2013-11-22T16:51:03","guid":{"rendered":"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=6622"},"modified":"2015-12-04T19:07:35","modified_gmt":"2015-12-04T19:07:35","slug":"quando-a-realidade-e-mentirosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/?p=6622","title":{"rendered":"Quando a realidade \u00e9 mentirosa!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #d8070f;\"><strong><strong>Carlos Pimenta<\/strong>,\u00a0Jornal i<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/www.ionline.pt\/iopiniao\/quando-realidade-mentirosa\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19 alignleft\" title=\"Liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Publica\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/go2.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/I_Fraude049.pdf\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2032 alignleft\" title=\"Ficheiro PDF\" src=\"http:\/\/obegef.pt\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/pdf_button.png\" alt=\"\" width=\"14\" height=\"14\" \/><\/a><\/p>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>Admitamos que o banco central n\u00e3o tem qualquer interven\u00e7\u00e3o directa sobre o mercado cambial e as ofertas e procuras funcionam ao sabor das transac\u00e7\u00f5es realizadas<\/div>\n<div>...<!--more--><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<p>Consideramos que uma afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 verdadeira quando ela corresponde \u00e0 realidade, com a qual lidamos na pr\u00e1tica e pretendemos conhecer e interpretar utilizando as nossas capacidades para pensar e agir. O que dizemos \u00e9 verdadeiro se tem uma correspond\u00eancia com a realidade.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 essa a postura de v\u00e1rios economistas actuais. Como refere Ludwing von Mises (1881-1993, \u201cescola austr\u00edaca\u201d) quando a ci\u00eancia econ\u00f3mica constr\u00f3i um modelo explicativo de uma determinada situa\u00e7\u00e3o, e se constata que esta n\u00e3o corresponde \u00e0 explica\u00e7\u00e3o que foi elaborada, deve-se ver se o modelo est\u00e1 bem elaborado. Mas se este \u00e9 logicamente coerente, n\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para o abandonar. Por outras palavras, devemos manter a explica\u00e7\u00e3o e se formos procurar a verdade ela est\u00e1 mais na explica\u00e7\u00e3o dada do que na realidade (n\u00e3o) explicada.<\/p>\n<p>A l\u00f3gica aconselharia exactamente o contr\u00e1rio, abandonar a teoria, mas esses economistas n\u00e3o o fazem. H\u00e1 muitos subterf\u00fagios para manterem a postura anteriormente referida: \u201ca explica\u00e7\u00e3o considera apenas alguns aspectos e admitiu-se que a infinidade dos restantes se manteriam constante, mas tal n\u00e3o aconteceu\u201d; \u201cpode n\u00e3o conseguir explicar, at\u00e9 porque algumas das hip\u00f3teses s\u00e3o irrealistas, mas se conseguir prever, tudo bem\u201d; \u201cqualquer cidad\u00e3o deveria pensar racionalmente (como os deuses), se assim n\u00e3o acontece ele \u00e9 que n\u00e3o est\u00e1 certo\u201d.<\/p>\n<p>E assim se justificam tantas anedotas sobre os economistas: a procura da solu\u00e7\u00e3o passa por inicialmente se admitir que nada do que pretendemos solucionar aconteceu. Claro, a realidade \u00e9 que est\u00e1 errada, o economista \u00e9 que est\u00e1 certo.<\/p>\n<p>Se estas tontarias n\u00e3o tivessem consequ\u00eancias limitar-nos-\u00edamos a rir e a reconhecer que, se tais an\u00e1lises t\u00eam algo de cient\u00edfico, est\u00e3o essencialmente ref\u00e9ns da ideologia. Contudo, esta capa de cientificidade ideol\u00f3gica \u00e9 profundamente manipuladora da realidade e as pol\u00edticas econ\u00f3micas que lhe est\u00e3o associadas s\u00e3o muito perigosas para todos aqueles que n\u00e3o se comportam como os modelos consideram.<\/p>\n<p>2. Fugindo a situa\u00e7\u00f5es com que todos os cidad\u00e3os europeus est\u00e3o hoje confrontados, tomemos um exemplo com algum distanciamento temporal.<\/p>\n<p>Num livro de 1977 Macedo define c\u00e2mbios fixos como aqueles \u201cem que n\u00e3o ocorrem altera\u00e7\u00f5es da taxa de c\u00e2mbios\u201d, exigindo uma pol\u00edtica do banco central comprando e vendendo divisas para compensar as flutua\u00e7\u00f5es das compras e vendas. De seguida define c\u00e2mbios flutuantes e, quando seria de esperar que fossem definidos por nega\u00e7\u00e3o da afirma\u00e7\u00e3o anterior, afirma que s\u00e3o \u201caquele[s] em que n\u00e3o ocorrem altera\u00e7\u00f5es do equil\u00edbrio da balan\u00e7a de pagamentos\u201d (p\u00e1g. 131). Ora esta \u00faltima defini\u00e7\u00e3o \u00e9 um mero modelo, inspirado por um conjunto de pressupostos sobre o funcionamento da economia.<\/p>\n<p>Admitamos que o banco central n\u00e3o tem qualquer interven\u00e7\u00e3o directa sobre o mercado cambial e as ofertas e procuras funcionam ao sabor das transac\u00e7\u00f5es realizadas. Segundo o modelo seria de esperar o equil\u00edbrio da balan\u00e7a de pagamentos. Entretanto tal n\u00e3o acontece.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 de refazer o modelo? N\u00e3o! Ser\u00e1 de alterar a realidade para que tal aconte\u00e7a: diminui-se a regula\u00e7\u00e3o do banco central; diminui-se a sua fun\u00e7\u00e3o de financiador em \u00faltima inst\u00e2ncia. Como alguns economistas defenderam, numa paix\u00e3o neoliberal, prop\u00f5e-se a privatiza\u00e7\u00e3o do banco central.<\/p>\n<p>3. Quando se considera que a realidade \u00e9 mentirosa campeia a discricionariedade, a ditadura dos mercados, o aniquilamento do social pelo econ\u00f3mico. A sociedade (leia-se o homem) pode ir mal para que a economia (os \u201cmercados) v\u00e1 bem!<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Pimenta,\u00a0Jornal i Admitamos que o banco central n\u00e3o tem qualquer interven\u00e7\u00e3o directa sobre o mercado cambial e as ofertas e procuras funcionam ao sabor das transac\u00e7\u00f5es realizadas &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[72,124],"tags":[],"class_list":["post-6622","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas","category-jornal-i"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6622","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6622"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6622\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15320,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6622\/revisions\/15320"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6622"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6622"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obegef.pt\/wordpress\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6622"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}